Ensinam os doutos que a investigação historiográfica se articula sobre o lugar de produção sócio-econômica, política e cultural. Vingt-Un é aquele que faz a articulação da inteligência com a sociedade mossoroense. Toma a sério a missão que se impôs e nada do que se produz ou tem relação com Mossoró escapa à sua percepção de homem voltado para a cultura e para as letras. Hélio Galvão, em nota de imprensa, diz que há em tudo isso um patriotismo mossoroense. E possível, porque patriotismo é amor da pátria, do torrão onde nascemos, da vila, da província, do lugar de origem, da terra que se considera a preferida, a melhor dentre muitas. Mas esse patriotismo não é chauvinista, é tão somente dedicação à história social do seu lugar em todos os campos de ação de suas mentalidades, com o interesse manifesto de reunir o particular em geral, transportando ao setor central, o Estado, o resultado do trabalho ali desenvolvido para a agregação de uma unidade essencial à redistribuição ou, digamos melhor, A classificação global da história intelectual do Rio Grande do Norte, na evolução dos tempos e das horas, do presente e do passado.
Damos aval aos que exaltam o amor de Vingt-Una Mossoró, ressaltando Roderic Crandal – Rosewell, através das cartas que este lhe escreveu do Novo México e do Arizona. Os inúmeros livros e plaquetas da Coleção Mossorense, nas suas 3 séries, são indubitavelmente a prova provada de “revolução da inteligência” a que se refere o historiador Hélio Galvão. Daquele solo adusto jorra mesmo a água vivificadora que mata a sede do saber dos pesquisadores e cientistas, de todos os que se utilizam das fontes quantitativas visando a descrever e interpretar todos os níveis das atividades humanas, das elites ou das massas populares.
Mossoroense, Vingt-Un é um escritor e, mais do que isso, é um criador de valores, do seu valor próprio e das personalidades que o cercam ou que se criaram pelo espírito humano na tentativa de resolver os problemas da intelectualidade ligados a Mossoró e ao Estado.
Com informações Livro: Contribuição à História Intelectual do Rio Grande do Norte – João Medeiros Filho
Crédito Foto: Internet/Reprodução
Na comemoração do centenário do professor Vingt-Un Rosado, em matéria publicada no dia 25 de setembro de 2020, na página oficial da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a reitora Ludmila Oliveira reconhece o legado deixado pelo professor Vingt-Un Rosado.

Se vivo fosse, o engenheiro agrônomo, Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, completaria hoje, 25 de setembro, 100 anos de idade. O intelectual que sonhou e idealizou a Escola Superior de Agricultura de Mossoró que se transformou em Universidade Federal Rural do Semi-Árido. A história do professor Vingt-un Rosado se mistura com a história da instituição. Para a reitora da UFERSA, professora Ludimila Oliveira, o centenário do professor Vingt-un é um marco importante.
“Entusiasta da cultura, precursor na educação, incansável colecionador de papéis, imortalizou a memória de Mossoró. A ESAM é a concretização de um sonho, protagonizado pela luta, coragem, ousadia, determinação e visão, qualidades que só um embaixador da sua envergadura poderia ter. Só mesmo alguém do país de Mossoró”, considerou a reitora da UFERSA.
O sonho de criar uma escola superior de agricultura em Mossoró começou em 1941, quando ele ainda era aluno do primeiro período de Agronomia da Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL), em Minas Gerais. “Sentava-me numa cadeira colocada ao lado de uma janela [….] e comecei a sonhar. Sonhava e pensava se um dia eu teria forças para fundar em Mossoró uma escola à imagem e semelhança da gloriosa ESAL”, discursou Vingt-Un durante a solenidade que transformou a ESAM em Universidade Federal Rural do Semi-Árido.
Em 1964, solicitou ao reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, professor Onofre Lopes, a criação de uma escola de agricultura em Mossoró ligada ao UFRN. Não obtendo êxito, em 1965 solicita a Guimarães Duque que defendesse junto a Sudene a criação da escola de agronomia em Mossoró voltada para o semiárido. A conquista veio dois anos depois, em 1967, com a influência de Dix-huit, na época presidente do INDA. Inicialmente, no âmbito municipal, sendo federalizada dois anos depois graças ao prestígio de Dix-huit junto ao Governo Federal.
Assim surge a Escola Superior de Agricultura de Mossoró, com o curso de Bacharelado em Agronomia. “Sem a parceria de Dix-huit, a ESAM continuaria um sonho vantaneano. Sem a teimosia e a persistência de Vingt-un, a ESAM não existiria”, confessou em vida. Além da criação da ESAM, o professor Vingt-un é responsável pela Coleção Mossoroense que em muito incentivou a cultura e a literatura no Rio Grande do Norte. Além de fundador da ESAM, o professor Vingt-un dirigiu a instituição em dois mandatos. O primeiro, de 1974 a 1978 e, o segundo, de 1988 a 1991.
Com informações e imagem: Matéria Assessoria de Comunicação da UFERSA.
O historiador Ricardo Tersuliano faz uma analogia ao dizer que Vingt-Un é o Cascudo daquele país. o “País de Mossoró”. Ele continua afirmando que, no Rio Grande do Norte, existem alguns gigantes, e Vingt-Un é um deles, como se pode observar em seus atos e ações, que resultaram em inúmeros feitos para a sociedade potiguar.
Vingt-Un faleceu no dia 2 de fevereiro de 1995, aos 75 anos deixando um legado, e muitas saudades.
Notas Pedagógicas:
Dix-Huit: Significa “dezoito” em francês, sendo o número 18, escrito por extenso;
Viungt-Un: Significa “vinte e um” em francês, sendo o número 21, escrito por extenso.
Os nomes de família da família Rosado com numerais em francês surgiram porque o patriarca, Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia, era farmacêutico, e muitos dos livros e materiais de estudo que utilizava eram em francês. Num contexto familiar com muitos filhos e nomes repetidos, os números em francês serviam como uma forma prática de diferenciar os irmãos.
Socioeconômico: (no Brasil) é um termo que se refere à interligação entre as esferas social e económica de uma sociedade, analisando como estas se influenciam mutuamente. O conceito abrange o estudo das condições de vida, renda, ocupação e outros aspetos que moldam a realidade de um indivíduo, família ou região.
Semi-árido: refere-se a um clima que é parcialmente árido, caracterizado por chuvas escassas e irregulares, altas temperaturas, longos períodos de seca (estiagens) e baixa umidade do ar. É uma condição climática intermediária entre o clima árido (desértico) e o clima úmido, com menor quantidade de chuvas do que a água que evapora, mas ainda suficiente para o desenvolvimento de vegetação adaptada, como a Caatinga no Brasil.
INDA: Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, foi um órgão autárquico brasileiro criado pela Lei nº 4.504, de 1964, e que funcionou como uma das predecessoras do atual INCRA. A sua história eszta intrinsecamente ligada à reforma agrária no Brasil, com o objetivo de realizar e executar a política de desenvolvimento agrícola e a colonização. Em 1970, o INDA foi extinto e as suas atribuições foram absolvidas pelo INCRA. O Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) foi presidido, na década de 1960, pelo norte-rio-grandense Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia, durante o governo do presidente Costa e Silva.
ESAM: Antiga Escola Superior de Agricultura de Mossoró, foi criada em 18 de abril de 1967, tornando-se a primeira instituição federal de ensino superior da região. Inicialmente com o curso de Agronomia, expandiu para medicina veterinária em 1994 e, finalmente, foi transformada na Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA em agosto de 2005.
SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste: É uma autarquia especial, administrativa e financeiramente autônoma, integrante do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal, criada pela Lei Complementar n.º 125, de 3 de janeiro de 2007, com sede e foro na cidade do Recife, estado de Pernambuco, e vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. A missão institucional da Sudene é de “promover o desenvolvimento includente e sustentável de sua área de atuação e a integração competitiva da base produtiva regional na economia nacional e internacional”. Estão sob a jurisdição da SUDENE os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e, parcialmente, os estados de Minas Gerais e do Espirito Santo.
Pesquisa, edição e notas pedagógicas: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.
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