O nome da praia tem suscitado controvérsias ao longo do tempo. Para alguns historiadores o nome teve origem nas diversas redes usadas pelos pescadores que depois da pescaria ficaram intercaladas ao longo da praia – “Praia das Redes de pescar” – “Praia da Rede” – “Praia da Redinha”. Já o historiador Câmara Cascudo,relata que o nome Redinha faz referência à região de Pombal, em Portugal, como tantos outros em nossa cultura.”Havia a Redinha de fora, como local arruado à margem esquerda, vista de Natal, e a Redinha de dentro , na foz do Rio Doce, também chamada de Guajiru, desaguadouro da lagoa de Extremoz” escreve o Mestre Cascudo em sua obra “Nomes da Terra”.
Curiosidades Redinha. Ao contrário do que muita gente pensa, não foi a Igreja de Pedra que prejudicou a construção do Redinha Clube seguindo o seu modelo de pedras marinhas e sim o contrário. O Redinha Clube foi construído primeiro, de palha em 1924 e de pedra em 1944, Só 10 anos depois, em 1954, foi construído a Igreja de Pedra. Essa foto registra isso.
Natal, 23 de dezembro de 1928
“… Na direita a vista é monótona, mangues, a careca das dunas e um ajuntamento de coqueiros.
Oculta nessa monotonia, da banda do mar fica a Redinha, praia de verão, bairro que ninguém sonha pela preguiça do pensamento atravessar o rio com este sol.”
Redinha, 30 de dezembro de 1928
Mário já está na Redinha na companhia de Cascudo e Barôncio Guerra vindo de barco à vela pelas águas do Potengi. O detalhe é que essa visita foi programada para um dia, mas devido ao seu encantamento com a praia, durou dois dias e rendeu à Redinha um destaque especial de três páginas na sua obra
“…. A boca da noite se abriu sem a gente sentir. O choro foi lá embaixo se instalar do Redinha-Clube, casarão chato no meio da praia, pra meninas dançando. Estamos por ali gozando a ventania. Acenda as luzes. O Redinha-Clube é um guaiamum escuro com as pernas luminosas sobre a areia”
Detalhe é que nessa foto, tanto o Redinha Clube como o Mercado, ainda eram de madeira.
A bucólica Praia da Redinha,¨porto de pescaria dos capitães-mores”, em foto da década de 30. Em destaque a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes construída em 1922 – igrejinha branca e menor.
AS IGREJAS DE NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES
Em 1924, os pescadores da Redinha, com ajuda do Dr. Aponan, construíram a capelinha Nossa Senhora dos Navegantes, a padroeira do bairro.
A Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes é um templo famoso na cidade pela originalidade de sua construção, toda em pedra preta, retiradas da praia de Genipabu.
Essa construção ocorreu em 1954, com ajuda dos veranistas Cunha Lima e Carlos Lima Araújo. O novo templo não teve a aprovação dos pescadores porque foi erguido de costas para o mar. Até hoje os pescadores continuam frequentando a antiga capelinha, bem mais antiga também dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes.
Antigos veranistas contam que a imagem de NS dos Navegantes, antes situada na capelinha, foi levada à Igreja, ocasionando revolta por parte dos moradores. “Durante os dois primeiros anos a Igreja de Pedra não celebrou missas em função do desaparecimento da imagem, que segundo a comunidade, teria sido roubada pelos pescadores. Em 1956, uma imagem de Nossa Senhora foi encontrada no Canto do Mangue. Numa trégua entre as duas partes, foram doadas duas imagens, dando assim, origem a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes”.
(Sérgio Vilar – Diário do Tempo Redinha Velha 3).
Fonte: Vento Nordeste.
Fotos do Acervo digital de Adriano Medeiros.
Foto abaixo Mercado da Redinha
O REDINHA CLUBE – Construído no ano de 1922, numa época em que a Redinha já registrava uma vida social intensa.O Redinha Clube passou a animar o verão com suas festas, entre elas a “festa do caju”, realizada no mês de janeiro. Por décadas a festa do caju atraiu pessoas de todos os lugares da cidade e carregou por muito tempo a tradição “a cara da Redinha” mas deixou de existir a partir de 1970.
Redinha Velha dos anos 50 e 60 #fatosefotosdenatalantiga
Destaque para o Redinha Clube. No lado esquerdo vemos o trapiche por onde se transitava pessoas e mercadorias pelo Rio Potengi. Local historicamente foi muito frequentado pelos banhos de rio/mar.
O trapiche da Redinha em 23 Fev 1963, foto de José Guará. O registro recente, como se encontra hoje, foi feito em fevereiro de 2013, cinquenta anos depois.
Praia da Redinha, meados do século XX.
Acervo do Memorial Câmara Cascudo
Enviada por Daliana Cascudo
Legenda: Daliana Cascudo com colaboração de Jeanne Nesi.
PRAIA DE VERANEIO – A Praia da Redinha foi por muitos anos, praticamente, a única praia de veraneio de Nata. Registros do Instituto Histórico e Geográfico marcam o dia 22 de novembro de 1921 como os dados da fundação da Redinha como praia de veraneio, inicialmente habitada por pescadores e rendeiras. Essa data comemora o desembarque pela manhã, em Porto Velho, das cinco primeiras famílias de veranistas: Dr. Paulo de Abreu, major e médico reformado do exército, e seu gênero, Boanerges Leitão, Pedro Fonseca, tesoureiro dos correios e telégrafos, José Luna Freire, gerente da filial das Lojas Paulistas, e Lauro Medeiros, também gerente de lojas.
Foi o advogado e deputado provincial Francisco Xavier Pereira de Brito (1818-1880) que se tornou a Redinha conhecida de todos. Segundo o escritor Manuel Onofre Junior, até fins do século XIX, os banhos de mar e temporadas de veraneio eram ignorados nas praias de Natal. Somente nos fins da primeira década do século seguinte é que se iniciou o movimento de veranistas nas praias potiguares. Mas, o traje iria se consolidar apenas na década de 20.
Foto: Área do Cemitério dos Ingleses
O CEMITÉRIO DOS Ingleses – Uma das referências históricas do bairro é o chamado Cemitério dos Ingleses. Nos idos de 1869, numa pequena elevação entre o rio Potengi e a gamboa do Manibu, foram erguidos túmulos de ingleses e suíços não católicos, que viviam na cidade e que morreram em consequência de epidemias que grassavam na época. Hoje o lugar encontra-se ocupado por coqueiral.
Com informações Internet, Link abaixo:
https://fatosefotosdenatalantiga.com/a-historica-conexao-do-natalense-com-o-mar/
















