Uma parte da História da cidade de Frutuoso Gomes
Esta cidade teve seu início de povoação por volta do ano de 1830 quando ali foi residir Manoel Mumbaça, cujo nome derivava de ter vindo de Mombaça cidade do Ceará. Possuidor de grande família, apossou-se das terras que as denominou de Data de Boaágua. Chamava-se Data porque após as Capitanias Hereditárias, cada porçáo de terra pertencente ao donatário recebia este nome. E sempre o nome da data era dado por um marco que se destacava. Nosso caso, chamava-se Data da Boaágua pela boa água que existia no local. Em um ano de grande seca, Manoel Mumbaça voltou para o Ceará e vendeu a sua propriedade ao Sr. José Reinaldo, que por muitos anos foi seu dono; até chegar ao local, proveniente de Caraúbas o Sr. João Gomes de Melo que fez a compra da dita propriedade e passou a residir à margem esquerda do Rio Mineiro. Sua esposa era Maria do Ó Gomes e sua família era composta de 10 filhos: Brasiliano, Frutuoso Gomes, José Gomes, Vitalina Gomes, Maria do Ó Egepciaca Câmara, Clementina, Filomena, Delmira, Joana, e Delfina Gomes.
Novamente pelos anos de 1888, sobreveio nova seca e o Sr. João Gomes, teve que abandonar, suas terras viajando para o Sítio Canoas, em Aracoiaba, Ceará; deixando esposa e filhos em Caraúbas no local Riacho do Cunha, onde residiam seus familiares. Pelos anos de 1.890, um dos filhos, Frutuoso Gomes, casa-se com dona Antônia Salustiana da Cunha e vai residir na Data de Boaágua. Anos depois seu irmão, José Gomes, também se casa com a irmã de dona Antônia, ou seja, dona Maria Salustiana, e foi também morar na propriedade. Dentre outros moradores que habitaram a vizinhança tiveram José Lourenço residente no Sítio Mineiro; Manoel Barbosa no Sítio Fechado; Manoel Feliciano no Sítio Mata Seca; José Reinaldo no Sítio Castro; Joaquim Victor no Sítio Cachoeirinha; Manoel Geraldo no Sítio Pé de Serra e Antônio Joaquim no Sítio Mumbaça de Cima. Antônio Joaquim era letrado, aplicado em matemática; foi Juiz Distrital e funcionário da Mesa de Rendas de Martins, cobrando impostos de terras. O mesmo faleceu em 1935.
Na noite de 12 de junho de 1927, era período de novenas de Santo Antônio, santo fervoroso de Frutuoso Gomes. No momento da novena, chegou um aviso de que Lampião e cangaceiros já se encontrava em Antônio Joaquim Mumbaça de Cima. Foi um verdadeiro corre-corre pelo medo gerado diante do perigo dos bandidos, correram para as matas para se refugiarem. O bando vinha em verdadeira balbúrdia e perversidade, com bebedeiras e retalhando tecidos trazidos de Boa Esperança (hoje cidade de Antônio Martins), onde haviam atacado dois comerciantes: Seu Augusto Nunes e o velho Justino Ferreira. Em Mumbaça o bando ainda entrou na residência de José Gomes, levando joias da família. Conta-se também que passaram na casa de uma velha cega que tinha um filho chamado Raimundo Inácio, levando-o prisioneiro até Lucrécia. Em Joaquim Victor havia três loucos que foram deixados em casa por conta de um negro chamado Coco. A família restante havia foragido. Um dos cangaceiros pergunta ao negro “Cadê o patrão?” E o negro diz “que tinha ido a uma festa em Martins.” “E o que você ficou fazendo aqui?”, pergunta um dos cangaceiros. E o negro responde que ficou tomando de conta de três loucos. “Você bebe cachaça?”. E o negro responde: “Bebo”, e meteram cachaça no negro. Em Chico Libânio não havia ninguém em casa. Havia queijos, que eles cortaram e jogaram no terreiro. Ainda tocaram o fole de oito baixos que lá existia e daí rumaram para Lucrécia.
A região estava sendo servida na época pela estrada de ferro Mossoró-Souza, sob a direção do coronel Saboinha (Vicente Sabóia Filho). A estação de Caieira (hoje Almino Afonso) havia sido inaugurada em 30 de setembro de 1937, e estava dirigindo os seus trabalhos para o nosso arraial. A previsão da estrada de ferro era passar fora do arraial, foi então por iniciativa de Frutuoso Gomes através de sua grande amizade com Saboinha, que acertou doando parte de suas terras para a ferrovia, para que esta passasse seus trilhos pelo local onde hoje é a nossa cidade. E a 31 de dezembro de 1941, diante de tanta festa, deu-se a inauguração da estação ferroviária de Mumbaça. Com a inauguração da estação, surgiram novos moradores e todo movimento de embarque de passageiros e cargas de Martins, Pau dos Ferros e outras regiões erma feitas através de nossa povoação. O comércio se desenvolveu, aumentou o número de residências e já éramos habitantes de uma próspera povoação de Mumbaça, pertencente ao município de Martins.
Em 1946, falecia Frutuoso Gomes aos 82 anos; e em 1948, era erguida a capela e celebrada a primeira missa em 27 de junho de 1948, pelo padre Henrique Mitte, do Lima em Patu. Devemos destacar aqui o trabalho e a ajuda importante do filho de Frutuoso, Francisco Frutuoso, que dedicou toda a sua luta entre seu trabalho e construção de nossa capela. Passamos em março de 1954 à categoria de Vila, agora chamada Vila de Mineiro pelo rio que passa banhando-a, continuando a pertencer a Martins. Em maio do mesmo ano criou-se o cartório e em fevereiro de 1955 os correios e telégrafos.
De 1955 a 1963 houve grande progresso com aumento de casas e de ruas; e a 20 de dezembro de 1963 foi elevada à categoria de cidade, pela Lei nº 3.008 e instalada a 1º de janeiro de 1964, conservando o nome Mineiro até 1967, quando a 16 de maio foi mudado para cidade de Frutuoso Gomes pela Lei nº 3.446 de autoria do deputado Diniz Câmara.
Segundo Luiz da Câmara Cascudo no seu livro “Nomes da Terra” descreve o seguinte: “A povoação denominava-se Mineiro, Riacho vindo da Serrinha do Majó. Desenvolvia-se com lentidão no enovelado da cordilheira, alheia ao registro da história.” Sobre Frutuoso Gomes assim ele expressa: “Era agricultor, relacionado e querido na região, com projeção eleitoral entre os amigos, cedeu sem indenização uma faixa de terra em sua propriedade, possibilitando a instalação ferroviária, na estação de Mumbaça, animando o desenvolvimento local pela circulação da produção. A figura simpática do animador local mereceu a homenagem.”
Fac-simile do Decreto nomeando Prefeito do município de Mineiro o Sr. Raimundo Belarmino da Fonseca assinado por Aluízio Alves (governador) e Jocelyn Vilar de Melo.
Ata da Sessão Solene de Instalação do Município de Mineiro:
“Ás treze horas de 1º/01/1964, no prédio onde funcionará a Prefeitura Municipal, iniciou-se a sessão solene de instalação do município de Mineiro, criado pela Lei nº 3008, de 20/12/1963, e publicada no Diário Oficial do Estado em 21/12 do mesmo ano. Assume a presidência dos trabalhos, o Sr. Manoel Raimundo da Silva, segundo Juiz de Paz em exercício que convida o Sr. Severino Ferreira de Araújo, serventuário do cartório desta cidade para servir de secretário. Inicialmente o presidente comunica a finalidade da presente reunião para, em seguida, declarar instalado o novo município de Mineiro. A seguir convida para participarem da mesa dos trabalhos, as autoridades presentes, facultando a palavra a quem dela quiser fazer uso. Pede a palavra o Sr. Agnelo Fernandes e se pronuncia da seguinte maneira: Congratulando-me por este feliz evento, que constitui para nós motivo de orgulho e regozijo, faço votos para que o novo município seja garantia do progresso e grandeza desta terra, e da prosperidade deste povo honesto e trabalhador.
Em seguida o presidente comunica que de acordo ao que lhe fora atribuído e declarando haver tomado conhecimento da nomeação do primeiro prefeito desta comuna, convida a seguir o Sr. Raimundo Belarmino da Fonseca, prefeito nomeado, que de pé leu o seguinte compromisso: Prometo guardar a Constituição do Estado, e desempenhar com lealdade e dedicação, o cargo que me foi confiado de prefeito deste município, o que é seguido de calorosa salva de palmas; após o que o presidente declara empossado no cargo o novo prefeito de Mineiro.
Nada mais havendo a ser tratado, o presidente declara encerrada a sessão solene mandando antes que se faça a presente ata, que depois de lida e achada conforme, foi assinada por todos os presentes. Eu, Severino Ferreira de Araújo, Secretário, a escrevi e assino.”
A cidade de Frutuoso Gomes, no primeiro momento de sua história, foi uma comunidade denominada de Mumbaça, depois denominada de povoado de Mineiro, e por último foi denominada de Frutuoso Gomes, em homenagem a Frutuoso Gomes. Desmembrada do município de Martins, pela Lei 3008 de 20/12/1963.
Abaixo, pode-se ver, Publicação do Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte –D.O.E, do dia 21/12/1963:


Tendo as seguintes Coordenadas Geográficas:
Latitude: 6º 09′ 30″ Sul
Longitude: 37º 50′ 23″ Oeste
Frutuoso Gomes, Bandeira e Brasão de Armas:
Lei nº 58:
A Lei Municipal nº 58, de 25 de novembro de 1983, institui a Bandeira e o Brasão de Armas do município de Frutuoso Gomes.

Bandeira
Bandeira: Constituída de um retângulo amarelo simbolizando luz e riqueza, tendo, ao centro, o escudo do município.
Brasão de Armas
Brasão de Armas: De origem portuguesa, 8 x 7 e 5 x 6 módulos. Campo azul e branco refletindo o firmamento e o clima tropical, espargindo luz; cordilheiras de serras, de características singulares, circundando a cidade, aspecto turístico; via férrea, desenvolvimento demográfico e econômico da região; algodão e milho, principal agricultura. Na faixa, o topônimo do município e a data de sua criação.
A estação ferroviária da cidade de Frutuoso Gomes, está inserida no trecho ferroviário da estrada de ferro Mossoró-Souza. Abaixo pode-se ver um vídeo que mostra parte da história deste trecho ferroviário.
Com Informações:
– Livro: História do Município de Frutuoso Gomes – Dr. Lúcidio Jácome Ferreira;
– Livro: História Legislativa dos Municípios do Rio Grande do Norte – Assembleia Legislativa do RN;
– Livro: Bandeiras e Brasões dos Municípios do Rio Grande do Norte – Anadite Fernades da Silva;
– Vídeo Gabriel Mariz Veras.

Uma resposta
Uma riqueza em história das nossas cidades do auto oeste parabéns!!