Sylvio Piza Pedroza

Equipe de Redação do Blog do Cobra
|
22/07/2025 às
08:30

(13/07/1951 – 31/01/1956)

Aos 26 anos, por indicação do empresário João Câmara, presidente do PSD, Sylvio Piza Pedroza* chegou à prefeitura de Natal, sob os olhares desconfiados dos coronéis e dos conservadores, na gestão do interventor Ubaldo Bezerra. Um prefeito que usava roupa esporte e saía em cima de um caminhão fazendo concertos com Oriano de Almeida, em instituições públicas, falando sobre Mozart, Chopin e Verdi, era realmente um fato novo. Pelo menos, inusitado para a época.

Sylvio Pedroza ** resolveu, como prefeito, investir na orla marítima. Natal tinha apenas três praias: Ponta Negra, Praia do Meio e, do outro lado do rio, Redinha. Ele insistiu e construiu a Avenida Circular, um escândalo para a época. Chegaram a chamá-lo até de vândalo. Sylvio iria destruir as dunas. Ele fez as obras e concluiu o trabalho em apenas seis meses, com a ajuda de máquinas americanas no tempo da guerra. Foi sua maior obra em Natal, a qual ficou para o futuro, podendo ter sido a precursora da Via Costeira de hoje.

Desbravador

Ele destaca outra grande obra sua: “A integração das Rocas à Cidade. Era tido como um bairro marginal, mas que, felizmente, foi integrado à cidade. Eu me orgulho disso. Abri ruas e avenidas, permitindo essa integração”. Construiu na praça da Jangada o “banco dos namorados”, onde existia um interruptor para apagar a luz nos momentos mais românticos. Ao sair, o namorado podia acendê-la.

Elegância

Alto, magro, esbelto, cabelos grisalhos, Sylvio Pedroza ainda conservava os traços do homem galante que marcou uma fase na política do Rio Grande do Norte, principalmente junto ao eleitorado feminino. Vestia-se com a sóbria elegância britânica de quem morou por mais de três anos em Londres, onde quase concluiu o curso secundário, terminando no Rio de Janeiro, onde foi campeão de pólo aquático e tênis. Era um autêntico desportista.

Aos 33 anos, pela fatalidade que atingiu Dix-sept Rosado, ele chegou ao governo do Estado disposto a governar com outra mentalidade. Antes, na Constituinte de 1946, foi eleito deputado estadual somente com votos de eleitores de Natal. Obteve quatro mil, dos treze mil votos dos natalenses. Tinha convencido como prefeito da Capital.

No governo era o mesmo desportista e amigo dos intelectuais. O seu governo construiu o ginásio “Sylvio Pedroza”, o primeiro ginásio coberto no Norte-Nordeste. Na área da educação, construiu inúmeras escolas e, como a maior obra do seu governo, não permitia a perseguição a adversários políticos. Sobre ele o severo crítico Antônio Pinto disse que seu grande gesto como governador foi respeitar as liberdades individuais.

Igreja do Rosário

Quando estava entediado no palácio Potengi, com o cerco dos fisiológicos pedindo todo tipo de indignidade, ele ia até a casa do mestre Cascudo, aonde chegava pulando a janela, tomava o mestre pelo braço e, juntos, iam ver o pôr-do-sol sobre o rio Potengi. Em silêncio, como se fizessem uma prece, despediam-se do sol no horizonte. “O mais bonito pôr-do-sol de Natal é visto da igreja do Rosário, na bifurcação do rio com o Forte dos Reis Magos”, dizia Sylvio.

Ao deixar o governo, disputou ao lado de José Varela o Senado da República em 1958 e, embora tendo mais votos na condição de suplente do que o titular, não obteve êxito e encerrou aí sua carreira política. Foram eleitos Dix-huit Rosado Maia e José Bezerra de Araújo, respectivamente, senador e suplente.

Amigo de JK (Juscelino Kubitschek de Oliveira), foi nomeado diretor do BNB e depois foi subchefe da casa civil da Presidência da República, cargo que também ocupou no governo de João Goulart, a convite do primeiro-ministro Tancredo Neves. Foi demitido do cargo de procurador da Caixa Econômica Federal sem nunca ter sido processado ou preso. Apenas por perseguição política. Aposentou-se como subprocurador da Fazenda Nacional.

A convite do senador Jessé Freire, foi durante vários anos chefe de gabinete da presidência da Confederação Nacional do Comércio – CNC e secretário-geral da Confederação Internacional do Comércio, com sede em Paris. Exerceu essas atividades até o fim de sua vida. A última homenagem que o Rio Grande do Norte lhe prestou foi sua eleição à Academia Norte-rio-grandense de Letras, tornando-se imortal. Sylvio Pedroza nasceu em Natal, em 12/03/1918, e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 19/08/98, aos 80 anos de idade.

  • Substitutos constitucionais: na primeira metade do seu mandato (1951-1953), o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Epaminondas da Casa Legislativa, deputado Ubaldo Bezerra, que encerrou sua gestão à frente do Legislativo Estadual dando posse ao recém-eleito vice-governador José Varela, o qual passou a presidir aquele Poder.

** O governador Sylvio Pedroza repetiu o gesto do seu antecessor e ficou equidistante do pleito eleitoral em que, como seu sucessor, foi eleito o candidato da oposição, Dinarte Mariz, para frustração dos seus correligionários.

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

Apoie a preservação da nossa história. Anuncie conosco: (84) 99658-8154.

Gostou deste conteúdo? Siga-nos no Instagram@blogdocobra_

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *