Manoel Duarte Machado em visita ao local onde será construído o Campo de Parnamirim.
O sertão de passos lentos permanecia em estado de alerta ao cangaço, enquanto a aviação se consolidava e acelerava o mundo moderno. Não tardou a Manoel enxergar o futuro no ar.
Após a Primeira Guerra Mundial, o francês Pierre Georges Latécoère criou uma linha aérea regular para transportar o correio entre a França e o Marrocos. Em seguida, decidiu expandir as rotas para a América do Sul, incluindo as cidades de Natal, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santiago do Chile.
Em abril de 1927, Latécoère vendeu 95% da companhia aérea à Marcel Bouillioux-Lafont, investidor francês radicado na América do Sul. A razão social da empresa passou a ser Compagnie Générale Aeropostale (CGA) – embrião da Air France.
No mês de julho de 1927, a Aéropostale procurou uma área para construção de um campo de pouso em Natal. O piloto francès Paul Vachet, auxiliado por Alberto Roselli, então agente consular da França, e o Coronel Tavares Guerreiro, do Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, chegaram até uma área na fazenda Pitimbu.
Quatro anos se passaram desde que Manoel adquirira a fazenda em 1923, seu senso de oportunidade começando a render frutos. Terra firme para um pouso seguro.
Paul Vachet foi apresentado ao marido de Dona Amelinha, proprietário da fazenda. O encontro foi narrado pelo piloto francês: “Envergando terno de casimira inglesa, com a gravata bem arrumada, sapato de verniz, as faces escanhoadas, bigode tratado com caprichos, Manoel Machado era um homem elegante, apesar da altura quase descomunal frente aos homes da terra e da ausência constante do chapéu sobre a calva pronunciada.
Manoel doou o terreno de aproximadamente 100 ha para a Aéropostale. A escritura foi lavrada em 20 de julho de 1927, sendo doadora a firma M. Machado e Cia. e donatária a Societé Franco Sudamericaine de Traveaux Publics, com sede em Paris, representada por seu procurador, o piloto Paul Vachet. A área doada foi avaliada em dois contos de réis (2.000$000), para efeito do imposto de transmissão.
A doação foi feita sob condição: a celebração de um contrato de empreitada a cargo da M. Machado e Cia., responsável pelo preparo da área total do campo, incluindo os trabalhos de cortar, destocar todas as árvores e os arbustos existentes, capinar, nivelar todos os montículos e tapar todos os buracos, de maneira que o campo ficasse perfeitamente limpo, liso e plano, no prazo máximo de noventa dias, pelo preço ajustado de doze contos de reis (12.000$000).
O casal abriu o palacete para hospedar os engenheiros franceses que vieram para a construção do campo de pouso e a manutenção dos aviões. O vinho português e o champanhe francês na hospitalidade luso-brasileira. Natal tornando-se global.
Em pouco tempo, o Campo de Parnamirim tornou-se um dos melhores e mais equipados aeródromos da Aéropostale, com hangar, estação de rádio, equipamentos de sinalização, um poço de água, um edifício para albergar os pilotos e outros dois edifícios provavelmente utilizados como armazéns ou escritórios.
O campo atraiu diversos trabalhadores para a vizinhança. Estava plantada a semente do futuro município de Parnamirim.
Asas em voos unindo a Europa ao Brasil. Além do rio, Natal agora dispunha de campo de pouso para acolher os navegadores dos céus.
Com informações e imagem livro: Viúva Machado a grandeza de uma mulher – Maria Elza Bezerra Cirne.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – E-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com
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