REDINHA E NÃO RIDINHA

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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25/03/2025 às
08:58

Creio que esta é a terceira ou quarta vez que escrevo sobre a linda Redinha. Pelo menos em duas crônicas, respondera a consultas sobre a pronúncia do nome da praia bonita.

Expliquei que o certo é Redinha, e Ridinha é uma mania como outra qualquer. Mera questão de dizer um nome errado e teimar.

Ninguém pode evitar que um cidadão entenda dizer e escrever “cidade de Natal” em vez de “cidade do Natal”, que é o real, histórico e certo.

Não é dado a todos obedecer à Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, que, no seu artigo 2º, estabeleceu a grafia oficial.

Não há Ridinha em registro algum do meu conhecimento. Encontra-se, abundantemente, nos arquivos de nossa história, a Redinha.

Ela foi dada ao Padre Gaspar Gonçalves da Rocha pelo Capitão-Mor João Rodrigues Colaço em 23 de junho de 1603.

Constituía a doação em 1.500 braças, começando da boca do Rio Guaraú (Guagiru) pelo Rio Potengi acima, e era excelente porto de pescaria.

“É o porto da pescaria que foi dos capitães todos, e hoje é de Pero Vaz, quem o deu foi o senhor Governador Gaspar de Souza. É o melhor porto de pescaria que aqui há de fronte da Fortaleza.”

Até 1614, não tinha nome, e não o encontrei durante o domínio holandês nem durante todo o século XVII.

Deve ter sido dado no correr do século XVII por algum português proprietário da região.

Na primeira metade do século XVIII, deparo com o topônimo já popular e velho. Trata-se de D. Joana de Freitas da Fonseca, viúva do Capitão Manoel Correia Pestana, ter comprado a uma viúva, de nome Gracia do Rego:

“… sítio chamado da Redinha da outra banda do rio desta cidade, com toda terra da dita Redinha até a Pajussara por comprido e do Outeiro do Minhoto até o Rio Guagirú.”

A data do registro é de cinco de junho de 1731.

Este Outeiro do Minhoto é o antigo Sítio Floresta, de Caiana, até a antiga terra do patrimônio de Nossa Senhora da Soledade, na povoação de Igapó. O Rio Guagirú é o Rio da Redinha, Rio Doce, sangradouro da Lagoa de Extremoz, a Tijuru indígena, na aldeia de São Miguel de Guagirú.

A Redinha continuou habitada.

Ainda em 1764, Caetano Pereira de Andrade dizia-se morador no Sítio da Redinha.

O nome nos veio de Portugal, com todas as letras.

Redinha é uma vila do Conselho de Pombal, distrito de Leiria, na Estremadura. De lá, emigrou o topônimo para batizar a praia da cidade do Natal.

Como veem, sempre Redinha, Redinha, Redinha…

A República, 14 de fevereiro, década de 50.

Com informações e imagens do livro: Actas Diurnas – Crônicas de Luís da Câmara Cascudo.

Foto da capa: Acervo Luduvicus – Instituto Câmara Cascudo.

Colaboração: Aladim Potiguar – Blog do Cobra.

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