Rafael Fernandes Gurjão

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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26/06/2025 às
09:59

(29/10/1935 – 03/07/1943)

Rafael Fernandes Gurjão, descendente da tradicional família Fernandes, com raízes em Pau dos Ferros, assumiu o governo e, antes de completar um mês, enfrentou, no dia 27 de novembro de 1935, o movimento revolucionário denominado de “intentona comunista”, que governou o Rio Grande do Norte por três dias, fato inédito no País e em toda a América Latina.

O governador estava participando de uma solenidade, no teatro “Carlos Gomes” – hoje Alberto Maranhão, acompanhado de vários auxiliares, quando eclodiu o movimento, e teve que refugiar, com sua comitiva, no consulado do Chile sob a proteção do cônsul Elias Lamas, ali permanecendo até a situação se normalizar após 72 horas de insurreição.

Rafael Fernandes fez um governo razoável. Com os recursos deixados em cofre pelo interventor Mário Câmara e nomeando prefeito de Natal o engenheiro Gentil Ferreira de Souza, que hoje é nome de praça pública no centro do bairro do Alecrim, Rafael formou um secretariado de alto nível, com o que de melhor existia na política local, naquela época.

Golpe

Recebeu em Natal a visita secreta do embaixador Negrão de Lima, que, em nome de Getúlio Vargas, veio pedir a sua concordância para o golpe que ocorreria em 1937, quando foi outorgada a Constituição elaborada pelo jurista Francisco Campos, conhecida como “Polaca”. O emissário mineiro era o articulador do golpe em nome do futuro ditador. O governante que concordasse recebia a promessa de Getúlio de permanecer como interventor federal. Rafael Fernandes concordou e, apesar de adversário de Vargas, foi mantido no cargo, tendo sido, portanto, governador até 10/11/37 e interventor do Rio Grande do Norte, durante o “Estado Novo”, até renunciar ao cargo por motivo de saúde.

O governo Rafael Fernandes foi responsável pela iniciativa pioneira de sanear os primeiros bairros de Natal, tarefa executada pela empresa “Saturnino de Brito”, que, durante muitos anos, explorou o serviço de abastecimento e esgoto da cidade, tendo ainda construído o “Grande Hotel”.

Preservação

Teve ainda a visão de preservar áreas verdes de Natal que seriam transformadas mais tarde em atrações turísticas, como o “Bosque dos Namorados” e a “Cidade da Criança”. Rafael Fernandes foi o primeiro ex-aluno do Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, a chegar ao governo do Estado. Posteriormente, segundo a tradição, foram também eleitos governadores os ex-alunos Dix-sept Rosado, Cortez Pereira, Tarcísio Maia, Lavoisier Maia Sobrinho e João Agripino, que governou o Estado da Paraíba.

Conflito

Durante seu governo, eclodiu a segunda grande guerra mundial, e Natal, transformada num ponto de apoio das forças que seguiam para a África, foi denominada “Trampolim da Vitória”. Em 1942, sediou o encontro dos presidentes Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt, durante o qual ficou decidida a entrada do Brasil no conflito.

Na sua gestão, construiu grupos escolares no interior do Estado e pavimentou a paralelepípedo a estrada Natal–Macaíba, via Guarapes. Criou o Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social – SERAS, cujo primeiro diretor foi Aluízio Alves, que mais tarde, na década de 60, seria governador do Rio Grande do Norte.

Já acometido pela doença – arteriosclerose – pediu exoneração do cargo, solicitando-a pessoalmente ao ditador Vargas, no Rio de Janeiro, em 1943, durante uma audiência no palácio do Catete. Getúlio pediu-lhe que indicasse alguém, mas ele não quis fazê-lo. Por indicação do ministro da Guerra, general Gaspar Dutra, e acolhendo ponderações do interventor Rafael Fernandes e do ex-deputado José Augusto, foi nomeado para sucedê-lo o general Antônio Fernandes Dantas, que já tinha sido interventor federal na Bahia em 1937.

Com isso foi evitada a nomeação do jornalista Georgino Avelino, defendida pelo general Góes Monteiro, de quem era amigo. Rafael Fernandes nasceu em Pau dos Ferros, em 24/10/1891, e faleceu no Rio de Janeiro, em 11/06/1952.

A partir de 10/11/37 o substituto eventual era o advogado Aldo Fernandes Raposo de Melo, secretário-geral do Estado e designado interventor federal interino.
** O substituto constitucional era o presidente da Assembleia Legislativa, o monsenhor João da Mata Paiva.

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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