Primeira Feira de Livros de Natal

Ana Tersuliano
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22/07/2025 às
08:14

Em dezembro de 1957, acontecia em Natal a Primeira Feira de Livros, instalada nas calçadas do Grande Ponto, movida pelo entusiasmo de estudantes, poetas e intelectuais da Cidade. Os livreiros de Natal tiveram a cooperação do Prefeito Djalma Maranhão, sem dúvida, um dos motivos da mais honrosa memória de sua administração.

Todos se congratularam com os promotores do evento literário. Foi o início da popularização dos livros em Natal, que, antes, eram manuseados quase exclusivamente pelos cultos. Esse entusiasmo não brotou à toa, os livros chegaram como um vendaval, distribuídos ao povo, circulando no cotidiano e acompanhando o ritmo das atividades da Cidade. Os livros, expostos a céu aberto, eram uma demonstração de respeito à inteligência potiguar.

A partir do século XX, a cultura popularizou-se, deixando de ser um privilégio das academias e universidades, e percorria, anônima, as ruas, em procura de leitores. Foi a consolidação da cultura potiguar como um anseio poético ou a emanação dos feitos passados.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, quando as características principais de um livro eram as capas entreteladas ou cartonadas, surgiram as edições no formato económico, que, com preços mais baixos, popularizaram-se rápido.

Quanto mais livros circulam entre o povo, mais valoriza do tornar-se-á o esforço dos que escrevem a nossa história…

As gerações anteriores à data acima, talvez, não tenham tido oportunidade de lerem o quanto desejavam.

Foi com a popularização do livro em Natal e a certeza da vitória, no terreno da divulgação dos grandes nomes de nosso Estado, que, em maio de 1969, foi realizado um Festival do Livro, com o apoio da Unidade Cultural de Natal, do Instituto Nacional do Livro.

Mesmo assim, parte da população continuou distanciada dos livros, porque, durante muitos séculos, o livro, em si, foi considerado objeto raro, privilégio das elites, possível de ser adquirido apenas por um número pequeno de eruditos. Mas, a partir desse evento, ficou plantada a semente para as próximas “Feiras de Livro de Natal”, que evoluíram até as Bienais, como a ocorrida em 2008 no Centro de Convenções de Natal.

A história do Rio Grande do Norte precisa continuar pelo caminho traçado pelos nossos intelectuais, roteiro de nossas boas tradições e belíssimos exemplos. Que continuem assim, bem alicerçadas as nossas tradições, coesas com a argamassa forte de nossa história.

Hoje, dispomos de boas livrarias em Natal, que se preocupam em oferecer livros de qualidade editorial e gráfica a preços acessíveis, e que, em suas missões empresariais, muito contribuem para a democratização da cultura potiguar.

Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br

Livro: Antiqualha – Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Foto: Jornal Agora/RN – Divulgação

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Notas Pedagógicas: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente

A Feira do Livro, sem sombra de dúvidas, foi um evento muito importante para a sociedade natalense. Um acontecimento que motivou os amantes da leitura, proporcionando um encontro com interação entre os participantes que se dirigiam ao local para comprar, trocar livros ou simplesmente conversar sobre eles. O texto destaca também o apoio dado ao evento pelo chefe do Executivo municipal, deixando clara a visão do gestor em relação ao evento, bem como ressaltando a importância do apoio do poder público a iniciativas culturais como essa.

O Grande Ponto, em Natal, localizado na rua João Pessoa, era um tradicional ponto de encontro de intelectuais. Um lugar movimentado, palco de inúmeros eventos sociais e políticos. Ali se discutia política, esportes e, muitas vezes, também se comentava sobre a vida alheia na cidade. Atualmente, ainda é possível encontrar artistas participando de alguns poucos eventos realizados no local, apesar do abandono em que se encontra o bairro da Cidade Alta (Centro). O Grande Ponto permanece na memória e na história da cidade como um importante ponto de encontro no passado.

A Feira do Livro foi uma ação fundamental para a popularização do livro em Natal, representando uma vitória na divulgação de grandes nomes da literatura e de diversos autores. Esse marco histórico impulsionou a realização de vários festivais literários. No entanto, à época, o livro ainda era considerado um item caro e raro, acessível apenas a uma pequena parcela da sociedade, pertencente às famílias mais abastadas. Ainda assim, eventos como esse foram essenciais para ampliar o acesso à leitura, culminando, inclusive, na realização de Bienais.

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