Padre Miguelinho: Um Potiguar Idealista

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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14/03/2025 às
20:06

O padre Miguel de Almeida e Castro nasceu na cidade do Natal, no dia 17 de setembro de 1768. Eram seus pais o capitão Manoel Pinto de Castro, português, e D. Francisca Antônio Teixeira de Castro. Foi batizado em 3 de dezembro de 1768, na Matriz da Apresentação.

Aos 16 anos foi morar em Recife. Em 1784, entrou para Ordem Carmelita da Reforma, quando se tornou frei Miguel de São Bonifácio. “Lembrança da avó materna que era Bonifácia”, explicou Câmara Cascudo. Por essa razão, ficou conhecido como frei Miguelinho. Acontece, então, que indo para Europa, em 1800, recebeu do Papa Pio VII, a sua secularização. Ao voltar ao Brasil, já era padre, o que confundiu muita gente, fazendo com que o sacerdote potiguar continuasse sendo chamado de frei Miguelinho. Mas o certo é que era o padre Miguelinho, por ter conseguido sua secularização.

No ano de 1817 foi nomeado Mestre de Retórica do Seminário de Olinda.

Em Recife, morou com sua irmã Clara de Castro. Idealista, participou da Revolução Pernambucana de 1817, sendo preso no dia 21 de maio de 1817. Na noite anterior, juntamente com Clara Castro, ficou queimando os papéis que incriminavam todos aqueles que tinham participado do movimento. Disse para sua irmã: “Mana, nada de dó. Estás órfã. Tenha enchido os meus dias, logo de vejo em braços da morte. Entrego-me à vontade de Deus e nele te encomendo. Ele me ajudará e me salvará a vida de muitos ajudando-me a salvar a vida de milhares de desgraçados”.

Preso, foi levado à Fortaleza das Cinco Pontas.

Padre Miguelinho, juntamente com setenta e dois revolucionários, seguiu no brigue “Concosco” para Salvador. Desembarcou na capital da Bahia no dia 10 de junho. Durante o seu julgamento, perante uma comissão, o conde dos Arcos tentou ajudá-lo perguntando se ele tinha assinado, ao que o padre respondeu:

“não senhor: não são contraifeitas. As minhas firmas nesses papéis são todas autênticas. Por sinal, em um deles falta o ‘O’ de Castro, ficou pela metade por acabar porque faltou papel!”

Foi condenado por crime de lesa-majestade e fuzilado no dia 12 de junho de 1817.

Segundo Adauto da Câmara, “os restos mortais do Padre Miguelinho foram inumados no antigo cemitério do Campo de Pólvora, reservados aos escravos, aos pobres e aos que padecessem de morte violenta”.

Em 1912, quando foi criado um grupo escolar no Alecrim, por iniciativa de Cândido Medeiros (e do seu genro Nestor Lima, que era professor) e a escola dos pobres de São Vicente de Paula” e por indicação de Nestor Lima, o governador Alberto Maranhão deu à nova escola o nome de seu ilustre filho-riograndense, Frei Miguelinho. Depois, sem mais tarde, quando o grupo se transformou na escola primária e de segundo grau, passou a ser chamado Instituto Padre Miguelinho, continuando a escola inicial.

Alberto Medeiros, Maria Zélia Pinheiro de Medeiros e Maria Isaura Pinheiro

Com informações: Livro “O Potiguar”

Texto: Alberto Medeiros, Maria Zélia Pinheiro de Medeiros e Maria Isaura Pinheiro

Ilustração: Dorian G. Caldas

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