O velho Porto da Madalena

Ana Tersuliano
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29/09/2025 às
07:26

Na companhia do Dr. Olímpio Maciel mais uma vez voltamos a Macaíba para fazer nova visita à histórica cidade.

Do centro da cidade seguimos por uma estrada à direita e passamos em frente ao histórico casarão do coronel Manoel Maurício Freire (1850-1927), onde na parte dos fundos corre o rio Jundiaí e ficava situado o antigo Porto da Madalena, que servia de escoadouro para o açúcar “Moreninho” produzido pela refinaria de Maurício Freire. O casarão substituiu a antiga sede da fazenda Canavial do coronel Manoel Joaquim Freire, pai de Maurício Freire (Neco Freire).

O que há de especial no casarão?! Antes de mais nada, O que uma convivência harmoniosa entre o provinciano e o cosmopolita. Foi construído entre 1915-1917, projeto do arquiteto Giácomo Palumbo, e até hoje observa o crescimento da cidade, que se tornou intenso na atual administração municipal. Ali eram realizadas festas da colheita da jabuticaba, com grande frequência de políticos da época. O casarão foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado em 29 de julho de 2002.

Em seguida, entramos em uma ruazinha estreita ao lado do casarão, com muita dificuldade (sentimos falta de um veículo 4×4).

Em meio a uma mata nativa de jabuticabeiras deixamos o automóvel e prosseguimos a pé. Continuamos até chegarmos próximo ao mangue do antigo Porto da Madalena, no rio Jundiaí, onde encontramos alguns pescadores em um pequeno bote. No local existe uma belíssima escada rústica de pedra esculpida. Por ali, no século passado, embarcavam as pedras que seriam utilizadas no calçamento em Natal; dali também saíram diversas peças de cantaria para a Capital.

Esse rio, outrora navegável, está em meio a um manguezal denso e preservado. É um local seguro e repleto de natureza, de acesso restrito e sem nenhuma manutenção. Aquela imensa área verde de jabuticabeiras naturais reúne todas as condições para tornar-se um grande parque natural. Também existem vários poços e lagoas de beleza indescritível verdadeiras piscinas naturais encravadas na rocha.

De lá seguimos alguns quilômetros à frente até encontrarmos o local onde funcionou, em meados da década de 1920, uma pedreira primitiva, responsável pelo fornecimento de peças de cantaria, como o marco da Avenida Tavares de Lira. A história da pedreira é pouco divulgada, como um capítulo perdido na rica história do município.

Em meio a muito mato, encontramos os vestígios da pedreira, as ruínas da casa de pedras, paiol onde eram guardados os explosivos destinados à extração das rochas que iriam alimentar as mandíbulas do velho britador inglês que ainda se encontra no local.

O velho britador trata-se de uma máquina raríssima, nele encontramos gravadas as seguintes inscrições na parte frontal: Blakes – Stone Breaker – H.R. Mars Den – Solemaker. Infelizmente, a máquina se encontra a céu aberto, sem nenhuma proteção.

Depois de visitarmos esse local, e após uma boa caminhada, chegamos exaustos ao ponto onde o veículo nos aguardava, mas ninguém reclamou de cansaço e prosseguimos. Depois do Orfanato Lírio do Vale, novamente entramos à direita, e seguimos até as jazidas naturais de rocha, onde eram extraídas as pedras que alimentavam o britador, e atualmente é conhecida como o Poço do Eco.

Vale salientar que fomos ciceroneados pelo Sr. José da Mata, um antigo morador da região, que se revelou um profundo conhecedor da área e suas peculiaridades.

O espaço mostra-se ideal para um projeto turístico, o que iria promover o desenvolvimento econômico da região e também contribuir para a preservação da fauna e flora nativas. Certamente, os ambientalistas aplaudiriam a iniciativa da prefeitura do município.

Com informações e imagem livro: Antiqualha – Elísio Augusto de Medeiros e Silva.

Pesquisa, edição e notas pedagógicas: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente, e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

Foto: Marcelo Augusto

Notas Pedagógicas:

Pedra de Cantaria: é uma pedra grande, rija e trabalhada, com forma geométrica, que é usada na construção civil para edificar muros, casas e outras estruturas, ou como elemento de revestimento e ornamentação. O termo “cantaria” refere-se tanto à pedra em si quanto à obra ou ao ofício de trabalhar com elas. 

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Comentários

Uma resposta

  1. Mostra naquela época que o casarão era de muita valia, ajudou à muitos, daquela região, foi motivo de muitas mudanças satisfatórias. Sem falar na pedra de Catarina, que era enorme e ajudava bastante para fazer casas e construções. O termo Catarina refere_se tanto a pedra em si como a obra de trabalhar com elas.

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