O primeiro inglês morador na cidade do Natal

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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09/06/2025 às
09:08

O primeiro cidadão da Inglaterra residente na cidade do Natal foi Richard Wiltshire.

Não sei quando chegara. Tornou-se pessoa conhecida e relacionada. Quando o encontro, já se acha casado com dona Caetana Maria, filha de Gonçalo Soares Raposo da Câmara, Gonçalo Morgado de velha e nobre família de Portugal, tendo terras vinculadas de morgadio na ilha de S. Miguel, fundador do ramo Raposo da Câmara no Rio Grande do Norte.

Da popularidade e integração do inglês na cidade do Natal basta dizer que na revolução de 1817 ele foi preso e remetido para Recife como suspeito de republicanismo e aliado do coronel André de Albuquerque Maranhão, o chefe do governo que durara 27 dias.

A Comissão Militar do Recife dera liberdade a Richard Wiltshire por não lhe encontrar culpa alguma.

Já em 9 de maio de 1816 casara o seu filho, Ricardo Wiltshire Júnior, com D. Umbelina Teodora da Silva, filha do Capitão José Inácio do Carmo e de D. Joaquina Maria da Silva.

Richard Wiltshire casara com Caetana Maria. Desta sei que apenas que nascera a 3 de maio de 1778. Tivesse casado com 15 anos a cerimônia seria em 1793 e em 1794 nasceria o Ricardo Júnior, com 23 anos em 1816, quando toma estado e passa ao rol dos homens-sérios.

De outra forma não se pode fixar a estrada deste inglês na terra natalense, inteiramente possuído pelo uso e costumes do Nordeste.

Será o caso raro de um súdito de Sua Majestade Britânica radicado à cidade do Natal na última década do século XVIII.

Da importância e consideração dos Wiltshire lembro que o Ricardo Júnior era membro do Senado da Câmara em 1822, ano da Independência do Brasil, aclamação, do primeiro Imperador, fundação do Império. Sua assinatura é de fácil encontro nos documentos desta época. Do Wiltshire velho, o Sênior, deparo apenas firmando a 13 de julho de 1822 o termo e moção pública para conservação de S. A. R. o Príncipe D. Pedro no Brasil com poder executivo talqualmente El-Rei D. João VI em Portugal.

Era ele o intérprete da Cidade.

Em 6 de setembro de 1819 aparecera na praia de Sagi, Canguaretama, um bergantim misterioso que mandara três marinheiros a terra, com três barricas para fazer a guarda, presos, foram enviados para Natal e interrogados pelo Wiltshire Sênior. Não eram corsários nem contrabandistas e sim três marujos do brique “Rochendale” saído de Liverpool com destino a Pernambuco e já tendo 72 dias de mar, faltara água. Os homens eram Robert Lithgow, John Forshale e Dadvid Peacock e assinam depoimento a 19 de setembro de 1819 ao lado do “Intérpreter Richard Withsire”.

As grafias de seu nome eram as mais variadas, Withlife, Withshire, Wilshire, Wylker, Velyer, Velyxir.

O Ricardo Júnior parece ter sido filho único e não deixado descendentes. O nome de Wiltshire desapareceu nos livros de registros paroquiais.

O inglês nascera em 1763 e pelos meus cálculos casara aos 30 anos, com a noiva de 15. Faleceu a 26 de Janeiro de 1823.

“Aos vinte e seis de janeiro de mil oitocentos e vinte e três faleceu da vida presente repentinamente Ricardo Velyer, em idade sessenta anos, branco, casado com D. Caetana de tal. Foi sepultado nesta Matriz no Cruzeiro da igreja envolto em mortalha dos religiosos de São Francisco, depois de ser solenemente encontrado por mim. E para constar fiz este termo que assinei.

(a) Feliciano José Dornellas, Vigário Colado”.

Até que me provem o contrário é este Richard Wiltshire o primeiro cidadão inglês residente na cidade do Natal.

A República, 04 de outubro de 1956.

Com informações e imagens extraídas do livro Actas Diurnas – Crônicas de Luís da Câmara Cascudo.

Foto da capa: Acervo Luduvicus – Instituto Câmara Cascudo.

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Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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