Antônio José de Moura apareceu como ajudante já enrolado nas confusas barulheiras de Natal em 1824. Ficou ao lado do Presidente Tomaz de Araújo Pereira na atribulada administração provincial e sofreu prisão por ordem de mentores do dia. Aqui ficou e morreu, integrado, tomando parte nas festas e tristezas, misturando sua adesão aos movimentos que se sucederam. Morava na Rua da Palha, no trecho que hoje se chama Vinte e Um de Março.
Foi sempre escolhido para ajudante de ordens dos presidentes. Era o título: Ajudante de Sala. Antônio José de Moura exerceu esse encargo junto aos Presidentes Basílio Quaresma Torreão (1833-36), João José Ferreira de Aguiar (36-37), Silva Lisboa (37-38) e Dom Manuel D’Assis Mascarenhas (1838-41). Eleito deputado provincial para o biênio de 1838-39, foi reeleito, sucessivamente, seis vezes, até 1850-51.
Também pertenceu ao corpo docente do Atheneu. Ensinou Geometria, ganhando 500$ por ano. Seu antecessor, Urbano Égide da Silva Costa Albuquerque Gondim, pai da escritora D. Izabel Gondim, mereceu uma demissão de seu cargo, assinada pelo Silva Lisboa, o Presidente Parrudo. Urbano Égide estava de licença e não reassumiu em tempo idôneo. Parrudo nomeou Antônio José interinamente, a 19 de janeiro de 1838, demitindo Urbano em outubro de 1837, apesar da carta em que este o felicitava pela posse e informava, a 9 de outubro, estar a 10 léguas de Natal e não lhe ser possível dar um ar de sua graça junto aos alunos do Atheneu. Quando, pela
resolução nº 26, de novembro de 1836, João José Ferreira de Aguiar, depois barão de Caçuava, organizou o Corpo Policial, com 70 praças, um primeiro e um segundo comandante, 12 sargentos, um furriel, três cabos, dois cornetas e sessenta soldados, Antônio José de Moura recebeu a nomeação de comandante.
Ganhava de soldo 40$ e tinha mais de 10$ de gratificação mensal. A tropa ficou alojada no consistório da Igreja de Santo Antônio durante vinte e cinco anos.
No Atheneu, Antônio José riscava a tábua negra com os riscos geométricos para raros alunos. Geometria possuía um estudante por milagre. A matéria mais procurada era o Latim. Depois o Francês.
Teria, evidentemente, pouco que fazer, o comandante professor ajudante, capaz de exercer ainda outros misteres. Foi vice-diretor de tipografia natalense.
A 11 de agosto de 1838, depois de um concurso no mesmo Atheneu, o Dr. João Valentino Dantas Pinagé, vice-presidente da Província, em exercício, concedia-lhe a efetividade. Antônio José morou professor de Geometria no Atheneu e comandante do Corpo Policial.
Esse cargo deu-lhe Maria Rosa Soares de Moura. Tinha um filho, do mesmo nome paterno, rapaz franzino, casado. Antônio José Júnior fazia inveja à toda gente mais elegante do velho Natal da província. Luiz Álvares de França, também poeta satírico, dedicou-lhe umas décimas que se perderam. Uma delas assim dizia:
Namorado sem ventura,
Como decerto é aquele,
– Oh, meu bicho, como ele,
Sua calça chititi,
Seu paletó bem comprido,
Ele mira só pensando
Ser do amor correspondido.
Nesse tempo as duas ruas movimentadas, cheias de alegria, festinhas e serenatas, eram a Rua da Laranjeira e Rua do Fogo. O resto parecia com um cemitério.
O Capitão Antônio José de Moura faleceu em Natal a 24 de outubro de 1850. O filho, funcionário na Secretaria Provincial, viajara para o Recife e se fixara por lá. Voltou, tuberculoso, relembrando a vida folgada e saía do passado e foi pedir aos doces climas de São José de Mipibu um adiamento ao prazo fatal que a morte lhe impunha.
Viveu apenas alguns meses, morrendo a 26 de maio de 1857, deixando viúva, D. Antônia Jacinta de Moura.
São essas fisionomias, apagadas pelo tempo, que te vou evocando, lembrando que, no mundo, não há princípio mas continuação…
A República, 09 de março de 1940.
Com informações e imagens extraídas do livro Actas Diurnas – Crônicas de Luís da Câmara Cascudo.
Foto da capa: Acervo Luduvicus – Instituto Câmara Cascudo.
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Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
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