O Pequeno Becão

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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03/02/2025 às
09:00

O Amor por competição e velocidade nasceu junto com aquele menino Paulistano de apelido Becão.

Mais rápido que o tempo

Era apenas mais um 21 de março, como tantos outros. O ano, 1960. O Brasil passava por intensas mudanças em sua estrutura – a capital federal, Brasília, era recém-inaugurada, tomando o lugar do Rio de Janeiro no cenário político nacional. O presidente à época, Juscelino Kubitschek, estava a um ano de concluir o que seria um dos principais planos de desenvolvimento de um país ávido pelo crescimento prometido.

Naquela madrugada, em Santana, na zona norte de São Paulo, o calor forte incomodava dona Neyde, que ostentava uma barriga com nove meses completos. Ao seu lado dormia Milton, seu marido, que foi acordado com a notícia: o segundo filho do casal estava a caminho. Era preciso se apressar para ir ao hospital e trazer ao mundo mais um parceiro de jornada.

Cada criança que nasce abre uma imensidão de possibilidades. O que ele vai ser quando crescer? Do que vai gostar de comer? Será que se dará bem com os irmãos? Qual será sua grande paixão? As perguntas são infinitas. As respostas, também. O caminho que aquele bebê escolheria seria marcado não somente por sua profissão, mas também pela forma com que encararia cada tarefa de sua vida. O menino Ayrton Senna da Silva traria esperança. E traria a mensagem de que a conquista chega como um resultado natural da persistência.

Sua história com a velocidade começa antes mesmo de ganhar um kart do pai. Ayrton – ou Beco, como era chamado por familiares e amigos – era muito inquieto. Sua hiperatividade e falta de foco nas brincadeiras traziam preocupação aos pais. Seria Ayrton um menino normal? O rapazinho tinha dificuldades motoras que o impediam de executar com perfeição atividades simples, como subir escadas. Testes médicos feitos na criança descartaram qualquer problema de saúde sério.

O que tinha o menino, afinal? A resposta: o mundo à sua volta era muito lento para a rapidez de seus pensamentos e ações. Por isso os brinquedos caíam de suas mãos, por isso as pernas não acompanhavam a velocidade dos comandos que ele dava ao corpo. Ayrton nasceu para estar num carro de corrida.

Beco tinha outra característica marcante quando criança: uma competitividade extremamente aflorada. Um dos melhores amigos de infância do piloto, Alfredo Popesco, viu as primeiras manifestações do Ayrton que não gostava de perder. Alfredo dominava a técnica do pingue-pongue, mas Senna jogou incessantemente até superar o amigo, poucos meses depois de os duelos começarem. Com o passar da idade, os brinquedos ficaram maiores e a sede por vencer foi transferida para outro esporte.

O primeiro kart usado por Ayrton foi feito pelas mãos de Miltão, como seu pai era conhecido, e tinha o número 007. Era o começo do relacionamento mais sério, cheio de amor e dedicação que o piloto teria. O carrinho artesanal atingia 60 km/h e estava sempre sob os olhos de adultos quando a criança de quatro anos o pilotava.

Depois, em sua primeira disputa verdadeira de kart, aos nove anos, ganhou a vantagem reservada aos “café com leite”: poderia ser o primeiro a sortear sua colocação na largada da corrida. Os adversários, com idades entre 15 e 25 anos, aguardavam o pequeno Beco tirar, de dentro do capacete, o número que indicaria de onde ele e seu kart partiriam. O pedaço de papel sorteado por Ayrton sentenciava: era o número 1, o pole position. Manteve a posição até a última volta, quando foi tocado por outro garoto e saiu da pista. Sua primeira corrida, sua grande estreia. Foi neste dia que se apaixonou definitivamente pela competição motorizada.

Com Informações Livro: SENNA PARA SEMPRE

A História do Maior Ídolo do Automobilismo – Infância.

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