O papel de José Augusto na política nacional

Ana Tersuliano
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18/05/2025 às
13:13

A nova missão de José Augusto frente ao Senado finalizou sua função no governo do Estado e, apesar de ter permanecido no cargo de Senador da República até a Revolução de 1930, pôde voltar ao seu cargo em novembro de 1933 ficando até julho de 1934.

Mas, com as eleições nacionais de 14 de outubro de 1934, elegeu-se como Deputado Federal pelo Partido Popular do Rio Grande do Norte. Inclusive, tal partido foi fundado sob sua orientação. Enquanto organizador e dirigente do Partido Popular, José Augusto concebeu seu programa e, entre os pontos que se destacaram, estavam a defesa do sistema parlamentar, o voto universal, a proteção à agricultura e à indústria, etc.

Nesse interim, tinham início os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte a 15 de novembro de 1933. O Rio Grande do Norte fazia parte dos alvos das manobras articuladas por Getúlio Vargas, pois nele o bloco de oposição ao governo era bastante condensado e tinha como líder José Augusto. Assim, uma medida do Presidente foi nomear um interventor, Mário Leopoldo Raposo da Câmara que, por sua vez, era filho do vice-governador de José Augusto, Augusto Leopoldo Raposo da Câmara. Obviamente, era uma forma usada para tentar convencer a oposição.

“A Assembleia Nacional Constituinte aprovou eleições para a Câmara e o Senado, assim como para as Assembleias e os governas Estaduais, a serem realizadas em 14/10/1934. Os deputados federais e estaduais em pleito direto, enquanto governadores e senadores seriam eleitos pelas respectivas Assembleias. Sob a presidência de José Augusto, o Partido Popular realizou sua convenção a 23 de setembro de 1934 em Natal (…)”. (ARAUJO, 1995. p. 177).

Mediante às eleições, a vitória no Rio Grande do Norte foi para o Partido Popular liderado por José Augusto, que na Câmara Federal assumiu uma postura oposicionista, compondo o bloco da minoria no Congresso.

Mas, com o surgimento do Estado Novo em 1937, José Augusto caiu no ostracismo político e passou a trabalhar em funções públicas, como professor, jornalista e Inspetor de Seguros da Empresa Equitativa no Ceará, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Entretanto, Getúlio Vargas convidou-o para assumir a Pasta da Educação no Ministério. Mas, o convite foi recusado uma vez que ele preferia continuar com as suas convicções políticas.

Assim, empenhou-se prioritariamente nas Campanhas Parlamentaristas, através de debates na Assembleia Nacional onde enfocava a implantação do Parlamentarismo. Inclusive, segundo José Augusto, tal regime seria o caminho para o Brasil participar dos avanços das nações civilizadas, livres e possuir instituições que assegurassem a liberdade e a democracia para o povo.

Desse modo, analisando a vida de José Augusto da infância à idade adulta percebe-se uma profunda formação liberal, bem como uma forte ligação à estrutura de poder vigente até 1930.

No fim da sua carreira política, a trajetória do velho parlamentar marcou-se por um fato curioso, característico da República Oligárquica. Nas eleições de 3 de outubro de 1950, Enoch de Amorim Garcia, diretor do Departamento de Agricultura, candidatou-se juntamente com José Augusto a uma vaga na Câmara Federal pela União Democrática Nacional (UDN). O resultado da eleição foi negativo para José Augusto que devido a problemas de saúde não pôde participar da campanha. Dessa forma não seria reeleito. Enoch, por sua vez, mesmo desconhecido, conseguiu obter 118 votos. Na época, era uma votação expressiva.

Diante do impasse, uma comissão composta por Aluízio Alves, Theodorico Bezerra, Dinarte Mariz, Gentil Ferreira entre outros, resolveu transferir os votos de Enoch para José Augusto garantindo assim sua reeleição.

Divulgado o resultado oficial, José Augusto Bezerra de Medeiros assumiu o seu último mandato como deputado federal e o candidato “depenado” – Enoch Garcia, apareceu na lista de votação com apenas 8 votos.

A atitude política descrita nos remete a antiga Comissão de Verificação de Poderes que atuava na República das Oligarquias, decidindo os vitoriosos nas eleições da época, em detrimento da soberania popular.

Dessa forma podemos perceber que a estrutura oligárquica no Rio Grande do Norte sempre foi muito coesa, favorecendo um forte continuísmo político que chegou até os dias atuais.

Na foto acima, vemos José Augusto Bezerra de Medeiros em seu último discurso como parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Com informações e imagem livro: José Augusto e o ABC das Oligarquias – Walclei de Araújo Azevedo

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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