Nos anos 50, as revistas americanas publicavam anúncios de várias marcas de cigarros, que afirmavam totalmente o contrário do que hoje vemos obrigatoriamente em todas as carteiras. Naquele tempo, bonito era fumar! E, por incrível que pareça, fumar já foi considerado um símbolo de elegância e bom gosto.
Atualmente, sabemos que eram anúncios que não condiziam com a realidade. As fábricas induziam os consumidores, através de propagandas sedutoras, mas que não expressavam a verdade aos usuários.
Cigarros prometiam até saúde: evitavam o cansaço, melhoravam a digestão, não deixavam engordar, acalmavam os nervos e davam ânimo. Alguns anúncios diziam que melhoravam até crises de asma, embora não fossem recomendados para menores de seis anos.
Um fabricante de cigarros afirmava que, quem o fumava, não tinha o nariz, a garganta e os outros órgãos acessórios afetados pela nicotina (!). Segundo o anúncio, uma rigorosa pesquisa científica acompanhara, durante seis meses, vários fumantes da marca e, após profundos exames, que incluíram até Raios X, concluiu que o tal cigarro era totalmente inofensivo para os órgãos respiratórios. Vê se pode?
Por outro lado, uma outra marca de cigarros não dava crédito às informações científicas do concorrente e afirmava que o seu cigarro dava prazer, e não enchia o saco com falsas conclusões pseudocientíficas. Garantia e assinava embaixo que não existia outra marca de cigarros com menos nicotina do que a sua, e que irritasse menos a garganta.
Outro fabricante chegou a anunciar, nessa época, que a maioria dos médicos preferia fumar os cigarros produzidos por ele. Veiculava propagandas com a foto do médico e tudo! Só faltou dizer que também fazia bem à saúde!
Outra marca de cigarro ainda não se utilizava dos cowboys e fazia um bebê afirmar em suas propagandas: “Puxa mamãe. Você realmente gosta de seu….!”. A mamãe largava por um instante o cigarro e exclamava: “Claro! Eu jamais acho que fumei demais! Este é um milagre de…!”. Naturalizando o ato de fumar em família.
E, assim, os anúncios se sucediam naquela época. Havia até médico garantindo que descansava das cirurgias fumando o seu cigarrinho.
“Eu queria um sabor encorpado, que combinasse com minha garganta”, anunciava a atriz Joan Crawford, que juntamente com Frank Sinatra, James Stuart e outras celebridades faziam do cigarro um símbolo de status.
Uma das propagandas mais famosas foi a dos cowboys de determinada marca de cigarros, na década de 60/70.
No Brasil, também, não foi muito diferente dos Estados Unidos. Uma indústria de cigarros da época encomendou ao poeta Olegário Mariano uns versos, que acompanhavam o testemunho da atriz Virginia Pearson, e que terminavam, simplesmente, dizendo que os referidos cigarros levavam os fumantes ao esplendor da glória. Esse fabricante adorava utilizar versos e atrizes nos seus anúncios. Valia tudo para vender!
Um outro fabricante nacional publicou um anúncio, na revista Manchete, de 1975, onde colocou o seu cigarro como um verdadeiro símbolo de elegância e charme. “O único fino que satisfaz.” Prometia até mais beleza pessoal aos usuários.
Naquele tempo produzir fumaça era chique! Até a geração 70, esquisito era não fumar!
Atualmente, após quase uma década de proibição da propaganda de tabaco na mídia brasileira e da repercussão causada pela aprovação de leis que restringem o fumo em ambientes coletivos fechados, em vários Estados do País, parece até loucura achar que a moda volte novamente. Mas, como tudo muda, pode ser que, daqui a algumas décadas, os cigarros sejam totalmente inofensivos, como diziam as propagandas das décadas de 1920 a 1950.
A foto acima e o texto abaixo nos mostram um exemplo das propagandas de cigarro daquela época.
EXTREMAMENTE FINO EXTREMAMENTE GOSTOSO
Esta é uma antiga propaganda de cigarro (quando ainda era permitida) da marca Chanceller veiculada em 1975. Estas propagandas estimularam o vício de muitas pessoas, pois tentavam passar a ideia que o hábito de fumar era algo que poderia lhe tornar mais belo, e que o cigarro era gostoso e saudável. Nesta propaganda por exemplo vemos o modelo Pedrinho Aguinaga que em 1970 foi eleito “O Homem Mais Bonito do Brasil”, em um concurso promovido no Programa Flávio Cavalcanti.
Um dos homens mais badalados do Brasil na década de 70, tendo frequentado o Jet Set Internacional e namorado muitas famosas.
Voltando para a propaganda nela está escrito:
” AS PESSOAS DE MUITO BOM GOSTO FUMAM CHANCELLER PORQUE É EXTREMAMENTE FINO, ELEGANTE, BONITO, E MODERNO, MAS O IMPORTANTE É QUE CHANCELLER TEM GOSTO, TEM SABOR, SATISFAZ, VOCÊ SENTE QUANDO FUMA.
COM CHANCELLER VOCÊ FICA MAIS BONITO E MUITO MAIS SATISFEITO.
O UNICO FINO QUE LHE SATISFAZ”.
Com informações e imagem livro: Antiqualha – Elísio Augusto de Medeiros e Silva.
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Ana Carolina Tersuliano – Diretora e colaboradora do Blog do Cobra.
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