Natal nas Urnas: fatos históricos que poucos conhecem.

Ana Tersuliano
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05/05/2026 às
16:43

Antes da chegada da urna eletrônica, votar no Brasil era uma experiência bem diferente, mais lenta, mais manual e, muitas vezes, cercada de tensão e desconfiança. Durante grande parte da história republicana brasileira, o voto era feito em cédulas de papel, preenchidas pelo eleitor e depositadas em urnas físicas, que já foram de madeira, metal e até lona. A apuração não acontecia em poucas horas, como vemos hoje: em muitos casos, podia levar dias ou até semanas para que os resultados fossem oficialmente conhecidos.

Nas primeiras décadas da República, no final do século XIX e início do século XX, o processo eleitoral ainda estava longe de ser totalmente secreto. Em muitas regiões do país, principalmente no interior, o chamado “voto de cabresto” era uma prática comum. Grandes líderes políticos locais, conhecidos como “coronéis”, influenciavam ou pressionavam eleitores a votar em determinados candidatos, transformando a eleição em uma demonstração de poder político e econômico.

Com a criação da Tribunal Superior Eleitoral e do Código Eleitoral de 1932, o sistema começou a ganhar regras mais modernas, incluindo avanços no sigilo do voto. Ainda assim, por décadas, o processo continuou baseado em papel. Em determinados períodos, as próprias cédulas podiam ser impressas ou distribuídas por partidos e candidatos, algo que gerava críticas e abria espaço para irregularidades. A partir de 1955, as eleições presidenciais passaram a usar cédulas oficiais, emitidas pela Justiça Eleitoral.

No dia da votação, o eleitor recebia a cédula, escrevia ou marcava seus candidatos em um espaço reservado e, depois, depositava seu voto na urna. O trabalho pesado vinha depois: milhares de mesários e servidores precisavam abrir urna por urna e contar manualmente cada voto. Se uma marca estivesse confusa, se a letra fosse ilegível ou se houvesse contestação por parte de candidatos, recontagens podiam acontecer, atrasando ainda mais o resultado.

Foi justamente para reduzir fraudes, acelerar a apuração e aumentar a padronização do processo que o Brasil iniciou, nos anos 1990, a informatização eleitoral. A urna eletrônica começou a ser usada em 1996 e, em 2000, já estava presente em todo o país, marcando uma das maiores transformações da história eleitoral brasileira.

Com informações: Site Justiça Eleitoral

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente

e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra.

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