Pescador e empresário, foi um autêntico “self- made-man” A história de sua vida, iniciada no inóspito sertão paraibano, está contada por ele mesmo em um interessante depoimento intitulado “Profissão: Pescador”, redigido em uma linguagem tão simples e realista que, em certos trechos, até chega a emocionar.
Nasceu na zona rural de Catolé do Rocha-PB, em 24.03.1917. Aos 12 anos resolveu sair de casa e aventurar-se pela vida. Montado em um jumento, “pequenininho, cabelo muito comprido, chapéu de palha de coco de catolé fabricado por minhas irmãs”, foi pela estrada em direção a casa de um irmão vinte anos mais velho, que morava no Apodi, com “uma prata de dois mil réis que minha mãe me dera, um queijo e uma rapadura.
Chegado à casa do irmão, a primeira coisa que este fez foi levá-lo ao barbeiro Zezé, “que ficou com a cara torcida quando viu a quantidade de piolhos que eu tinha. Pegou álcool, derramou na minha cabeça e amarrou com um pano.
Seis meses de escola particular, foi vendedor de água e de tudo fazia para ganhar seus tostões. Saiu de Apodi em 31/12/1931, de volta a Catolé, mas, em 1932, levantou a bagagem contida em um saco e já estava em Mossoró, na casa de Osmídio Jovino, trabalhando de graça como vendedor dos cigarros “Itaú”, de Raimundo Jovino.
Passemos, porém, desses detalhes, muitos deles pitorescos, mas que demonstram uma inquebrantável determinação de vencer, e vamos encontrá-lo já sócio de Osmídio Jovino, em março de 1940, em uma fábrica de redes. De 1943 a junho de 1945, tempo da II Grande Guerra, serviu no Exército em Recife e Salvador, período esse também repleto de incidentes curiosos. Retorna a Mossoró e é mandado para a Amazônia conduzindo 1600 redes, para vender na região, capítulo quase “épico”, tantas as aventuras que lhe renderam. Em vez de 1600, vendeu 1800 redes. Mas, em consequência de desentendimento com Osmidio e Joaquim Duarte, também sócio, decide estabelecer-se em Natal com a firma M. Carrilho & Cia. Ltda., então com participação minoritária de Osmídio. Foi quando entrou no negócio de importação de farinha de trigo, o que lhe valeu muitos contratempos, superados com inteligência, esperteza e garra.
Ficou conhecido em Natal como o “rei do trigo”. Tornou-se, com o decorrer do tempo, um dos homens mais ricos da capital.
Casou-se, em 19.05.1946, em Mossoró com dona Lourdinha Menezes do Monte, filha do sobralense Humberto Monte. Teve 6 filhos, netos e bisnetos.
Na foto acima, cedida por seu neto Milton Gabriel Carrilho, da esquerda para a direita, estão os saudosos: Marcilio Carrilho (filho), Miguel Carrilho (pescador e empresário) e Marcelo Carrilho (filho).
Miguel Carrilho faleceu em 20 de junho de 2000. Empresário renomado, seu nome batiza um prédio localizado na Avenida Rio Branco, na Cidade Alta; outro, na Avenida Campos Sales, no bairro Tirol; e uma praça pública situada na Avenida Café Filho, na Praia do Meio, em Natal/RN.
Com informações Livro: Rua Coronel Vicente Saboia – Um retorno sentimental – Francisco Obery Rodrigues.
Foto: Acervo Família – Milton Gabriel Carrilho
Aladim Potiguar – Colaborador Blog do Cobra
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Respostas de 3
Era amigo do meu avô Pedro Moura (que dá o nome a uma de suas ruas). Veraneava em Pirangi do Norte. Um dos primeiros veranistas. Sua casa era vizinha onde é a APURN. Marcílio era amigo dos meus irmãos mais velhos e eu amigo de Marcelo. Época boa onde Pirangi tinha meia dúzia de veranistas. Alcancei sem luz elétrica (tinha um pequeno gerador que era ligado às seis horas e desligado às nove. Desde Ponta Negra até Pirangi estrada de de pissarro. Saudades.
Agradeço a lembrança de papai. Hoje em dia muito do que foi feito, muitos que tanto fizeram têm-se perdido na imensidão. No caos das notícias passageiras, dos interesses do momento. Muito do que narra está no livro Profissão Pescador. No entanto, papai faleceu em 2000, numa manhã de junho. O dia, sim, era o 20. Talvez daí a confusão. E casou em 1946. Mas nada disso tira a beleza e a alegria de sua ideia em falar- sobre boas passagens da vida dele. Muito obrigada.
Obrigado Miriam pela correção no erro da data mencionada.