Mário Leopoldo Pereira da Câmara

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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23/06/2025 às
08:26

(02/08/1933 – 27/10/1935)

Ao nomear Mário Leopoldo Pereira da Câmara interventor do Rio Grande do Norte, Getúlio Vargas lhe fez recomendações no sentido de prestigiar o grupo político liderado por José Augusto Bezerra de Medeiros. Tinha afinidades com o velho José Augusto, porque o seu pai, Augusto Leopoldo Raposo da Câmara, havia sido vice-governador na gestão de José Augusto.

Quando chegou ao Estado, Mário Câmara tomou a decisão de aliar-se a José Augusto. Quando da formação do Partido Popular, o interventor queria presidir o partido. José Augusto disse que iria ouvir os chefes políticos para depois dar uma definição. As bases consultadas disseram não à sua pretensão. Recusado pelo aliado, Mário Câmara afirmou ao ex-governador: “Não tem problema. Os senhores criam seu partido e eu vou cuidar do meu. Agora os senhores vão ver o interventor pelo avesso”.

E cumpriu a sentença. Começou, então, uma fase de violência política no Rio Grande do Norte com atos de arbitrariedade na capital e, principalmente, no interior do Estado, onde foram praticados vários assassinatos políticos, dentre outros, o do filho do ex-governador Juvenal Lamartine, o jovem engenheiro agrônomo Otávio Lamartine de Faria, em sua fazenda “Ingá” no município de Acari.

Violência

Se não tivesse descambado para a violência, o interventor Mário Câmara poderia ter sido eleito governador indireto, pela Assembleia

Eleição

Votaram em Rafael Fernandes para governador os deputados Ezequiel Bezerra, Felinto Elísio, Felismino Dantas, Glicério Cícero de Oliveira, Gonzaga Galvão, João Câmara, João Marcelino de Oliveira, José Varela, José Tavares, Júlio Régis, Maria do Céu Pereira Fernandes, João da Mata, Nominando Gomes e Pedro Matos.
Sufragaram o nome de Elvíro Carrilho os parlamentares Amâncio Leite, Abelardo Calafange, Benedito Saldanha, Cincinato Chaves, Djalma Marinho, Felipe Guerra, Gil Soares, José Lopes Varela, Maltez Fernandes, Raimundo Macêdo e Sandoval Wanderley.

Apesar de sua gestão conturbada, Mário Câmara era um homem público competente e com visão do futuro. Construiu dezenas de grupos escolares pelo interior do Estado; contratou e deixou um cofre os recursos necessários para os serviços de saneamento e água de Natal, além de verbas destinadas à construção do Grande Hotel. Construiu também o prédio da Segurança Pública, atual sede do Instituto Técnico e Científico de Polícia (ITEP), dentre outros.

Ao deixar o cargo, Mário Câmara foi nomeado por Getúlio Vargas delegado do Tesouro Nacional em Nova York, de onde retornou, após a morte de Vargas, para ser subchefe do gabinete civil e, depois, ministro da Fazenda do presidente Café Filho, tendo permanecido no cargo, no governo Nereu Ramos, até a posse de JK em 1956. Único ministro do governo deposto, justificou sua presença afirmando a um jornalista que o interpelou sobre o assunto: “meu filho, eu sou apenas um técnico”. Mário Câmara nasceu em Natal, em 03/09/1891, e faleceu no Rio de Janeiro, em 03/12/1967.

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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