Luiz Gonzaga e a Música Potiguar

Ana Tersuliano
|
13/03/2025 às
09:00

Luiz Gonzaga influenciou várias gerações de músicos no Brasil; são legiões de seguidores e fãs. Aqui no Rio Grande do Norte não é diferente; desde os anos 1940 que se encontra a presença do Rei do Baião na história da Música Potiguar.

Ao olhar o que tenho cadastrado no sistema da música sobre Gonzaga e os músicos do Estado, fiquei impressionada com a produção encontrada e resolvi transformar em um livro, em que abordo várias vertentes, sempre em ordem cronológica. Para se ter uma ideia da linha do tempo desta relação, temas como, por exemplo, quem são seus parceiros musicais, quem Gonzaga gravou e quais foram as homenagens prestadas a ele.

São seus parceiros musicais os potiguares Severino Ramos e Janduhy Finizola, em duas composições cada um. Gonzaga gravou vinte e quatro músicas de autores potiguares, sendo doze de Severino Ramos, oito de Janduhy Finizola, as outras quatro foram compostas por Henrique Brito, Chico Elion, Frei Marcelino e Celso da Silveira.

Luiz Gonzaga foi gravado no Rio Grande do Norte por cinquenta e três intérpretes entre bandas e solo, num total de duzentas e vinte e uma gravações.

São quatro livros: três biografias e uma plaquete sobre a sua ligação com o Rio grande do Norte; nove homenagens em Cordel, além de onze músicas em sua homenagem.

Luiz Gonzaga tinha uma forte relação com nosso Estado. Fez muitos shows pelo interior do Estado e em Natal; recebeu títulos de cidadão em várias cidades, como é registrado pelo pesquisador Kydelmir Dantas, em seu livro “Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte”.

O Rei do Baião fez grandes amizades, entre elas a do compositor Zépraxedi, que foi quem escreveu a primeira biografia em versos matutos sobre Luiz Gonzaga, sob o título “Luiz Gonzaga e outras poesias” (1952). Percebe-se que conhecia a sua vida e trajetória musical pela maneira tão descritiva com que aborda a sua vida no livro. Além de serem compadres, Gonzaga e Zé Dantas eram padrinhos de batismo de seu filho José Praxedes Junior. Roberto do Acordeon, que é seu fiel seguidor e divulgador do autêntico forró pé de serra, era amigo e o hospedou muitas vezes em sua casa. Roberto possuía uma casa de forró chamada O Sanfoneiro, onde Luiz Gonzaga fazia shows e, em maio de 1989, fez sua última apresentação no Rio Grande do Norte. O médico e compositor Janduhy Finizola, incentivado por Gonzaga, compôs a Missa do Vaqueiro, posteriormente gravada por Gonzagão. Severino Ramos foi o potiguar mais gravado pelo Rei do Baião, além de parceiro musical. Carlos André (Oséas Lopes) produziu cinco importantes discos de carreira do Rei do Baião, que ganhou disco de Ouro em quatro deles, e, além disso, era seu padrinho de casamento. Paulo Tito teve sua carreira impulsionada por Luiz Gonzaga, que o levou para o Rio de Janeiro, onde o hospedou por três meses. Ele ajudou muito a carreira musical de Paulo Tito, que foi brilhante e permaneceu durante vinte e seis anos no Rio e ainda gravou três músicas de Gonzagão.

Infelizmente, muitas obras e ou homenagens não chegaram às minhas mãos. Não tenho a programação dos Corais que foram regidos pelo Maestro Glênio Manso Maciel e que tiveram em suas apresentações músicas de Luiz Gonzaga. Seria muito importante fazer parte desta obra. Gostaria de mostrar, também, todos os programas com repertório das músicas de Luiz Gonzaga, das trinta e oito Bandas de Música, das nove Orquestras, das trinta Filarmónicas e dos quarenta e três Corais cadastrados no Instituto Acervo da Música Potiguar, além das inúmeras vezes em que bandas de forró, os tradicionais grupos de forró pé de serra, cantores e os sanfoneiros interpretaram o Cancioneiro da trilogia do forró: Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira.

Esta obra tem o intuito de preservar e divulgar o forte laço do Rei do Baião com a Música Potiguar dos anos de 1940 até a sua morte em dois de agosto de 1989.

Em todas as partes do país têm sido prestadas honras ao maior divulgador da cultura nordestina, o homem que nacionalizou o forró e deixou um patrimônio fabuloso. Conforme Lei Federal nº 11.176, de 6 de setembro de 2005, o forró passou a ter o dia treze de dezembro, data em que nasceu Luiz Gonzaga, como o Dia Nacional do Forró.

  • Com Informações Livro: Luiz Gonzaga e a Música Potiguar – Leide Câmara;
  • Fonte: Desenho Capa: Valdério Costa
  • Pesquisa e colaboração: Aladim Potiguar – Blog do Cobra.
  • Gostou deste conteúdo? Siga-nos no Instagram: @blogdocobra_

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *