José Georgino Alves Avelino

Ana Tersuliano
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01/07/2025 às
08:22

(15/08/1945 – 07/11/1945)

O fiel correligionário Lauro Arruda Câmara protestava aos brados, no “hall” do Grande Hotel, contra o senador Georgino Avelino. Do seu apartamento, o senador escutava o protesto do amigo. Desceu do elevador com uma bela gravata francesa nas mãos e, ao avistar Lauro, abre os braços e diz paternalmente: “Me dá um abraço, filho. Lembrei-me de ti, em Paris”. Lauro não resiste ao charme de Georgino, esquece o que tinha dito antes e abraça o amigo.

Assim era o senador José Georgino Alves Avelino, mais conhecido como Georgino Avelino. Embora tenha nascido em Angicos, foi educado no Rio de Janeiro, onde se tornou um jornalista brilhante. Filho do jornalista Pedro Avelino e sobrinho do revolucionário capitão José da Penha, Georgino era um homem de coragem e capaz de topar qualquer parada.

Jornalista

Mas, ao mesmo tempo, era elegante, fino, educado, fluente, sabendo cortejar as pessoas. Foi quem introduziu no Rio Grande do Norte a maneira educada de beijar as mulheres no rosto e nas mãos. A cabeça completamente calva lhe dava um charme especial.

Como jornalista político no Rio de Janeiro, no governo Arthur Bernardes, em 1926, tornou-se amigo do ministro da Justiça, João Luiz Alves, e, a pedido deste, foi incluído na chapa de deputado federal da Velha República, na eleição “a bico de pena”, apesar dos protestos do então governador José Augusto Bezerra de Medeiros, que não gostava de Georgino. Em nome do presidente, o ministro conseguiu sua indicação.

João Batista Machado

Organizador

Depois de constatar que o interventor, general Fernandes Dantas, não dispunha de condições para organizar um partido que disputasse, com sucesso as eleições, Getúlio Vargas optou pela nomeação de Georgino Avelino, que já possuía a fama de hábil negociador.

Vitorioso

Em 1945, precisamente no dia 15 de agosto, assumiu a interventoria no Rio Grande do Norte. Em apenas dois meses e meio que passou no governo, conseguiu implantar no Estado o Partido Social Democrático – PSD, que foi o grande vitorioso no pleito realizado para a Assembleia Nacional Constituinte. Elegeu senador o próprio Georgino e quatro deputados federais: Dioclécio Duarte, José Varela, monsenhor Walfredo e Mota Neto. Georgino, eleito senador, foi escolhido 1º secretário da nova Assembleia Nacional Constituinte.

Forjado no batistério das ruas e das urnas, surgia o político hábil que, tendo nascido nos sertões secos do Cabugi, tinha a sensibilidade dos políticos mineiros. Tempos depois, para chegar à interventoria, após perder o mandato de deputado com a revolução de 30, aliou-se aos generais Góis Monteiro, Álcio Souto e ao próprio Dutra, de quem se tornou amigo íntimo e de cuja esposa, dona Santinha, granjeou a simpatia.

Sabia ouvir e era excelente na conversa ao “pé do ouvido”. Levou o PSD à vitória em 1945, 1947 e 1950, quando se aliou a Dix-sept Rosado para derrotar a UDN, que preferiu a candidatura de Manuel Varela.

Em 30 dias apenas fundou o diretório do PSD em todos os municípios do Rio Grande do Norte. Uma missão, na época, quase impossível. O secretário-geral do Estado era Dioclécio Duarte, que também foi responsável pela proeza. Reelegeu-se senador em 1954. Georgino Avelino nasceu em Angicos, em 31/07/1888, e faleceu no Rio de Janeiro, em 02/04/1959.

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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