(15/03/1983 – 15/05/1986 – 15/03/1991 – 30/03/1994)
José Agripino Maia* foi o primeiro político do Rio Grande do Norte, após a redemocratização em 1946, a ter o privilégio de governar o Estado por duas vezes, vencendo o pleito de 1990, em dois turnos, o que pela primeira vez acontecia no País. Tentaram repetir o feito e não conseguiram os ex-governadores Dinarte Mariz e Aluízio Alves, os dois maiores líderes políticos do Rio Grande do Norte.
Na chamada República Velha, no começo do século, pelo voto “a bico de pena”, retornaram ao poder Ferreira Chaves, Alberto Maranhão e Antônio de Souza. O governador José Agripino** tem outro recorde na política norte-rio-grandense: foi também o primeiro a disputar seguidamente quatro pleitos majoritários sem perder nenhum, elegendo-se governador em 1982, senador da República em 1986, e novamente governador em 1990 e senador em 1994.
Escolha
O então governador Lavoisier Maia queria um filho do ex-governador Tarcísio Maia na sua equipe de governo. Conhecia bem a capacidade dos dois: o diplomata Oto Agripino Maia e o seu compadre, o engenheiro José Agripino. Oto rejeitou o convite em nome da sua carreira diplomática, na qual chegaria, tempos depois, a ser um dos mais moços embaixadores do Brasil. A opção foi por José Agripino. Lavoisier queria Oto para secretário de planejamento. A escolha ficou com José Agripino, nomeado prefeito de Natal.
Agripino deixou a direção de uma empresa privada no Maranhão, ligada ao grupo da Empresa Industrial Técnica – EIT, para atender ao convite do compadre e amigo. Na prefeitura, começou inovando e criando uma nova maneira de fazer política, visitando o povo nos bairros. Em vez de as lideranças visitarem o prefeito em seu gabinete para fazer suas reivindicações, ele é que se dirigia aos bairros para conversar com o povo, evitando os intermediários. A partir daí, nasceram as chamadas associações de bairros que congregam até hoje as lideranças comunitárias.
Social
Em pouco mais de três anos, deu um banho de asfalto na cidade, sem descuidar-se da periferia, onde implantou programas sociais do tipo hortas comunitárias, quadras-de-esporte e praças, tendo a preocupação de fazer sempre aquilo que o povo pedia. Nascia, à liderança do prefeito que passou a ser apelidado de “Galego do Alecrim”, pelas obras importantes realizadas naquele bairro popular de Natal. Implantou o trem urbano Natal/Parnamirim/Extremoz/Ceará-Mirim e transformou a favela do Japão no bairro “Novo Horizonte”, além de ter implantado o projeto de drenagem da Ribeira, evitando a sua falência total.
Em 1982, o PDS já tinha o candidato para enfrentar o mito Aluízio Alves. Abertas as urnas, aconteceu uma maioria jamais registrada na história política do Rio Grande do Norte, com 107 mil votos de maioria sobre o adversário, que antes nunca tinha perdido uma eleição. A vinculação do voto no interior e a penetração de Agripino no eleitorado de Natal foram fatais para o PMDB. Era o primeiro Maia a chegar ao governo pelo voto direto.
No governo, fez uma gestão elogiada até mesmo pelos adversários. Construiu 1200 quilômetros de asfalto uma Rio-Bahia dentro do RN- e mais de 1000 salas-de-aula; entrou no campo com o projeto “curral” para atender aos pecuaristas carentes; chegou à periferia das cidades com o projeto “crescer”, expandiu o turismo consolidando o pólo da Via Costeira, com a construção de vários hotéis, que se tornou ponto de referência turística do Rio Grande do Norte; construiu hospitais regionais; implementou a irrigação, a perfuração de poços, construção de açudes, pontes e obras d’arte.
Transição
Na fase de transição democrática em 1984, com a queda dos governos militares e o retorno dos civis ao poder, rompeu com seu partido, o PDS, para integrar-se à Frente Liberal, formada por dissidentes pedessistas e que elegeu Tancredo Neves presidente da República, contra o candidato do PDS, Paulo Maluf, representante, naquele momento, do continuísmo, sem nenhum compromisso com as novas aspirações democráticas reinantes no País.
Com a morte de Tancredo Neves e a posse do vice-presidente José Sarney, José Agripino não obteve o prestígio que teria com o presidente morto, mas, nessa época, que lhe restava o consolo de ter apoiado o melhor candidato. Os compromissos assumidos por Tancredo não foram cumpridos pelo então presidente José Sarney.
Em 1990, voltava a ser candidato ao governo do Estado. Enfrentava o parente Lavoisier Maia, este agora apoiado por seus tradicionais adversários. Ganhou no primeiro turno, mas não obteve maioria absoluta exigida pela nova legislação eleitoral. Foi para o segundo turno e ganhou a eleição. Aos que queriam comparar suas duas gestões, José Agripino afirmava que, no segundo mandato, os tempos eram outros, e a escassez de recursos, quase total: “Pela primeira vez no Rio Grande do Norte, estamos administrando e construindo obras com recursos próprios do Estado”.
Presidente do CCJ
Durante o seu segundo mandato, elegeu o turismo e a agricultura como metas prioritárias, explorando as vocações da terra, sem contudo descuidar-se da segurança, educação e saúde. Com a construção da “Rota do Sol”, na Zona Sul, e o asfaltamento dos acessos às praias da Zona Norte, pavimentou os caminhos do turismo no Rio Grande do Norte.
Bom palanqueiro, orador de massa, administrador competente, o senador José Agripino perdeu apenas a última eleição em 1998 para o governador reeleito Garibaldi Filho, quando tentou voltar ao governo do Estado pela terceira vez.
Atualmente o senador é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, uma das mais importantes daquela Casa, aonde chegou pela unanimidade dos seus pares. É também vice-presidente nacional do Partido da Frente Liberal e presidente reeleito do diretório regional do PFL no Estado.
- Vice-governador: no primeiro mandato (1983 a 1986), o empresário Radir Pereira de Araújo, em cujas ausências foi substituído pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Márcio Marinho; no segundo mandato (1991 a 1995), o ex-deputado Vivaldo Silvino da Costa.
** José Agripino Maia foi eleito governador do Estado pela primeira vez, em 1982, ainda durante o regime militar, pelo voto direto, após doze anos de escolhas indiretas, homologadas pela Assembleia Legislativa. O regime militar caminhava para transição democrática, cumprindo a orientação do ex-presidente Ernesto Geisel: distensão lenta, gradual e segura.
Com informações: imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente –e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra
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