Joaquim Ferreira Chaves Filho**,pernambucano, desembargador, foi o primeiro governador do Rio Grande do Norte eleito pelo povo através do voto em aberto, conhecido como “voto bico de pena”, graças ao qual as oligarquias dominantes se perpetuavam no poder. Ferreira Chaves obteve 10.342 votos, contra 705 do opositor Moreira Brandão.
Ferreira Chaves, logo ao chegar ao Rio Grande do Norte, ingressou na magistratura, tendo trabalhado em diversas comarcas do interior do Estado. Conheceu os Albuquerque Maranhão, principalmente Pedro Velho, a quem se ligou politicamente com extrema fidelidade, o que lhe rendeu dois mandatos de governador do Estado.
Por sugestão do amigo e protetor, Ferreira Chaves modificou a Constituição do Estado, reduzindo, de 35 para 25 anos, a idade mínima para o cidadão ser candidato ao governo do Estado. A medida sugerida por Pedro Velho caía como uma luva no figurino de Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão, irmão de Pedro Velho, que viria a ser sucessor de Ferreira Chaves. Este foi, ainda, ministro da Marinha e da Justiça no governo Epitácio Pessoa.
Perseguição
Autoritário, Ferreira Chaves detestava as críticas ao seu governo e perseguia os adversários. Na sua gestão, sob o pretexto de reformar a magistratura do Estado, aposentou cinco juízes e cinco desembargadores, que não rezavam em sua cartilha política. Perseguiu sem tréguas a justiça, a imprensa e a oposição. Seu lema era: “benefícios da lei para os governistas e os rigores da lei para os oposicionistas”.
O seu principal oposicionista era o jornalista Elias Souto, do “Diário de Natal”, crítico feroz dos seus atos administrativos. O governador Ferreira Chaves não lhe dava chance, perseguindo-o por toda parte e forçando-o a render-se, ao que Elias Souto rejeitava e reagia, de maneira violenta, com artigos contundentes e incisivos. Elias Souto, para livrar-se da prisão, requereu “habeas corpus” preventivo.
Coação
A atitude tomada pelo governador Ferreira Chaves contra membros do Judiciário obteve a pior repercussão no Rio Grande do Norte, até por sua condição de magistrado. Além dessa desfeita à Justiça, Chaves nomeou para os cargos vagos amigos e advogados inexperientes, mas que eram dóceis à sua vontade soberana; agia como um imperador e não admitia que suas decisões fossem contestadas. A opinião pública do Estado sabia, e a imprensa noticiou, que os magistrados aposentados foram vítimas de perseguição política.
Ferreira Chaves, no seu governo, quebrou o monopólio do sal no Rio Grande do Norte, pertencente à Companhia Comércio e Navegação, que, a pretexto de defender os salineiros através de um “sindicato”, transformou-se num monopólio lesivo aos interesses do Rio Grande do Norte. Chaves entrou na briga, ganhou a causa, e o Estado passaria a receber muito mais, eliminando assim o prejuízo que, há muitos anos, o erário vinha sofrendo.
Segundo se comentava na época, a Companhia Comércio e Navegação tinha obtido esse favorecimento porque ajudava as campanhas políticas do grupo governista. Deve ter sido essa a única vez que Ferreira Chaves contrariou os interesses do seu protetor. Ao terminar o seu primeiro mandato, elegeu-se senador através de uma jogada política. Pôs um candidato “laranja” ao Senado, Francisco Rocha Fagundes, conhecido como “Chico Gordo”. Meses depois, este renunciava ao mandato, como a oposição denunciara, e, logo depois, o ex-governador Ferreira Chaves era eleito para o Senado da República. Antes de concluir o governo, dotou Natal da iluminação de gás acetileno. Em seu segundo governo, dentre outras obras, como escolas, açudes e estradas, construiu a residência oficial, à qual deu o nome de “Vila Cincinato” em homenagem ao neto, Cincinato Galvão Ferreira Chaves.
Oligarquia
Durante seu segundo mandato, Ferreira Chaves voltou-se contra a oligarquia Albuquerque Maranhão. Era a criatura rebelando-se contra o criador. Desmantelou toda a estrutura familiar que lhe deu todo o apoio no início da sua carreira política. Não suportando o desprestígio do ex-amigo e correligionário, o ex-governador e ministro Tavares de Lira rompeu com ele. Escreveu uma “carta aberta” aos seus amigos e correligionários, na qual, depois de explicar o gesto do rompimento formal, recomendou-lhes que “não podendo combater e nem devendo apoiar, nosso caminho está, naturalmente, traçado – a abstenção”.
Juntamente com Alberto Maranhão, Tavares de Lira fundou o jornal “A Opinião”, para combater o governador. Mas, apesar da oposição sistemática e virulenta, Ferreira Chaves elegeu seu sucessor, Antônio de Sousa. Ferreira Chaves nasceu em Recife, em 15/10/1852, e faleceu no Rio de Janeiro, em 12/03/1937.
*Vice-governador, durante o primeiro mandato (1896 a 1900), Francisco Sales de Meira e Sá. No seu retorno ao poder (1914 a 1920), Ferreira Chaves escolheu como seu companheiro de chapa Henrique Castriciano de Sousa, irmão do jornalista e senador da República Eloy de Sousa e da poetisa Auta de Sousa.
** A primeira ponte metálica sobre o rio Potengi foi construída e inaugurada no governo Ferreira Chaves, no dia 20 de abril de 1916, durante seu segundo mandato. Na época, foi considerada uma obra marcante em toda a região Nordeste, destinando- se inicialmente ao escoamento da produção salineira e açucareira do interior do Estado para porto de Natal. Ferreira Chaves, e seu vice Henrique Castriciano, estavam a bordo do trem que foi puxado pela locomotiva catita nº 3, no momento da inauguração da ponte de ferro.
Com Informações e imagens livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889-2003) – João Batista Machado.
Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
Siga-nos no Instagran: @blogdocobra_

Uma resposta
Que História fantástica , isso eu não sabia .