(31/01/1951 – 12/07/1951)
Jerônimo Dix-sept Rosado Maia* foi a primeira frustração popular do Rio Grande do Norte, nos idos de 50, quando o destino atropelou a carreira de um homem público, que tinha sido eleito com a maioria esmagadora dos votos dos norte-rio-grandenses para governar o Estado por cinco anos. O acidente aéreo do rio do Sal, em Sergipe, a 12 de julho de 1951, enlutou o Rio Grande do Norte e não permitiu a materialização de uma esperança que, nascida do povo, governou o Estado por cinco meses apenas.
Dix-sept Rosado, como era conhecido, hoje é nome de cidade, bairro de Natal, de praça em Mossoró – sua terra – e nome de ruas em dezenas de municípios do Rio Grande do Norte. Alto, forte, óculos “ray-ban” marrom, quase sempre vestido de mescla, era um homem popular, sem ser populista.
Tinha o carisma de líder, vivia no meio do povo e conversava política 24 horas por dia. Tinha paciência de ouvir e ponderação ao falar. Nasceu para a vida pública, mas o destino ceifou uma das maiores lideranças do Estado no desastre aéreo de Sergipe.
Líder
O deputado Djalma Marinho, seu companheiro da UDN – União Democrática Nacional, foi quem melhor, na hora da dor, definiu a frustração do povo, naquele fatídico 12 de julho de 51: “Mossoró nos mandou um líder e nós lhe devolvemos um cadáver”. Prefeito de sua cidade, em 48, Dix-sept foi considerado, na época, o melhor prefeito do Brasil, ponto inicial da sua candidatura ao governo do Estado. Sua administração era vitrine para todos.
Simpático, popular e carismático, Dix-sept chegou ao governo do Estado aos 39 anos, com apoio do Partido Republicano (PR), de Arthur Bernardes, Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social Progressista (PSP) e Partido Social Democrático (PSD).
Marrom
O seu partido, a UDN, preferiu apoiar a Manuel Varela, indicado pelo governador José Varela. Mas Dix-sept Rosado ganhou disparado, obtendo uma maioria superior a 30 mil votos. Naquele tempo foi um fato incomum.
O dileto amigo, desembargador João Maria Furtado, conta no seu livro “Vertentes” (memórias) que sentiu um calafrio quando viu Dix-sept tomar posse trajando marrom. O desembargador dizia que esta cor dá azar e contou vários casos ocorridos em sua família. Coincidência ou não, Dix-sept, no desastre em que morreu, trajava a mesma roupa marrom, com a qual tomou posse.
Com ele sepultou-se, também, a esperança de milhares de norte-rio-grandenses, que tinham sufragado o seu nome. O governador recém-empossado fazia a sua segunda viagem ao Rio de Janeiro, em companhia dos secretários José Gonçalves, Felipe Pegado Cortez e José Borges de Oliveira, todos também vitimados no mesmo acidente.
Dix-sept Rosado, na sua curta vida política, fora prefeito de Mossoró e também governador do Rio Grande do Norte por apenas cinco meses. A julgar pelo que fez na sua cidade, teria sido um excelente governador, não somente por seu tirocínio administrativo, mas por ser, acima de tudo, um homem que vivia política todas as horas do dia. A frustração popular metamorfoseou-se em estátua, bairro, praça e rua, como se os seus conterrâneos quisessem perpetuá-lo no tempo, e, uma vez que não puderam fazê-lo em vida, fizeram-no pós-morte. Dix-sept Rosado nasceu em Mossoró, no dia 25/03/1911, e faleceu em Aracaju (SE), em 12/07/1951.
*Vice-governador: advogado Sylvio Piza Pedroza.
Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
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