(12/10/1930 – 28/01/1931)
O paraibano Irineu Joffily foi nomeado interventor federal do Rio Grande do Norte após a revolução de 30, como um “tertius” para pacificar as facções partidárias do Estado, divididas entre adeptos de Dinarte Mariz e de João Café Filho. Como os dois líderes maiores apoiaram a revolução, cada um tomou a iniciativa de indicar o interventor para mostrar prestígio junto aos correligionários.
Diante do impasse, o revolucionário José Américo de Almeida resolveu pacificar o Estado, indicando o advogado paraibano Irineu Joffily para evitar descontentamento entre as duas facções que disputavam a indicação. Irineu ficou apenas três meses no cargo, porque não suportou as pressões dos grupos políticos rivais.
Paraibanização
Sem conhecer a geografia política local, nem tampouco ter vivência com a sociedade potiguar, o interventor importou vários paraibanos para compor seu governo. O fato não foi bem recebido pela classe política do Rio Grande do Norte. Irineu Joffily, não suportando as pressões, renunciou ao cargo e retornou à sua terra, passando para a história como o homem que queria “paraibanizar” o Rio Grande do Norte.
A solução “Irineu Joffily” foi a fórmula encontrada pelos líderes revolucionários do Nordeste, Juarez Távora e José Américo de Almeida, para evitar uma cisão no bloco vitorioso, comandado por Café Filho e Dinarte Mariz.
Café pleiteava a interventoria, e Dinarte, apesar de não a cobiçar para si, era radicalmente contra a indicação. Os dois eram revolucionários, mas adversários intransigentes. A única solução se deu com a indicação de alguém distante das querelas provincianas, e foi assim que José Américo indicou o conterrâneo Irineu Joffily, sem ligação nenhuma com a política do Rio Grande do Norte.
Ríspido
Joffily era um homem sisudo e de atitudes ríspidas. Desgostoso com a decisão de um juiz, enviou um ofício desaforado à presidência do Tribunal de Justiça recriminando a atitude do magistrado. Os desembargadores acharam o ofício ofensivo à Justiça e o devolveram ao palácio, pedindo ao interventor que retificasse os termos considerados grosseiros e inoportunos. O interventor riscou as palavras “cordiais saudações” do original e enviou-o novamente ao Tribunal, criando um mal-estar enorme entre os dois Poderes.
Este episódio, dentre outros motivados pelo comportamento arrebatado do interventor, contribuiu para a queda de Irineu Joffilly, que, apesar da violenta e firme ética na defesa dos interesses maiores do Estado. Joffilly cultivava uma barba falha e foi apelidado por seus adversários de “barba rala”. Nasceu no distrito de Pocinhos, em Campina Grande, na Paraíba, em 14/09/1886.
Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
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