Juvenal Lamartine de Faria

Ana Tersuliano
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24/05/2025 às
11:58

(01/01/1928 – 05/10/1930)

Juvenal Lamartine de Faria governou o Rio Grande do Norte por dois anos e nove meses. Foi deposto pela revolução de 30. Apesar de amigo de Getúlio Vargas, apoiou a candidatura de Júlio Prestes e foi destituído após a vitória da revolução comandada por Vargas, que depôs todos os governadores eleitos na época, inclusive os revolucionários. Exilou-se na Europa, retornando ao Estado já no governo de Rafael Fernandes.

Filho de tradicional família seridoense, Juvenal Lamartine era juiz de Direito em Acari, até ingressar na vida pública, o que fez com sucesso. Foi deputado federal, vice-governador, senador da República e governador. Foi quem dotou o Estado de uma moderna infraestrutura, representada por estradas, pontes, escolas, campos de pouso no interior; criou o Aero Clube, a escola de pilotagem e o estádio de futebol que hoje tem o seu nome, no Tirol. Manteve na prefeitura de Natal o engenheiro Omar O’grady, que executou o plano de urbanização da capital, elaborado pelo arquiteto italiano Giácomo Palumbo.

Austero

Intelectual, o governador deu o maior apoio às letras e às artes. Mantinha estreitas relações com os escritores e jornalistas da época. Homem austero, não admitia contestação à autoridade constituída. Por isso, os adversários passaram a chamá-lo de truculento. Ele era um homem cioso de seus deveres e das suas obrigações. Acabou com o banditismo do Rio Grande do Norte, o que, naquele tempo, era o flagelo do sertão.

O cangaçeirismo, na época, era uma espécie de epidemia, dizimando vidas e aterrorizando famílias no interior do Estado, com a finalidade de saquear, roubar e matar, atendendo a caprichos políticos ou por vingança familiar. No governo de Juvenal Lamartine, os cangaceiros foram banidos do Rio Grande do Norte.

Em 1918, como deputado federal, participou da elaboração do Código Civil, tendo subsidiado o parecer de Clóvis Beviláqua, do qual resultou sua aprovação. Homem de cultura humanista, era também cultor do Direito, respeitado por seus pares no Congresso Nacional, tanto na Câmara como no Senado.

Fundador

Foi um dos fundadores da UDN em 1945, no Rio Grande do Norte, ao lado de José Augusto, Dinarte Mariz e outros. No acordo da UDN (União Democrática Nacional) com o PSP (Partido Social Progressista), foi candidato ao Senado, mas foi derrotado por João Câmara. Para o governo, elegeu-se José Varela, que disputara o pleito com Floriano Cavalcanti, em 1947.

O acordo com Café Filho (PSP) não foi bem visto por seus amigos e até familiares. Juvenal Lamartine disputou, então, seu último mandato na política do Rio Grande do Norte. Foi o primeiro acordo político entre adversários e até inimigos pessoais. Hoje é nome do estádio que construiu – o “Juvenal Lamartine” – e do Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação “José Augusto”, uma homenagem prestada pelo governador Aluízio Alves, amigo e admirador de Lamartine, um homem identificado com sua terra e seu povo.

Durante o seu curto período de governo, foi eleita em Lages a primeira prefeita da América Latina, Alzira Soriano, em 1928. Era o coroamento da luta de Lamartine pela emancipação feminina.

Juvenal Lamartine construiu 416 quilômetros de estradas e pontes, desbravando o sertão e interligando-o com a capital. Seguiu a política de valorização do algodão que herdou do seu antecessor, dando maior destaque à política de incentivos fiscais, como por exemplo a redução do imposto de exportação para o caroço, o farelo e o óleo, derivados do algodão.

Sua última atividade foi a presidência da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, que se transformou no refúgio do velho líder comprometido com a valorização da cultura do Rio Grande do Norte. Juvenal Lamartine nasceu em Serra Negra, em 09/08/1874, e faleceu em Natal, em 18/04/1956.

Com a revolução de 30, comandada pelo gaúcho Getúlio Vargas, depõe o presidente Washington Luís, estava encerrado o ciclo da Primeira República, também conhecida como “República Velha”, que vai de 1889 a 1930. O País conquistava o direito ao voto secreto, uma das maiores conquistas do movimento revolucionário.

Vice-governador: desembargador Joaquim Inácio de Carvalho Filho.

Bibliografia

O autor pesquisou a memória da Primeira República em três excelentes trabalhos, que muito contribuíram para o resgate da história política do Rio Grande do Norte:
“A República Velha no Rio Grande do Norte” (1889 a 1899)**, de autoria do professor e historiador Itamar de Sousa, publicado durante o centenário do ciclo republicano no Estado.

“Personalidades Históricas do Rio Grande Norte – Século XVI a XIX”, editado pela Fundação José Augusto e o Centro de Estudos e Pesquisas Juvenal Lamartine.

“Coleção Nosso Brasil – O Nosso Rio Grande do Norte”, de autoria do jornalista Murilo Melo Filho, membro da Academia Brasileira de Letras.

Na Primeira República, também conhecida como “República Velha”, voltaram ao poder, pela segunda vez, os governadores Ferreira Chaves, Alberto Maranhão e Antônio de Sousa.

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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Comentários

Respostas de 6

  1. Um dos grandes legados de Juvenal Lamartine foi, realmente no aspecto da segurança. Tal ação foi preponderante pra evitar que o cangaceirismo tivesse atuação no interior do RN.

  2. Durante as manobras que culminaram na Revolução de 1930, Café Filho, maior liderança da oposição ao governo de Juvenal inicia uma empreitada dr fuga na direção da Paraíba. O caminho tomado por Café Filho foi justamente através da região do Seridó. Contavam os mais velhos que, a maior dificuldade de Café Filho se deu no trecho entre Acari e Jardim do Seridó, onde Café Filho foi transportado por um grupo de aliados disfarçados de almocreves. O transporte se deu em um jumento arreado com “urus”. Diziam os mais antigos que o líder político que posteriormente se tornaria Presidente da República fez o trajeto dentro de um uru de batatas.

  3. Durante alguns dias Café Filho ficou escondido na zona rural de Jardim do Seridó, até conseguir adentrar a Paraíba através de Santa Luzia. Conheci um senhor conhecido por Antônio Melado que, no final da vida residiu em Jardim do Seridó. Esse senhor era aposentado federal. Pessoas próximas dele afirmavam que, o mesmo teria conseguido esse emprego federal na época em que Café Filho foi Presidente da República.

  4. Diziam os mais antigos que, durante sua estadia no município de Jardim do Seridó, Café Filho teria ficado na residência dos pais de Antônio Melado, na época criança. Quando Café Filho assumiu a presidência, Antônio viajou ao Rio de Janeiro, conduzindo uma carta escrita por seu pai. Chegando lá, Antônio foi recebido por Café Filho e, poucos dias depois teria assumido uma função na área alfandegária, onde atuou na capitania dos portos.

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