(31/07/1931 – 11/06/1932)
Capitão-tenente da Marinha, Hercolino Cascardo* permaneceu apenas dez meses no cargo. Recebeu como missão de Getúlio Vargas conviver e prestigiar o grupo político de José Augusto, que fora governador do Estado, antes de 1930, ao mesmo tempo em que Vargas era ministro da Fazenda. Além de nutrir admiração por José Augusto, o velho caudilho dos pampas não simpatizava com Café Filho.
O comandante Cascardo chefiava a Capitania dos Portos do Estado, quando foi nomeado pelo presidente do governo provisório, Getúlio Vargas, interventor federal no Rio Grande do Norte. Hercolino Cascardo apoiou ostensivamente o grupo político de José Augusto Bezerra de Medeiros, que estava no ostracismo após a revolução de 30.
Depois do afastamento da interventoria do Rio Grande do Norte, por decisão de Getúlio Vargas, o comandante Cascardo retornou ao Rio de Janeiro e filiou-se à Aliança Libertadora Nacional, tendo chegado à sua presidência oito dias após a filiação. Na sua gestão isentou o sal do imposto de exportação, criou o Serviço de Malária e reorganizou a Justiça no Estado.
Progressista
Apesar de ser um militar de idéias progressistas e liberais, Hercolino Cascardo foi contra a leitura do manifesto de Prestes, lido pelo jovem Carlos Lacerda, perante a assembléia geral da ALN. Condenou, também, a rebelião militar que mais tarde apoiaria a intentona comunista de 35, por discordar de sua ideologia totalitária.
Hercolino Cascardo participou ativamente de todos os movimentos e rebeliões militares na década de 1920, inclusive da revolução de 1930 e do movimento constitucionalista de São Paulo, em 1932. Era um militante político e atuante nas Forças Armadas, onde exercia uma liderança reconhecida por seus companheiros de farda. Foi preso várias vezes, defendendo suas idéias e objetivos políticos como homem de esquerda.
Alto, bem apessoado, o capitão-tenente Hercolino Cascardo, apesar da sua atribulada vida de revolucionário de tendência nitidamente esquerdista, chegou ao posto de almirante coroando sua brilhante carreira militar e comprovando sua liderança nos meios militares, mesmo tendo participado de todos os movimentos revolucionários da sua época. O comandante Cascardo sempre contestou o sistema político vigente no País. Nasceu no Rio de Janeiro, em 02/01/1900, onde morreu aos 67 anos.
A grafia do nome do interventor Hercolino Cascardo aparece escrita com “o” e com “u”. Segundo Luís da Câmara Cascudo e Gil Soares, Hercolino é grafado com “o”. Na foto oficial que se encontra no Palácio da Cultura, está escrito com “u”. No seu livro de memórias “O Salão dos Passos Perdidos”, o jurista Evandro Lins e Silva escreve o nome do interventor com “u”. O autor optou pela forma usada pelos historiadores norte-rio-grandenses
Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
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