Dezesseis municípios, ao Sul do Estado, formam a região do Seridó no Rio Grande do Norte. Com uma área de 9.386 km2, é oito vezes maior do que o Estado de Guanabara (1.171 km2) e uma população de 146.293 habitantes, apresenta o Seridó uma densidade de 15,6 habitantes/km2.
A topografia da região é ondulada, devendo a altitude média estar, pouco mais ou menos, na cota dos 250m. O solo é compacto, raso, erodido e pedregoso, dificultando o enraizamento das plantas. A vegetação-caatinga- é espinhenta, arbustiva, rala, dominando as cactáceas e outras formas xerófilas.
Os invernos são escassos e irregulares, detendo o posto de Currais Novos a menor média do Estado: 398.3 mm/anuais contra 1.450.2 da cidade do Natal.
O gentio que por ali vagava antes do colonizador requerer terras, dela tomar posse e situar a estaqueada dos currais, já caçava abelhas – verbo arremedado pelo homem primitivo nos matos dos quatro cantos do mundo.
Ao lado da caça, do peixe e dos frutos, o mel participava dos hábitos alimentares do nosso caboclo brabo”. Alimento e remédio também usado pelo branco. Mas, nem o índio nem o colonizador exploraram racionalmente a abelha. A fartura delas, naqueles tempos, é de se imaginar, não induzia o homem a se ocupar de cortiços. Limitavam-se, um e outro quando mais necessitados, a caçá-las ou quando muito, depois de colhido o mel, situarem a colônia em uma cabaça ou oco de pau e trazê-lo para as proximidades da morada.
E assim viveram e procederam por todo o ciclo do couro que se espichou até meados do século passado. O gado no Nordeste era e ainda é criado à solta na caatinga, cuja mescla de espécies forma as forrageiras nativas de que se alimentam. Assim, é de se presumir que por todo aqueles tempos o bicho-homem pouco tenha contribuído para a diminuição da fauna apícola local, de vez que a minguada agricultura existente devia ocupar pequenas nesgas de terra.
A valorização do algodão é que fez reclamar mais terras e mais braços. Daí as derrubadas e a coivara fazendo cinza da vegetação de maior porte das várzeas e chãs das serras onde a terra mais gorda fazia crescer a lavoura-dinheiro – o algodão mocó.
De lá para cá a raiz do algodão tomou conta das melhores terras agrícolas daquelas fazendas e hoje, já subindo pelo alto das caatingas, domina a paisagem.
Agora as raras essências de maior porte sobrevivem no enladeirado de algumas serras, e há municípios onde, dificilmente, se encontra um tronco que dê um mourão de porteira. Ameniza o cinzento dessa saarização galopante, o plantio de avelós como cerca-viva, a recente introdução da algaroba, as fruteiras e vazantes da açudagem pública e particular. O crescente uso dos derivados de petróleo e, mais recentemente, já outro dia, as torres de aço de Paulo Afonso trazendo energia elétrica, fazem poupar a lenha para as bocas dos fogões e das caldeiras…
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra.
Com Informações e imagem Livro: Sertões do Seridó – Oswaldo Lamartine de Faria
NOTAS PEDAGÓGICAS:
A Região do Seridó é uma área localizada no sertão do Nordeste brasileiro e é caracterizada pelo clima semiárido. Com uma rica herança cultural ligada à pecuária, ao cultivo do algodão e à mineração, a região oferece atrações turísticas que incluem paisagens naturais, inscrições rupestres, artesanato e uma culinária típica e distinta. No Rio Grande do Norte, ela é composta pelos seguintes municípios: Acari, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Florânia, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Ouro Branco, Parelhas, São Fernando, São João do Sabugi, São Vicente e Serra Negra do Norte.
Ricardo Tersuliano – Historiador e Poeta
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Uma resposta
Ricardo seu trabalho está perfeito, acrescente somente como foi a formação dos povos, etnias, enfim, se foram os Portugueses,os indígenas e escravos que deram início na formação do seridoense, especialmente do povo de Caicó, existe um mito que os holandeses fizeram parte da formação genética do povo Caicoense.