Esta quinta-feira (21) foi dia de discussão sobre o papel transformador da educação em uma sociedade. Ocorreu, em Natal, o V Encontro dos Representantes das Escolas do Legislativo, onde o papel as escolas legislativas na sociedade e no aperfeiçoamento do parlamento foi discutido por especialistas no tema. Ao longo dos debates, a Escola da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte foi citada como referência em ações que impactam diretamente na comunidade. Os desafios, porém, são vários.
Enquanto que pela manhã os temas principais debatidos foram a “Educação Legislativa e a Consciência Política”, os “Protagonistas do Amanhã” e a “Transformação Social, Inovação e Democracia” promovidas pelas escolas legislativas, no turno da tarde, o foco da discussão voltou-se à “Educação legislativa como instrumento de participação e desenvolvimento do RN”. No debate, autoridades no tema discorreram sobre os maiores desafios enfrentados, as estratégias que precisam ser traçadas e a dificuldade que há para a convergência no trabalho coletivo entre as gerações.
Comandando uma mesa-redonda, o presidente da Associação Brasileira das Escolas Legislativas (ABEL), Roberto Lamari, falou sobre os pilares que devem sustentar e nortear o trabalho das escolas legislativas: programas voltados à capacitação de servidores; educação e cidadania para sociedade; e programa de discussão de políticas públicas. Para ele, é importante que as escolas apoiem os parlamentares e promovam discussões sobre as necessidades do estado e dos municípios.
Como debatedores, participaram da mesa-redonda Nilo Bairros, diretor-executivo do ILB; Adriana Carla, PhD em Ciência da Informação; e Karine Symonir, mestre em Demografia e doutora em Educação pela UFRN. Em comum, os três admitiram o desafio que é a utilização de tecnologia por uma parcela da sociedade e a importância de desenvolver as competências digitais para a população de todas as idades através de políticas públicas. Nesse contexto, Adriana Carla disse que é importante que se busque colaborar para que as gerações que não nasceram na Era Digital desenvolvam essas habilidades, especialmente o uso de Inteligência Artificial.
“Precisamos observar as diferenças entre as gerações e a importância de se pensar de maneiras integrativas para todos. É imperativo que desenvolvamos políticas públicas para a convivência geracional, que tenhamos o incentivo ao pensamento crítico, analítico, criatividade, inteligência emocional”, disse em sua participação.
Por outro lado, a professora Karine Simony, que é estatística por formação, ressaltou a necessidade de que os dados disponíveis sobre as realidades de todas as regiões sejam utilizados para embasar ações em prol da sociedade e, inclusive, a atuação das escolas.
“Modernização municipal depende da capacidade de converter dados em políticas públicas efetivas. Os dados precisam ser geridos e refinados para gerar energia e resultados”, disse, acrescentando que é preciso que exista uma “colaboração geracional, e não conflitos”.
No mesmo contexto, o presidente da ABEL ressaltou que a cooperação entre as gerações para a troca de experiências é fundamental para o aperfeiçoamento das ações dentro do próprio Poder Legislativo. “Precisamos do letramento em IA, não só para a sociedade, mas para os próprios servidores. Os processos estão mudando. IA faz licitação, processo legislativo, entre outras coisas, e os servidores precisam do letramento”, justificou Roberto Lamari.
Ainda no debate, outro ponto tratado diz respeito à necessidade de se difundir o conhecimento também junto à sociedade. Para o diretor da Escola do Senado, Nilo Barros, a Escola da Assembleia do Rio Grande do Norte tem sido uma referência no país. Ele ficou o Integra RN como um programa que tem todas as diretrizes que deveriam constar nas demais escolas legislativas. No entendimento do diretor, é importante que se amplie o trabalho em rede e a cooperação entre as boas práticas.
“Esse foi uncontro muito proveitoso não somente pelas palestras, mas é importante para ampliarmos nosso trabalho em rede. O trabalho que a EALRN faz é exemplar. O Integra RN é um projeto apaixonante. É o que o Interlegis incentiva a se fazer, mas no Rio Grande do Norte se faz com uma seriedade e eficiência espantosas. Queremos que o Interlegis consiga colaborar e atender um público ainda maior e tenho o compromisso integral para ampliarmos esse programa”, garantiu. “A EALRN já traz boas práticas de políticas públicas. O Integra RN é um exemplo positivo, que leva à comunidade uma política pública de maneira constante”, complementou Adriana Carla.
Após a mesa-redonda, o diretor da Escola da Assembleia Legislativa, José Bezerra Marinho, fez palestra sobre a esperança, expondo a importância da perseverança e de “esperançar”. O gestor elogiou a postura do corpo técnico da EALRN e garantiu que o foco da instituição continuará sendo formar uma sociedade melhor.
“O presente é o futuro em preparação. Como o universo é infinito, o centro é onde está o observador. Por isso, devemos olhar para cada ser humano como sendo o centro do universo. Temos que levar isso para nossa vida e, acreditem, estaremos construindo uma sociedade melhor. A EALRN permanecerá aberta para dialogar com o diferente, o novo e com a sociedade”, disse Marinho.
Ainda no evento, foram divulgados os vencedores do 2º prêmio “Melhores Práticas em Educação Legislativa no RN”, nas categorias Inovação, Comunidade e Educação Legislativa.
Foto: Eduardo Maia
Gostou deste conteúdo? Siga-nos no Instagram: @blogdocobra_
