As previsões meteorológicas indicam que o fenômeno El Niño deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de atingir uma condição muito forte entre a primavera e o início do verão. O cenário é acompanhado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e por outros órgãos oficiais, devido aos possíveis impactos sobre o clima, os recursos hídricos e a agricultura brasileira.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele faz parte do sistema ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que também inclui a La Niña e a condição de neutralidade.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos costumam ocorrer de maneira diferente entre as regiões.
Quais podem ser os efeitos no Brasil?
Um dos principais impactos esperados é a alteração na distribuição das chuvas.
Nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño costuma estar associado à redução das precipitações e ao aumento da frequência de períodos de estiagem. Já na Região Sul, o fenômeno tende a favorecer volumes maiores de chuva, principalmente durante o inverno e a primavera.
Essa diferença pode provocar problemas distintos em cada parte do país: enquanto algumas áreas podem enfrentar maior déficit hídrico, outras podem lidar com excesso de chuva e eventos meteorológicos mais severos.
Agricultura entre os setores mais afetados
A agricultura está entre as atividades mais sensíveis às alterações provocadas pelo El Niño. A redução das chuvas no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e Sudeste pode aumentar a ocorrência de períodos de estiagem e comprometer a disponibilidade de água para as lavouras.
Culturas de sequeiro, que dependem diretamente das chuvas, ficam especialmente vulneráveis. A ocorrência de períodos secos durante fases importantes do desenvolvimento de culturas como soja e milho também pode aumentar o risco de perdas.
No Sul, o problema pode ser diferente. O excesso de umidade pode dificultar o manejo das lavouras, favorecer doenças fúngicas, prejudicar a qualidade dos grãos e atrapalhar o trânsito de máquinas no campo.
Monitoramento deve continuar
Segundo o INMET, a intensidade e a distribuição dos impactos dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas. Por isso, o órgão e instituições parceiras recomendam o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, hidrológicas e dos alertas oficiais.
O cenário também ganhou atenção devido às projeções mais recentes. Em agosto, o INMET informou que uma previsão da NOAA apontava probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos trimestres seguintes.
Dessa forma, o segundo semestre de 2026 e o início do verão deverão ser períodos de atenção para a evolução do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre o clima brasileiro.
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com informações do INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM.
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