Francisca Nolasco Fernandes, mais conhecida como Chicuta Nolasco, nasceu na cidade de Caicó, no estado do Rio Grande do Norte, em 15 de dezembro de 1910. Foi uma figura de grande relevância na educação e na cultura do estado potiguar. Atuou como professora, diretora da Escola Normal de Natal — uma instituição tradicional e importante na formação de professores no Rio Grande do Norte — e também se destacou como escritora.
A vida profissional da escritora e professora Chicuta Nolasco está intimamente ligada à Escola Doméstica de Natal, onde fez o curso secundário em 1929 e onde, após um breve período de magistério na Escola Técnico-Profissional do Recife, ensinaria, a partir de 1931, ininterruptamente até meados da década de 60, as disciplinas “História do Brasil”, “Corte e Costura”, “Dietética”, “Formação Moral e Social”, “Estudos Sociais” e “Português”.
Essa atividade se estenderia ainda aos colégios Escola Normal e Ginásio São Luís, em Natal. Ainda na área do magistério, foi diretora da Escola Normal de Natal, do Instituto de Educação Presidente Kennedy, e membro da comissão responsável pelo Regimento do Ensino Primário em 1964.
Participou ainda de outras comissões educativas de escolas norte-rio-grandenses. Assinou, entre 1948 e 1956, a coluna “Sociais”, do jornal “A República”, e colaborou nos jornais “A Ordem”, “O Lar” e “Diário de Natal”.
A oratória foi outro campo em que se distinguiu a escritora Chicuta Nolasco. Temas femininos, como os papéis de mãe e professora, o lugar da mulher na sociedade, fez exortações às alunas da Escola Doméstica, foram frequentes em seus vários discursos, muitos deles transmitidos através do rádio. Foi casada com o professor Túlio Fernandes.
Ao longo de sua trajetória, Chicuta Nolasco contribuiu significativamente para o desenvolvimento da educação no RN, sendo lembrada por sua dedicação ao ensino e pela defesa da formação docente de qualidade. Sua produção literária e atuação intelectual também marcaram a cultura potiguar, com presença em eventos acadêmicos, culturais e na imprensa local.
A professora Chicuta Nolasco, grande referência da educação potiguar, faleceu em Natal, no dia 10 de junho de 1995, aos 84 anos. Sua partida deixou muita saudade entre alunos, colegas e toda a comunidade educacional do Rio Grande do Norte, onde construiu uma carreira marcada pela dedicação, pelo compromisso com o ensino e pela valorização da formação de professores.
Ao longo de sua vida, Chicuta não apenas educou, mas também inspirou gerações, contribuindo para o fortalecimento das instituições de ensino e da cultura local. Teve papel fundamental na formação de docentes que seguiram sua trajetória influenciados por seu exemplo.
Seu legado permanece vivo nas salas de aula, na memória dos que com ela conviveram e nas páginas da história da educação do nosso estado.
OBRAS: Publicou o livro Menina Feia e Amarelinha. // Escreveu ainda peças teatrais, fantasias musicais como As Três Graças – 1935. /// Nosso Brasil – 1942. /// e deixou contos infantis, inéditos. /// Em parceria com Marlene da Silva Mariz fez a pesquisa Juvenal Lamartine, um Estadista Sertanejo, inédito.
Ainda sobre Chicuta Nolasco vejam o que escreveu a escritora Lúcia Helena Pereira:
CHICUTA NOLASCO FERNANDES – UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO
“Tive o privilégio e a riqueza de conhecer a professora Chicuta Nolasco Fernandes, em épocas bem recuadas, “a priori”, quando frequentava, juntamente com Clarice Palma e outras poetisas, o velho e aconchegante terraço da casa da Sinhá-Moça do Oiteiro, Maria Madalena Antunes Pereira. Havia uma agenda para esses fervorosos encontros mesclados de muita alegria, música e declamação de poemas de autores diversos. Geralmente elas se reuniam das 15 às 18 horas, quando, ao final, cada uma seguia para sua casa e seus familiares. Dona Chicuta sempre trazia material para declamar e logo abria poemas de seus autores prediletos, entre eles, Graciliano Ramos. A tertúlia daquelas tardes amenas, era a própria poesia. Com a morte de minha avó, esses momentos desapareceram e vim reencontrar dona Chicuta, como diretora do Instituto Presidente Kennedy. Havia, naquela mulher múltipla, vários sinônimos de alegria, inteligência, generosidade, distribuídos de forma espontânea e singela, sobretudo quando passava pelas alunas, diminuía o passo, sorria e dizia: “Boa aula, meninas, o saber é a única coisa que poderá nos favorecer, boa aula, boa aula”… Fui uma aluna destacada nos dois anos do curso pedagógico do referido Colégio (após cursar o primeiro ano no CIC) e, sempre vi aquela mulher admiravelmente ágil, transbordando uma vitalidade que nunca soube de onde vinha. Ao final do Curso, quando ela me entregou o diploma, abraçou-me e disse: “neta de peixe, peixinho é…já pensou se Madalena visse a neta se sobressaindo”? Eis a imagem que guardo da boa senhora. Inteligente, perspicaz, boa leitora dos grandes autores brasileiros e estrangeiros, amava a música, aqui e ali ela passava no grande corredor assobiando algo. Gostava de escrever, mas não mostrava os seus escritos. E eu me pergunto: onde estarão os versos e mensagens do pássaro que foi voar no céu?” por Erica Nesi.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br
Livro: 400 Nomes de Natal
Matéria Redação Tribuna do Norte: Kennedy: Quase um século de trajetória
Notas Pedagógicas:
O Legado deixado pela professora Chicuta Nolasco foi transmitido por sementes em forma de bastão a inúmeros alunos e alunas nas várias e renomadas entidades de ensino que lecionou, palestrou com excelência, a exemplo disto o Instituto Kenedy localizado na Avenida Jaquarari nº 2100 no bairro de Lagoa Nova, Natal/RN.
A trajetória do Instituto Kennedy, iniciada ainda no início do século passado, com a Escola Normal de Natal, entidade que há várias décadas vinha educando várias gerações. Pioneira na formação docente do Rio Grande do Norte, a Escola Normal de Natal incorporou o símbolo de uma nova época. Com a Reforma Capanema, ocorrida entre 1935 e 1937, as Escolas Normais espalhadas pelo Brasil recebem atenção maior do governo federal, contribuindo, em certa medida, para a diminuição das taxas de analfabetismo.
No início dos anos 60 o governador eleito Aluízio Alves e o vereador Felinto Rodrigues viajaram ao Estados Unidos em busca de recursos para educação. Após esta viagem foi firmado um convênio com a Sudene, MEC e Usaid (United States Agency For International Development), e obtendo financiamento da Aliança para o Progresso (programa criado pelo governo norte-americano para conter os movimentos reformistas e o sentimento antiimperialista no continente. Desta forma em 28 de janeiro de 1960, a Escola Normal de Natal torna-se Instituto de Educação, passando a funcionar num prédio situado à praça Pedro Velho. Sendo construído posteriormente o prédio atual do instituto, situado à rua Jaguarari, 2100, no bairro de Lagoa Nova, projeto que teve a frente o renomado arquiteto João Mauricio Fernandes de Miranda e cuja inauguração ocorreu em 22 de novembro de 1965. A partir desta data passa a ser denominado Instituto de Educação Presidente Kennedy.
Durante a inauguração do Instituto Presidente Kennedy, em 1964, o senador norte-americano Robert Kennedy, irmão do estadista que emprestou seu nome para denominar a instituição que nascia sob o auspício do então governador Aluízio Alves, fez um discurso em que exortou a sociedade a lutar por ensino para seus filhos e filhos de seus filhos.
Numa forma de gratidão o vereador Felinto Rodrigues que acompanhou o governador Aluízio Alves em uma viagem a Washington DC, nos Estados Unidos, onde estiveram na Casa Branca, com o presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kenedy e um senador do Capitólio, o objetivo da viagem foi pedir a ajuda do presidente John Kennedy para a educação estadual. Além de liberar os dólares, Kennedy e sua esposa Jacqueline marcaram visita à nossa cidade, em dezembro de 1963. Segundo o jornalista Sebastião Nery, “destacamento precursor” da presidência dos Estados Unidos veio a Natal preparar a visita oficial. A viagem morreu, no dia 22 de novembro de 1963, quando Kennedy foi assassinado com um tiro em sua cabeça. Dois anos depois, em 1965, outra prova de arrojo e determinação partiu do então vereador natalense Felinto Rodrigues Neto, que, por iniciativa pessoal, em gratidão ao gesto solidário de Kennedy, colocou o busto do Presidente americano, na praça que recebeu o seu nome, no centro da cidade, em solenidade no dia 1° de maio, na presença do poderoso Embaixador americano Lincoln Gordon. Antes, Felinto deslocou-se à Washington DC e convidou no Capitólio, o senador Ted Kennedy para que representasse a família na homenagem. Impossibilitado, o senador garantiu que o seu irmão Robert Kennedy incluiria Natal, na visita que faria ao Brasil. Cumpriu-se a promessa e em 22 de novembro de 1965, Bob Kennedy aqui chegou, em companhia da esposa Ethell e colocou coroa de flores no busto do irmão na Praça Kennedy.
Com o ciclo de reformas da educação brasileira, cujo marco principal é a lei 5.692/71, de 1971, que fixa diretrizes e bases para o ensino de 1° e 2° graus, o Instituto de Educação Presidente Kennedy é transformado na Escola Estadual Presidente Kennedy, oferecendo cursos de primeiro e segundo graus e convertendo o curso normal em habilidade profissional de 2° grau: o curso de Magistério.
Renovando-se para melhor atender à educação pública do Rio Grande do Norte, em 03 de fevereiro de 1994 a Escola Estadual Presidente Kennedy transforma-se no Instituto de Formação de Professores Presidente Kennedy (IFP), ministrando em nível superior o curso de formação para professores de 1a a 4a séries. Em 04 de janeiro de 2001, o IFP passa à condição de autarquia com o nome de Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (Ifesp) – Centro de Formação de Profissionais de Educação, formalizando o Curso Normal Superior, com autonomia acadêmica.
O livro 400 Nomes de Natal foi uma edição lançada pela Prefeitura Municipal do Natal durante a administração da prefeita Wilma Maria de Faria, que, à época, tinha como secretário de Turismo Fernando Fernandes. A obra teve coordenação editorial de Rejane Cardoso e contou com pesquisa, redação final e revisão de Deífilo Gurgel, Jardelino Lucena, Manoel Onofre Jr., Nelson Patriota e Rejane Cardoso.
No aspecto iconográfico, foram utilizadas fotos cedidas por familiares, amigos, pelos jornais Diário de Natal e Tribuna do Norte, além de reproduções de publicações antigas.
O projeto contou com o apoio do SEBRAE/RN e do Governo do Estado do Rio Grande do Norte. A capa e o projeto gráfico foram desenvolvidos pela empresa Mariz Comunicação Integrada. A digitação foi realizada por Socorro Câmara, e as assistentes de arte foram Célia Regina B. de Souza e Fernanda Gurgel.
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