Bertino Dutra da Silva

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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17/06/2025 às
08:55

(11/06/1932 – 02/08/1933)

O comandante Bertino Dutra* passou pouco tempo na interventoria. Com o resultado da eleição à Assembléia Constituinte de 1933, para elaborar a Constituição de 1934, foi destituído do cargo. Era, a exemplo de Hercolino Cascardo, capitão-tenente da Marinha. No governo do presidente Café Filho, foi um dos subchefes do gabinete militar. Encerrou sua carreira como almirante.

Antes de ser nomeado interventor do Rio Grande do Norte, Bertino Dutra comandava a Escola de Aprendizes de Marinheiros. O mandato durou pouco mais de um ano. Durante sua permanência na interventoria, aliou-se a Café Filho por sugestão de Getúlio. Criou o Instituto de Música, Cais de Atracação das Docas e os Departamentos de Agricultura e Viação e Obras Públicas.

Vargas simpatizava com José Augusto, mas apoiou Café, que tempos depois, em 1950, seria seu companheiro de chapa, na disputa presidencial daquele ano. Como chefe de polícia do interventor Bertino Dutra, Café Filho efetuou várias prisões de adversários acusados de simpatizantes do movimento constitucionalista de São Paulo, em 1932, além de ter censurado e empastelado o jornal “A Tarde”.

Cafeísta

Ao contrário de Hercolino Cascardo, Bertino Dutra fez o jogo dos inimigos e adversários políticos de José Augusto. Chegando ao poder em 1954, o presidente Café Filho o convocou para uma das subchefias do gabinete militar, agradecendo o gesto de Bertino, que o tinha nomeado chefe de polícia no Rio Grande do Norte durante sua interventoria.

A atitude do presidente Café Filho, lotando-o no gabinete militar, logo após sua posse, credenciou-o a chegar mais tarde ao almirantado, um velho sonho do comandante Bertino Dutra, ao ingressar na Marinha. Sua aproximação com Café Filho, durante sua permanência no Rio Grande do Norte, foi fundamental para o coroamento de sua carreira militar trilhada com sucesso. Nasceu na Bahia, em 23/09/1896.

“A Tarde” fazia oposição ao interventor Bertino Dutra e por isso foi censurado e empastelado (inutilizado) no dia 05/07/1932. A iniciativa teria partido do chefe de polícia, Café Filho com o objetivo de silenciar revolucionários dissidentes liderados por Omar Lopes Cardoso, Rodolfo Maranhão e Pedro Moura de Vasconcelos, respectivamente, diretor e redatores do Jornal.

O episódio mereceu reprovação dos grandes jornais do país e protesto da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Omar Lopes Cardoso, por ter denunciado à imprensa nacional, foi demitido do cargo de fiscal de ensino, num gesto de retaliação do interventor.

O autor pesquisou o fato no “Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte (1909–1987)” e no acervo de recortes e jornais da época pertencente aos familiares de Pedro Moura de Vasconcelos.

João Batista Machado
p. 107–108, “Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889–2003)”

Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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