Augusto Tavares de Lira

Ana Tersuliano
|
25/04/2025 às
08:59

(25/03/1904-05/11/1906)

Augusto Tavares de Lira*, genro de Pedro Velho, advogado, 32 anos, também foi beneficiado pela reforma constitucional de Ferreira Chaves, a qual reduziu, de 35 para 25 anos, a idade para se chegar ao governo do Estado. Governou o Estado com “mão de ferro” durante os dois anos em que esteve no exercício do poder. Sufocou a oposição, empastelou jornais e mandou espancar adversários políticos.

No governo Tavares de Lira foi criado o Banco de Natal, e o seu primeiro presidente foi o coronel Olympio Tavares, primo do governador. Deste banco, as famílias Albuquerque Maranhão e Tavares de Lira detinham 37% das ações. Entre os 113 acionistas, 22 pertenciam a ambas. Era praticamente um banco familiar, cujas ações dividiam-se entre amigos.

Convite

Ao visitar o Rio Grande do Norte, em 1906, o presidente da República Afonso Pena, que fazia uma viagem pelo Nordeste, gostou de Tavares de Lira e o convidou para ser ministro da Justiça e Negócios Interiores. Por insistência de Pedro Velho, ele aceitou o cargo e renunciou ao mandato de governador do Rio Grande do Norte. A exemplo do que praticara no governo, levou para o Ministério vários parentes.

Tavares de Lira foi ainda deputado federal (antes de chegar ao governo), governador do Estado por dois anos, ministro da Justiça, senador da República, por duas vezes ministro interino da Fazenda, ministro interino da Fazenda, ministro da Viação e Obras, ministro do Tribunal de Contas da União, tendo chegado à sua presidència.

Graças a sua atuação nos governos Afonso Pena e Wenceslau Bráz, tornou-se um nome de prestigio nacional, não somente pelo saber juridico, mas pela competência de administrador nos altos escalões da República. Intelectual, historiador, jurista e professor, Tavares de Lira faz parte da história do Rio Grande do Norte como um dos seus filhos mais ilustres.

Historiador

É autor de um clássico chamado “História do Rio Grande do Norte”, edição esgotada, mas reeditada agora pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, sob a presidência do advogado Enélio Lima Petrovich, que fez o prefacio. Tavares de Lira é autor de mais de 70 obras publicadas entre plaquetes, folhetos e livros, o que atesta seu vigor intelectual.

O historiador Rocha Pombo, ao escrever-lhe uma carta agradecendo o livro “História do Rio Grande do Norte”, afirmou em certo trecho: “Minhas respeitosas saudações, volto hoje a renovar meus agradecimentos pelo magnifico brinde que se dignou a fazer-me, do exemplar de seu novo livro “História do Rio Grande do Norte”. Acabo de não apenas ler, mas de estudar as excelentes e magistrais lições que V. Excelência, neste esplèndido volume, reuniu”.

Jurista

Além de político e historiador, Tavares de Lira foi um notável jurista, com trabalhos publicados nas principais revistas especializadas em Direito. Seus pareceres eram acatados e respeitados por sua cultura jurídica. Quando o presidente Afonso Pena passou por Natal e convidou-o para o cargo de ministro da Justiça, já trazia informações favoráveis sobre o jovem advogado, que, aos 32 anos de idade, já se tornara governador. Com sua renúncia terminou o primeiro ciclo oligárquico na política do Rio Grande do Norte.

Foi o fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, dotando-o de sede própria no seu governo, que durou apenas dois anos. Constam ainda, como realizações suas, a praça Augusto Severo e a sede do Poder Legislativo, atual sede da OAB/RN, na Ribeira. Tavares de Lira desfrutava de prestigio nacional, tendo sido amigo de Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Miguel Calmon, Barão do Rio Branco e de Rui Barbosa. A este último assessorou, juridicamente, com muita competência, durante os litígios fronteiriços do Rio Grande do Norte com o Ceará. Tavares de Lira nasceu em Macaíba, em 25/12/1872, e faleceu no Rio de Janeiro, em 02/12/1958.

Vice-governador: Juvenal Lamartine de Faria, que renunciou ao mandato por ter sido eleito deputado federal..

Com informações e imagem livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889-2003) – João Batista Machado.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra

Gostou desse conteúdo? Siga-nos no Instagram@blogdocobra_

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *