Ascensão do Algodão e Declínio do seu Preço

Ana Tersuliano
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11/03/2025 às
09:00

A partir de 1865 em diante, passa a lavoura da cana a ser superada pela do algodão, e não tardou que fosse por outros produtos, como o sal e o gado. Os senhores de engenhos se desestimularam e muitos deles abandonaram a cana pelo algodão. Ações foram tomadas depois para evitar a decadência de tão importante produto agrícola, criando-se engenhos centrais, visando estimular os pequenos lavradores e oferecendo-lhes vantagens mais compensativas do que anteriormente. Contudo as ações nesse sentido quase sempre paravam nas concessões de favores. E tal recurso não obteve êxito. O próprio governo imperial tentou impedir o desequilíbrio da agro-indústria. Esse desequilíbrio fora atribuído, não à preferência que se dava a outras culturas, mas à insuficiência, tanto dos grandes engenhos como dos processos de fabricação. A agro-indústria do açúcar havia de declinar sem solução imediata. Devendo-se dizer “que ali se deu isso muito naturalmente, e sem abalo nem prejuízo da economia geral, pelo menos no momento”.

Na verdade, o que houve também a substituição de uma cultura por outra. A cultura do algodão foi sempre aquela preferida dos lavradores, por estar sempre accessível à maioria dos pequenos agricultores. Há notícias de que nos tempos da colônia, os senhores de engenho chegaram a adotar medidas iniquas para forçar os colonos a plantar cana em vez de algodão. Mesmo assim, com essa concorrência que lhe fez a cana até certa época, o algodão tomou logo rápido impulso. Em 1848, já o porto de Natal embarcava quase 6.000 arrobas de algodão em pluma, num semestre. Em 1851, só pelo porto de Natal, foram despachadas 13.528 arrobas desse produto. Contudo, é a partir de 1860, que começa a crescer a produção. Em 1866, já subia a safra para 140.000 arrobas. É passou, desde então, a ser uma cultura de área bastante grande e de maior importância econômica da Província. A Guerra da Secessão nos Estados Unidos da América, 1862/65, impediu sua exportação de algodão para a Inglaterra, e o Rio Grande do Norte passou a vender o produto à Inglaterra, o que impulsionou sua maior produção.

Ao lado dessas duas culturas principais, o Rio Grande do Norte contava com outros produtos, como o sal, gado bovino, madeiras etc.

Em fevereiro de 1868, segundo Câmara Cascudo, o Presidente Gustavo Adolfo de Sá, verificando o orçamento de 1865-66, afirmava que a receita havia obtido um susperavit de 116:825$494. E alertava: “Cumpre notar-se que esse considerável crescimento da renda não proveio de causa alguma permanente e duradora, mas só do elevado preço do algodão, o qual incitou os agricultores a plantá-lo em maior quantidade”.

A guerra da Secessão acabara em 1965 e esse cessar fogo traria seus reflexos negativos para a economia do Rio Grande do Norte. Sua receita de 1865/66, que fora de 269.192$429, declinava, rapidamente, no exercício seguinte 1866/67, para 186:888$755.

Segundo Cascudo, o presidente Henrique Pereira de Lucena, no relatório de outubro de 1872, apresentando o déficit de 142:640$161, indica como causa pelo declínio a “baixa sensível que sofreu no mercado o preço dos nossos gêneros de exportação, e especialmente do algodão, O mais importante deles” e a liquidação da Casa Comercial de Fabrício & Companhia, em Guarapes, acarretando o desvio dos vendedores de algodão que procuravam o porto de Guarapes, para Mamanguape na Paraíba, onde o produto não geraria receita para os cofres da Província.

Como foi visto, com o agravamento da situação econômica, a Província, pela primeira vez, utilizou seu crédito, fazendo um empréstimo, no Banco do Brasil, de 100.000$ em dezembro de 1871, e depois de dois anos, mais outro de 60.000, no mesmo Banco, em dezembro de 1873. Após três anos, um terceiro empréstimo foi discutido em 1876, mas não fora concretizado, segundo Câmara Cascudo.

Em 4 de fevereiro de 1877, a Presidência oficializava um contrato com o Sr. Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão, para a instalação de uma fábrica de tecidos, que só passava funcionar depois de onze anos. Era mais uma medida do governo para melhorar a situação da lavoura algodoeira.

Em 1877-79, depois da seca, com o recuo da pecuária, houve o movimento de proteção à agricultura, apesar do declínio da malvácea.

Apesar da retração do seu preço, esse produto continuava mantendo-se e espalhando-se pelas terras do interior, onde antes a pecuária predominava. Era uma lavoura que dependia muito dos pequenos produtores (meeiros na maioria), sendo sua produção exportada para Paraíba, Ceará e Pernambuco. No Seridó, foi selecionada a variedade “mocó” de fibras longas de grande aceitação no mercado mundial, o que representava um trunfo para

a Província.

  • Com informações, texto e imagens do livro Evolução Econômica do Rio Grande do Norte – Do Século XVI ao Século XX, de Paulo Pereira dos Santos.
  • Pesquisa e colaboração: Aladim Potiguar – Blog do Cobra.
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