Antônio José de Melo e Souza

Ana Tersuliano
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17/05/2025 às
09:06

(23/02//1907-25/03/1908-01/01/1920 – 01/01/1924)

O jornalista e advogado Antônio de Souza*, como era conhecido, governou o Rio Grande do Norte por duas vezes. A primeira em substituição a Tavares de Lira (1906 a 1908), que renunciou ao mandato com apenas dois anos no poder, para ser ministro de Estado no governo Afonso Pena. Na segunda vez, cumpriu integralmente o mandato para o qual foi eleito (1920 a 1924).

Antônio de Souza era um intelectual respeitado pela sua cultura humanista. Formou-se em Direito, em Recife, e foi promotor em Goianinha, tendo sido depois procurador da República. Nas interventorias de Herculino Cascardo e de Mário Câmara, durante o governo provisório, ocupou os cargos de secretário geral do Estado. Começou na política como deputado estadual, tendo sido também senador da República por duas vezes. Era natural de Papary, hoje Nísia Floresta, na região Agreste.

Intelectual

Apesar dos seus afazeres profissionais, Antônio de Souza exercia ainda atividades intelectuais, publicando artigos, contos e crônicas na imprensa local, sob o pseudônimo de Polycarpo Feitosa, além de ter publicado outras obras literárias. Na República Velha, foi o terceiro governador do Rio Grande do Norte a voltar ao poder, a exemplo de Ferreira Chaves e Alberto Maranhão.

O governador Antônio de Souza, como Ferreira Chaves, também era ligadíssimo aos Albuquerque Maranhão. No seu governo, precisamente em 1907, foi promulgada uma nova Constituição para o Rio Grande do Norte, a qual ampliou o mandato de governador de quatro para seis anos. Dizem os historiadores que essa iniciativa tinha a finalidade de beneficiar Alberto Maranhão, que viria a sucedê-lo no governo do Estado, após seu primeiro mandato.

Cultura

Como homem ligado à cultura, Antônio de Souza deu ênfase à construção de escolas pelo interior do Estado. Criou a Escola Normal de Mossoró e as diretorias gerais de Agricultura e Viação e Obras. Foi o primeiro governador do Rio Grande do Norte a se preocupar com os assuntos agrícolas e agrários do Estado. Durante seu governo, incentivava os movimentos literários promovendo as atividades intelectuais, de onde surgiam novos talentos. É autor dos romances de costumes “Gizinha” e “Flor do Sertão”. Foi ainda sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Solteiro convicto, Antônio de Souza morava na residência oficial em companhia de familiares. Homem de hábitos simples e austero, não permitia perseguições a professores ou outros funcionários públicos por motivos políticos. Durante seu governo, um grupo de escoteiros do Rio Grande do Norte foi a pé até São Paulo, e o feito ficou conhecido como “escoteiros andantes”; também foi construída a praça Sete de Setembro, em frente ao palácio do governo, inaugurada durante o centenário da Independência do Brasil, em 1922.

Numa das suas últimas mensagens à Assembléia Legislativa, o governador Antônio de Souza afirmava que “nunca um magistrado recebera pedidos da administração estadual nem mesmo quando os interesses do Estado se debatiam; nunca um professor foi nomeado ou demitido por perseguição ou solicitação de políticos; nunca o servidor público esteve ameaçado por conveniências ou influências dessa espécie”. Antônio de Souza transmitiu o cargo ao seu sucessor José Augusto Bezerra de Medeiros. Antônio de Sousa nasceu em Papary (Nísia Floresta), em 24/12/1867, e faleceu em Recife, em 05/07/1955.

“Durante o seu primeiro mandato (1906 a 1908), com a vacância do cargo de vice-governador, respondia constitucionalmente o presidente do Congresso Estadual (hoje Assembléia Legislativa), deputado Manoel Moreira Dias. No segundo mandato (1920 a 1924), o vice-governador era o jornalista Henrique Castriciano de Sousa.

Com informações e imagem livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889-2003) – João Batista Machado.

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Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra

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