(03/07/1943 – 15/08/1945)
O novo interventor manteve quase a mesma equipe de auxiliares do governo anterior, fazendo apenas algumas modificações, como a nomeação de José Varela para o cargo de prefeito de Natal, que, na redemocratização do País, em 1947, seria eleito governador do Rio Grande do Norte. O desembargador João Dionisio Filgueira foi nomeado secretário-geral do Estado.
O general manteve também o jovem Aluízio Alves, por quem tinha grande admiração, como diretor do Serviço de Reeducação e Assistência Social – SERAS, que construiu o abrigo de velhos “Juvino Barreto”, o abrigo de menores “Melo Matos” e o orfanato padre “João Maria” para crianças desamparadas. Aluízio exercia ainda, cumulativamente, a direção da LBA no Estado.
Remanescente
Recebeu instruções do governo federal no sentido de apoiar, no Estado, a liderança política de José Augusto, concentrada no extinto Partido Popular. Quando da criação dos novos partidos, já na fase da redemocratização do País, os remanescentes do antigo Partido Popular, que era o de expressão maior, resolveram romper com o interventor e seguir o caminho da oposição, apesar das benesses que tinham recebido do general Fernandes Dantas. Dos 42 prefeitos do Estado, apenas um ficou solidário ao interventor. Os demais, solidarizando-se com José Augusto e renegando ao general, pediram demissão.
A sua ala mais expressiva fundou a União Democrática Nacional – UDN, enquanto a minoria ficou com o interventor e passou a trabalhar para a criação do Partido Social Democrático – PSD. A partir de então começaram as disputas políticas acirradas entre os dois blocos, que antes viviam sob o mesmo teto.
Aptidão
Valendo-se da sua intimidade com o palácio do Catete, o astuto Georgino Avelino dizia aos poderosos da época que o general não tinha aptidão para a política. Foi nomeado interventor em seu lugar, em 1945, para organizar o novo partido, o PSD, que no pleito de 1947 levou à vitória o deputado José Varela, candidatando seu ao governo do Estado.
O general Fernandes Dantas tinha ocupado antes o comando da Polícia Militar do Estado no governo de Juvenal Lamartine. Quando serviu comando em Salvador concorreu como interventor interinamente pelo PSD, juntamente com Georgino Avelino, perdendo a eleição para o udenista José Ferreira de Sousa, primo do majó Theodorico Bezerra, que, embora sendo um dos caciques do PSD, o apoiou. Foram eleitos Georgino Avelino (PSD) e Ferreira de Sousa (UDN).
Na eleição de um terço do Senado, em 1947, o general Antônio Fernandes Dantas compôs a chapa de senador, como suplente do empresário João Câmara. Todavia, seu registro de suplente foi anulado pela Justiça Eleitoral. O general encerrava assim sua participação na vida pública do Rio Grande do Norte. O secretário geral do Estado durante a sua gestão foi João Dionisio Filgueira. O general Dantas nasceu em Caicó e faleceu no Rio de Janeiro, em 1966.
Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.
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