Amaro de Andrade

Ana Tersuliano
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03/12/2025 às
09:10

Nascido em Natal/RN no ano de 1890, Amaro Pedroza de Andrade foi teatrólogo, pioneiro do teatro moderno em Natal, e Rei Momo.

Participava do Grêmio Dramático, que era uma experiência renovadora realizada no teatro amador de Natal entre os anos 30 e 40.

A partir de informações garimpadas em sebos do Rio de Janeiro, seu filho, Geraldo Edson de Andrade, escritor e crítico de arte, encontrou a seguinte informação na revista “Brasil Musical” (Rio, 1946): “Carlos Siqueira e Amaro Andrade são elementos de extraordinário valor pelos seus dotes naturais de representar e pelo entusiasmo que emprestam aos movimentos teatrais locais”.  Também disse na revista “Cadernos de Natal” (PMN, 1991) que seu pai “morreu aos 62 anos de idade sem saber que seu nome transcendeu as fronteiras do seu Estado”.

Amaro Andrade esteve em São Paulo pela primeira vez em 1948. Escreveu para o filho caçula contando a grande emoção de assistir Sérgio Cardoso e Cacilda Becker interpretando Hamlet, obra-prima de Shakespeare.             Em Natal, era raro assistir grandes interpretações, embora viessem boas companhias como a de Procópio Ferreira, geralmente eram escolhidos textos considerados mais digestivos ou dramas populares.

 Câmara Cascudo registrou em “História da Cidade do Natal” o início das atividades do grêmio: “Em 03 de maio de 1939 nasce o GND, com a participação velha da casa, Siqueira, Andrade, os novos Urbano Brandão, Luiz Siqueira, Fernando Cardoso, Julita Câmara e dez outros. O Grêmio  dramático tem encenado trabalhos locis de Sandoval Wanderley, Urbano Brandão, Clementino Júnior, Filgueira Filho, Ivo Filho, Jorge Fernandes, José Aguinaldo Barros e, do Sul, com as novidades teatrais, Fornari, Juraci Camargo, Magalhães Júnior, Amaral Gurgel etc”.

O GDN deu continuidade ao trabalho realizado pelo Ginásio Dramático (1912 a 1920), grupo amador que também contou com a participação de Amaro. Uma das inovações do grupo foi a encenação de peças no foyer do Teatro Carlos Gomes (hoje Alberto Maranhão), que funcionava como um teatrinho de bolso, modismo no sul a partir dos anos 50.

O Grêmio também chegou a representar Sandoval Wanderley com a revista “Natal” em 1941. A peça “Iaiá Boneca” teve a frente o elenco Therezinha Maia e fez sucesso pelo desempenho da atriz e beleza dos cenários e figurinos. A diversificação do trabalho do grupo chamou atenção dos estudiosos, uma vez que chegaram a representar a pela “Casa de Bonecas”, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen.

A peça foi um escândalo em 1879 ao abordar um tema inovador como a liberdade da mulher na conservadora sociedade européia do tempo. O filho de Amaro não sabe como o grupo descobriu um texto tão instigante em Natal quando, no Rio, essa peça somente foi encenada nos anos 60, pela companhia Tonia Carrero.

O escritor Rômulo Wanderley falou na “Tribuna do Norte”, em 21 de fevereiro de 1960, sobre o lado folião de Amaro Andrade, que foi Rei Momo “no tempo em que esse ‘alto cargo’ era levado a sério”. Registra que ele tinha um temperamento sério como funcionário da companhia inglesa Wharton Pedroza. Fantasia só no teatro e no carnaval.

 Amaro de Andrade, faleceu em 1952. Seu nome denomina rua no bairro de Neópolis, Natal/RN.

Com informações e imagem livro: 400 Nomes de Natal – Coleção Natal 400 Anos.

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

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