(31/01/1961 – 31/01/1966)
Aos 11 anos, ainda de calças curtas, assistiu à fundação do Partido Popular no Rio Grande do Norte. Aos 13, participava de comícios em praça pública. Aos 23, chegou à Câmara Federal e, aos 39, elegeu-se governador do Rio Grande do Norte. Essa trajetória rápida e trilhada com sucesso foi construída por Aluízio Alves *, que, desde menino, demonstrava sensibilidade para a vida pública e cultivava essa vocação desde os bancos escolares como se fosse um verdadeiro sacerdócio.
Começou sua atuação profissional como revisor do jornal “A República”. E a vida pública, como oficial de gabinete da Interventoria. Designado pelo secretário-geral Aldo Fernandes, coordenou a assistência aos flagelados da seca que se aglomeravam em Natal. Desse trabalho nasceu o Serviço Estadual de Reeducação e Serviço Social – SERAS, do qual foi o primeiro diretor. Em seguida seria nomeado diretor da LBA no Estado. Exonerou-se desses cargos, solidário com José Augusto, em 1945.
Magro, voz rouca, estatura mediana, o jovem que surgia em sua cidade como menino-prodígio começou a conquistar a admiração de políticos como José Augusto, Juvenal Lamartine, Dinarte Mariz, Vivaldo Pereira e outros, que viam nele uma liderança nata, que haveria de ocupar um lugar de destaque na vida pública do Rio Grande do Norte. E o tempo se encarregou de demonstrar esse acerto e essas previsões dos mais velhos.
Jovem
Com a redemocratização do País, candidatou-se a deputado federal em 1946, pela UDN, apenas para preencher uma das vagas do partido. Terminou eleito com 23 anos e chegou à Câmara Federal, com corpo e cara de menino, num ambiente de homens maduros e sisudos. Elegeu-se quatro vezes seguidas, sempre com votações consagradoras. Participou pouco da eleição de Dinarte Mariz para governador em 1955, porque foi acometido de problemas pulmonares. Dinarte eleito, Aluízio,** para ajudar o amigo, entregou-lhe uma espécie de “plano de governo”, no qual estavam norteadas as principais ações do futuro governador. Dinarte leu e disse: “Aluízio, guarde para quando você for governador”?!
Aluízio recebeu o plano de volta, mas não esqueceu a frase. Nem engoliu seu conteúdo. Cinco anos depois, dava o troco a Dinarte, elegendo-se governador do Estado, derrotando Djalma Marinho, candidato de Mariz. No governo, pôs em prática o plano que seria destinado ao governo anterior. Daí surgiu no Rio Grande do Norte a Assessoria de Planejamento, que depois viria a ser Secretaria, com a finalidade de planejar as ações de governo.
Moderno
Aluízio Alves introduziu na campanha métodos técnicos, com a realização de pesquisas, o que foi feito pela primeira vez no Rio Grande do Norte. O responsável era Roberto Jorge Albano, que tinha feito idênticas campanhas no Rio e em São Paulo.
Usando a fé como dogma e a esperança como símbolo, Aluízio inovou os meios de fazer política e criou as “vigílias cívicas”, que consistiam em comícios e passeatas até o dia amanhecer. Transformou-se em líder carismático. Diante dele, ninguém ficava indiferente. Amava-o ou detestava-o. Multidões o acompanhavam por onde passava, carregando ramos verdes e levantando o polegar para cima em sinal de aprovação.
Paulo Afonso
Fez um governo criativo e renovador. Implantou a Companhia de Serviços Energéticos do Rio Grande do Norte – COSERN, a Telecomunicações do Rio Grande do Norte — TELERN e a Companhia de Águas e Solos do Rio Grande do Norte — CASOL. Com recursos da “Aliança Para o Progresso”, programa do governo dos Estados Unidos destinado à América Latina, construiu escolas, reciclou professores e implantou, na cidade de Angicos, o método revolucionário de alfabetização de adultos, pioneiro no País, denominado “Paulo Freire”. Criou o IPE e o Hospital Infantil Varela Santiago.
Nas áreas de cultura e educação, criou a Fundação “José Augusto”, a Faculdade de Jornalismo “Eloy de Souza” e o Centro de Estudos e Pesquisas “Juvenal Lamartine”, além de haver promovido festivais culturais com presenças de renomados escritores nacionais em Natal. Inaugurou a energia de “Paulo Afonso”, tornando realidade um sonho de quase duas décadas, como deputado federal, e ampliou o abastecimento d’água de Natal; construiu os hotéis “Reis Magos” em Natal, “Esperança” em Mossoró e “Cabugi” em Angicos, além da sede do DER na capital; foi pioneiro na implantação da reforma agrária no RN, na região do Mato Grande, nos três espólios de João Câmara, penhorados pelo Banco do Brasil como dívida agrícola. Construiu ainda o parque “Aristófanes Fernandes” em Parnamirim, para incentivar a pecuária no Estado, através da exposição de animais.
Atropelo
Aluízio pensava em retornar ao governo, quando foi atropelado pelo ciclo dos governadores indiretos. Antes tentou ser senador, mas terminou deputado federal, tendo sido cassado em 1969. Tornou-se empresário no Rio de Janeiro, tendo sido um dos diretores do grupo UEB — União de Empresas Brasileiras, que implantou no Rio Grande do Norte um pólo têxtil, no distrito de Igapó, durante o governo Cortez Pereira, que, apesar de seu adversário político, apoiou a iniciativa.
Mas, como sua vocação era a vida pública, retornou à política antes de terminado o prazo de cassação, na chamada “Paz Pública”, partido.
Íntimo
Ministro da Administração no governo José Sarney, de quem era íntimo desde os tempos da velha UDN, passou a ser o homem forte no Estado, devido à amizade com o presidente. Voltou à atividade partidária, elegendo-se deputado federal, consolidando a liderança do seu grupo político que voltava ao poder no Rio Grande do Norte.
Foi também ministro da Integração Regional no governo Itamar Franco, tendo concebido e planejado o projeto de transposição do rio São Francisco para os Estados do Nordeste carentes de recursos hídricos, um sonho que um dia poderá se transformar em realidade, graças aos esforços desenvolvidos nesse sentido por outro norte-rio-grandense, o atual ministro da Integração Nacional, Senador Fernando Bezerra.
Mesmo sem mandato eletivo, Aluízio ainda exerce uma liderança fecunda pelo carisma de seduzir multidões através do tempo que já tingiu seus cabelos de branco. Atualmente é o presidente reeleito do diretório regional do PMDB no Rio Grande do Norte.
*Vice-governador: monsenhor Walfredo Gurgel, que renunciou ao mandato em 1962 para assumir a cadeira de senador para a qual acabara de ser eleito. Para substituí-lo foi eleito indiretamente, pela Assembleia Legislativa, o “majô” Theodorico Bezerra, que tinha sido derrotado na disputa para o Senado por Dinarte Mariz.
**Aluízio Alves governou o Rio Grande do Norte num clima de radicalismo, numa época em que o Estado era sectariamente dividido em cores, gestos e bandeiras.
Com informações, imagens e trechos do livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte: 1889-2003, de João Batista Machado.
Pesquisa e Edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente –e-mail: ricardotersuliano@yahoo.com.br – Colaborador do Blog do Cobra
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Uma resposta
Boa noite meu querido Dr cobra