Almirante Ary Parreiras

Ana Tersuliano
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09/10/2025 às
17:07

Almirante Ary Parreiras, nascido em Niterói/RJ no dia 17 de outubro de 1890, foi militar e construtor da Base Naval. Hoje, também dá nome a uma escola estadual em Natal.

         Ingressou na Escola Naval em 1907. Foi promovido a Guarda-Marinha em 1912. Por ocasião da Primeira Guerra Mundial, tomou parte nas operações da Marinha Brasileira nos mares da África e da Europa. Por sua participação, recebeu Cruz e Medalha da Guerra.

         Participou da chamada “Conspiração Protógenes”, que apoiaria a revolta paulista de 1924. Ficou preso até 1927, condenado a quatro anos, e foi libertado por já haver cumprido a pena. Integrou-se no movimento revolucionário de 1930, sendo considerado como desertor pelo governo federal. Com a vitória dos revoltosos, foi anistiado, passando a ser um dos integrantes do chamado “Clube Negro”, grupo de tenentes que se reunia em torno de Getúlio Vargas para discutir e aprofundar as reformas institucionais da Revolução.

         Em 1931 foi nomeado Interventor do Estado do Rio e realizou uma administração moderna, organizando a máquina administrativa e saneando as finanças. Retornou ao serviço ativo da Marinha e em 1938 foi designado representante das Forças Armadas na comissão de estudos sobre o problema siderúrgico nacional. Como resultado do trabalho dessa Comissão, foi criada a Companhia Siderúrgica Nacional, que posteriormente implantou a usina de Volta Redonda no Rio de Janeiro.

         Já em 1941 foi escolhido pelo governo federal para coordenar a construção de uma Base Naval em Natal, em decorrência da posição estratégica da cidade e do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. O local designado para este complexo militar ficava no Alecrim e era conhecido pela população de Natal como “Refoles” (forma distorcida de referenciar “Rifault”, bucaneiro francês que, no século XVI ancorava suas naus para o tráfico do pau-brasil).

         A construção da Base Naval começou no final de 1941 e foi realizada totalmente por brasileiros, tornando-se um modelo de organização, capacidade de trabalho, baixos custos e alto padrão de qualidade. Em “História da Cidade de Natal”, Câmara Cascudo falou que “o Almirante Parreiras criou tudo, terra, clima, ritmo, força realizadora, obstinação, ditadura da honestidade, mística do sacrifício silencioso, discreto e diário”. Em março de 1944 deixou a  Comissão de Construção e passou ao comando da Base Naval de Natal, sendo responsável por todo o patrulhamento da costa no final do conflito.

         Ary Parreiras foi um dos maiores incentivadores do crescimento do Alecrim. As obras da base atraíram operários de diversas regiões do estado e do Nordeste, que passaram a fixar-se nas suas proximidades. Isto aumentou o comércio e os serviços no bairro. Sua obra extrapolou os limites da base, como a construção e instalação de um moderno hospital; as construções das residências dos oficiais; o seu moderno clube social, o “Cobana”, ponto de integração da sociedade natalense com a Marinha Brasileira; a criação da Vila Naval, ou seja, centenas de casas destinadas a sargentos, suboficiais e funcionários, com moradias dignas, sóbrias e sólidas, mostrando a seriedade e o padrão de quem as fez. Criou uma escola modelo, que hoje tem seu nome e tem formado gerações de natalenses.

         Depois dele, o Alecrim deixou de ser um arrabalde com sítios e casas dispersas para ser um bairro dinâmico, sensível e integrado à vida da cidade. Em de 1945 foi promovido a Vice-Almirante e voltou ao Rio de Janeiro para integrar uma comissão de alto nível na Marinha. Participou ativamente das conversações das candidaturas presidenciais para a sucessão de Getúlio Vargas.

         Ary Parreiras faleceu em Niterói/RJ no dia 09 de outubro de 1945.

Com informações livro: 400 Nomes de Natal – Coleção Natal 400 Anos.

Foto: Wikipédia/Reprodução Internet

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

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