Danos: Depoimento do leitor serve de estímulo para
quem enfrenta a terrível doença do alcoolismo.
O leitor escreve:
Hoje,
ao circular pelas ruas de nossa cidade, fico preocupado ao ver inúmeros jovens
em bares, lojas de conveniência e casas de shows, obtendo ali suas primeiras
experiências com uma droga voraz e perigosíssima, com alto poder de destruição:
o álcool. Sinceramente, não sei como uma droga com esse poder destrutivo
consegue veicular tantas propagandas em todos os meios de comunicação, sempre
associadas a paisagens e modelos bonitas. Parece que não existe um órgão que
analise o custo-benefício entre os prejuízos causados ao Estado e à sociedade e
o lucro gerado com a venda do produto, pago em impostos ao governo.
Essa
vantagem irreal impede o governo de tomar medidas corretas que inibam a
propaganda enganosa e as empresas fabricantes de bebidas alcoólicas de
patrocinar eventos esportivos, além da ausência de políticas para a criação de
hospitais específicos para o tratamento de dependentes. Essas ações, se
aplicadas de forma correta, contribuirão para o esvaziamento de hospitais e
clínicas, onde se encontram inúmeras pessoas tratando cirroses, úlceras e
gastrites, doenças ocasionadas, na maior parte dos casos, pelo uso excessivo de
álcool.
Alcoolismo
é uma doença progressiva e reflexiva, catalogada pela Organização Mundial da
Saúde com o número 303. Essa droga é tão perigosa que algumas pessoas, mesmo
sem ingeri-la, põem em risco suas vidas ao sair na companhia de pessoas
alcoolizadas dirigindo. Como o caso recente daqueles jovens que saíram da boate
no Rio de Janeiro e muitos outros casos que acontecem em todo o mundo,
frequentemente registrados de forma incorreta como vítimas de acidentes
automobilísticos, devendo ser considerados vítimas do alcoolismo. Segundo
estudos da Associação Brasileira de Psiquiatria, existem pessoas que já nascem
com predisposição ao alcoolismo, e à medida que começam a ter seus primeiros
contatos com o álcool, lentamente ele vai causando uma dependência no organismo,
que, aos poucos, as acorrenta, até iniciar-se o ciclo dos primeiros problemas,
que ocorrem durante o consumo: vexames, inconveniências e ressacas imensas.
Atualmente,
vivemos numa sociedade doentia, cuja cultura propõe que, em momentos de lazer,
sempre deve haver uma cervejinha. Assim, pouco a pouco, você vai se envolvendo
e ampliando sua necessidade de consumo. Até que um dia, impulsionado pela
dependência, torna-se um cidadão problemático, fazendo com que essa mesma
sociedade, que o induziu a tomar uma cervejinha para assistir a jogos da Copa,
ir à pizzaria, churrascos ou após a pelada de futebol, o isole, transformando-o
em um verdadeiro distribuidor de problemas para familiares, empregadores,
amigos, vizinhos e outros.
Hoje,
analisando os consumidores em vários estágios sociais, problemáticos e menos
problemáticos, faço a seguinte avaliação: existem pessoas que, alcoolizadas,
são chatas, inconvenientes e conversam demais. As que não são chatas, inconvenientes
e não conversam demais, mas muitas vezes, suas finanças são um caos, além de atitudes
que denigrem sua imagem.
Todas
as pessoas que consomem bebida alcoólica já tiveram ou terão problemas, exceto
as que consomem de forma social (minoria) e, com a continuidade, isso se torna
cada vez mais difícil devido à progressividade do alcoolismo.
Atualmente,
existem inúmeras pessoas que rotineiramente já dizem: “Hoje é
quinta-feira, dia de tomar uma cervejinha”. E há muitos que já estão
bebendo todos os dias, reduzindo assim sua capacidade de produção, levando-as a
um novo ciclo: o das mentiras, faltas na escola, no trabalho e desarmonias nos
lares. E não fica por aí; a tendência é perder o emprego, aumentando o problema
em casa, muitas vezes levando o indivíduo a perder a família, pois esta não
suporta mais tantos problemas. O consumista entra em um ciclo mais complicado,
com alto grau de dependência.
Comigo
foi assim: aos doze anos de idade, comecei a tomar minhas primeiras taças de
vinho e champanhe nas festas natalinas, depois uns goles de cerveja em
aniversários e outros eventos, sem saber que um dia teria tantos problemas. A
cada dia que passava, meu alcoolismo se desenvolvia mais, e aos 17 anos e seis
meses de idade, casei e tive três lindas e maravilhosas filhas, que muito
sofreram (ausência), durante meu percurso neste ciclo vicioso, capaz de causar
danos incalculáveis e irreparáveis. Esse é o motivo da minha preocupação, pois
ao refletir sobre minha vida, vejo que dos meus 12 aos 32 anos foram 20 anos
não aproveitados de forma saudável, que me fizeram perder o crescimento de
minhas filhas, atitude que muito me entristece. Sou grato a Deus, por ter me
dado uma grande mulher, que muito sofreu, mas foi forte o suficiente para
conduzir a carruagem até o retorno de seu cocheiro.
E vi
exemplos piores. Houve amigos que ficaram para trás porque perderam suas vidas.
Muitos deles deixaram lindos e maravilhosos filhos órfãos, que pena. Outros
ficaram deficientes, muitos continuam bebendo, e alguns já estão em fase
terminal. Cheguei ao ponto de beber quase todos os dias, estava perdendo meu
emprego, completamente endividado e cheio de problemas. Aqui, quero fazer um
agradecimento especial ao meu empregador (Paulinho Freire), que, no momento
mais difícil da minha vida, não me deixou cair, segurando minha mão, ao custear
para mim um tratamento psiquiátrico importantíssimo, que me devolveu a
sobriedade, uma das maiores riquezas para o ser humano.
Quero
agradecer também as orações de amigos e familiares e a dedicação e os
conhecimentos eficazes do Dr. Douglas Dogol Succar, que me disse que estive bem
próximo de ter uma convulsão. Foi um período horrível; lembro-me que, poucos
meses depois que parei de beber, estava fazendo um balanço da minha vida e,
numa grande reflexão, fiz o seguinte registro:
“Nos
degraus da vida, escorreguei e desci por um tenebroso abismo, tortuoso e
sombrio, quase sem volta. Mas, com força de vontade e ajuda de alguns, consegui
retornar numa árdua escalada. Agora, de pé, com a cabeça erguida, tentarei
galgar os rumos de uma nova vida, cheia de esperança, felicidade e fé; estou
pronto para retomar as rédeas da carruagem do meu destino”.
Você é
muito importante, e sua vida é muito preciosa. Faça uma reflexão e afaste-se do
álcool enquanto há tempo; seja feliz. Os sábios ouvem, absorvem e se afastam.
Os não sábios fazem como eu fiz: ouvem, mas não absorvem, envolvem-se e se
enchem de problemas. A sobriedade restaurou minha vida e meu lar, aumentando
minha capacidade de produção. O tempo que eu passava em bares ou em farras
agora é dedicado ao estudo, à pesquisa e ao debate em reuniões de cidadania,
onde tratamos de vários projetos nas áreas de Patrimônio Histórico, Meio
Ambiente, Cultura, Transportes e outros, que acontecem todas as quintas-feiras,
a partir das 19h, na sede do IAPHACC – Instituto dos Amigos do Patrimônio
Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania, Rua Açu, n° 560, Bairro Tirol,
Sede da Cultura Inglesa, CEP 59.020-110. Site: www.culturanatal.com.br; e-mail:
iaphacc@yahoo.com.br; telefone para contato: 99977-1920. Texto: Ricardo
Tersuliano (Cobra), publicado no Diário de Natal do dia 22/10/2006.
Parei
de beber e de fumar, no dia 15 de março de 1999, de lá para cá, nunca mais
tomei uma gota de champanhe numa noite de Natal ou Ano Novo; foi a melhor coisa
que fiz na minha vida. Logo após esse momento em que consegui me libertar
desses vícios horríveis, voltei a estudar, concluí o primeiro grau, me matriculei
no segundo grau e, em seguida, fiz um curso de corretor de imóveis. Depois,
entrei na faculdade para cursar Direito e me tornei bacharel.
Fundei
o Instituto IAPHACC, sou autor do resgate da Locomotiva Catita 3 e do projeto
em desenvolvimento do Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza, o primeiro museu
ferroviário do Rio Grande do Norte. Também sou membro do Instituto INSPIRA.
Atuei em várias lutas na defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico de
nossa cidade e estado.
Toda
essa evolução em minha vida ocorreu depois que consegui me libertar desse vício
maléfico. Isso deixa claro o quanto o álcool é prejudicial ao ser humano; ele
retira sua capacidade de produção e vai destruindo-o aos poucos.
Pedi ao
deputado federal Paulinho Freire que apresentasse um projeto de lei visando
catalogar as pessoas que morrem vítimas de acidentes provocados por condutores
de veículos alcoolizados, como vítimas do alcoolismo. Atualmente, essas pessoas
são catalogadas estatisticamente, como vítimas de acidentes automobilísticos.
Este projeto de Lei, tramita hoje no Congresso Nacional sob o nº 2498/2024 que
“altera a Lei nº 9.503, de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro,
para dispor sobre a coleta de dados relativos a condutores que dirigem sobre a
influência de álcool no registro de sinistros de trânsito”.
Ainda
há tempo: reflita e liberte-se. O álcool é o fio condutor da destruição humana.
Gratidão
a Deus, ao deputado federal Paulinho Freire, ao Dr. Douglas Dogol Succar e às
orações de amigos e familiares.
Ricardo
Tersuliano (Cobra), Secretário Parlamentar do Deputado Federal Paulinho Freire,
Corretor de Imóveis, Bacharel em Direito, Fundador do Instituto IAPHACC, Membro
do Instituto INSPIRA, autor do resgate da Locomotiva Catita nº 3.
Leia a
Bíblia!!!
