Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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31/03/2025 às
08:58

Governador do Rio Grande do Norte

 (25/03/1900-25/03/1904 – 25/03/1908-01/01/1914)

Alberto Maranhão*, como era mais conhecido, chegou pela primeira vez ao governo do Rio Grande do Norte, com apenas 26 anos, graças à reforma constitucional patrocinada por Ferreira Chaves, que reduzia, de 35 para 25 anos, a idade mínima para o cidadão disputar o governo do Estado. A sugestão, concebida por Pedro Velho, tinha endereço certo: o irmão Alberto, advogado e deputado federal.

Cabeleira leonina, bigodes espessos, caídos sobre o lábio superior, ultrapassando os limites da boca, Alberto Maranhão era um homem charmoso como seu irmão Pedro Velho. Refinado, elegante, educado na Europa, bem-apessoado, era o segundo membro da tradicional e ilustre família a chegar ao governo do Rio Grande do Norte, como sucessor de Ferreira Chaves.

Mecenas

Como cultor das artes e das letras, construiu o teatro “Carlos Gomes”, que hoje tem o seu nome, na Ribeira, no estilo “art-nouveau”, com lustres e portões importados de Paris, o que comprova o bom gosto de um homem educado no primeiro mundo. Alberto Maranhão criou ainda a Escola Normal de Natal e o Conservatório de Música. Implantou luz elétrica na capital e renovou o serviço de bondes que funcionava a tração animal e passou a ser à energia elétrica, resultando num grande progresso naquela época. Foi quem instalou o palácio do governo na Cidade Alta. Antes o palácio era localizado na rua do Comércio, atual rua Chile, na Ribeira.

No governo, Alberto Maranhão imortalizou vários nomes da família em setores públicos. O irmão Augusto, por exemplo, o mais talentoso de todos, que falecera na França, em 12 de maio de 1902, sobrevoando Paris no balão “Pax”, virou nome de cidade. O município de Campo Grande passaria a chamar-se “Augusto Severo”, conforme projeto-de-lei aprovado nesse sentido.

Somente muitas décadas depois é que a Câmara Municipal resolveu, atendendo ao desejo da população, ouvida em plebiscito, retornar ao topônimo mais antigo de Campo Grande, cancelando assim a homenagem que Alberto Maranhão prestara ao irmão ilustre, que é nome de rua no Rio de Janeiro e em Paris, e cujo invento ficou conhecido internacionalmente.

Teatro

Apesar do reconhecimento de que a cidade precisava de um teatro à altura do seu crescimento e como estímulo aos espetáculos culturais, a sua construção foi muito criticada pela imprensa, em virtude da maneira, pouco recomendável, como a obra foi “tocada pelo grupo familiar: Fabrício de Albuquerque Maranhão, irmão do governador Alberto Maranhão, foi quem forneceu todo o material indispensável à construção do teatro.

Alberto Maranhão não ousou apenas na educação com a construção de escolas, mas principalmente na saúde, construindo o hospital “Juvino Barreto”, atual hospital universitário “Onofre Lopes”, uma obra que se destacou no tempo porque quebrou a mesmice dos governos anteriores, que não davam apoio à saúde pública. O novo e moderno hospital foi entregue ao médico Januário Cicco, que foi ajudado na sua missão pelas irmãs de Santana.

Após concluir seu primeiro governo, Alberto Maranhão exerceu um mandato de deputado federal, antes pertencente ao sobrinho afim, Augusto Tavares de Lira, que veio a sucedê-lo no governo do Estado, dando continuidade à oligarquia dos Albuquerque Maranhão. Tavares de Lira era ainda genro de Pedro Velho.

No segundo mandato, Alberto Maranhão foi pródigo em homenagear familiares. Fabrício Pedroza de Albuquerque Maranhão foi homenageado dando nome, na cidade de “Pedro Velho”, a um grupo escolar que antes se chamava Vila Nova, denominação que o irmão governador mudou por decreto para homenagear o “patrono” da oligarquia. “Alberto Maranhão” virou nome de grupo escolar em Nova Cruz e de avenida em Natal e Mossoró. Além de tantas “auto-homenagens”, ainda fundou um grupo escolar com o nome “Augusto Severo”, o outro irmão importante, criador do balão “Pax”.

Mas ninguém pode acusar Alberto Maranhão de homenagear apenas a família. Ele foi generoso com amigos e correligionários que usufruíram do poder. Com a iniciativa de obter empréstimos no exterior, realizou, de maneira eficiente, uma grande obra administrativa de cunho inovador e renovador para sua época. Alberto Frederico era o mais carismático dos irmãos Albuquerque Maranhão. Foi também deputado federal por cinco legislaturas (1915 a 1929). Encerrou sua vida pública como inspetor do Instituto Nacional do Sal, no Rio, onde viveu modestamente. Nasceu em Macaíba, em 02/10/1872, e faleceu em Angra dos Reis/RJ, em 01/02/1944.

*Vice-governador, no primeiro mandato: João Dionísio Filgueira (1900 a 1904). No segundo período (1908 a 1914) não existia o cargo de vice-governador. De acordo com o mestre Luís da Câmara Cascudo, no seu livro “Uma história da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte”, e com informação do pesquisador José Tarcísio Rosas, do Centro de Estudos e Pesquisas “Juvenal Lamartine” da Fundação “José Augusto”, o mencionado cargo fora extinto em 1907 e somente em 1915 voltou a vigorar.

Com informações livro: Perfil da República no Rio Grande do Norte (1889-2003) – João Batista Machado – Foto Wikipédia.

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra

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