Afonson Bezerra

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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20/02/2026 às
10:16

E na recordação dos vultos do passado, que encontramos exemplos dignificantes de fé e heroísmo.

Não são somente heróis aqueles que lutam nos campos rasos de batalha, que empunham o fuzil defendendo nas trincheiras um ideal.

Heróis são também aqueles que brandem as armas do pensamento, transformando numa trincheira inexpugnável, num rochedo intransponível e inabordável a tribuna, a imprensa e a cátedra.

A esta classe pertenceu, por certo, um jovem que a morte arrebatou aos 22 anos e que constituiu um padrão de glória para a terra que o viu nascer.

Jornalista primoroso, moço de convicções sinceras, amigo verdadeiro dos pobres, aos quais dedicava todos os cuidados e atenções, passou pela vida, honrando sempre a memória dos seus antepassados e o seu nome justamente cercado por uma brilhante auréola de admiração e saudade.

Avesso por completo aos costumes esposados pelos moços de hoje, trocava as horas de prazeres mundanos e folias por momentos de pura espiritualidade, provindos dos livros, emanados da leitura sã, da verdadeira literatura.

Católico prático, estava sempre com o espírito voltado às coisas de Deus, recebendo os perfulgentes ensinamentos dos seus ministros, comungando a hóstia sacrossanta da Religião Cristã.

Filho da terra que hoje tem o seu nome, no município de Angicos, Afonso Bezerra tem a sua memória perpetuada nos corações dos seus conterrâneos, especialmente daqueles a quem a fortuna não sorriu.

Hoje, data do aniversário de sua morte, nós o recordamos não só como uma homenagem à sua memória, mas apontando-o como exemplo às novas gerações que terão, sempre nas suas atitudes e nos seus gestos, belos ensinamentos de moral e modelos das mais nobres virtudes.

A Afonso Bezerra, rendemos, nestas linhas, o nosso preito de saudade no instante em que os seus amigos choram a perda irreparável daquele que soube morrer como viverá, dedicando o melhor de suas energias as boas causas que sempre defendeu com fortaleza moral e coragem e que sempre foi digno de sua mocidade.

Texto de Aluízio Alves, publicado no Jornal A República em 08/03/1936, data de comemoração do sexto ano da morte de Afonso Bezerra.

Com informações livro: Afonso Bezerra, Ensaios, Contos e Crônicas – Editora Pongetti 1967.

Foto: Livro 400 Nomes de Natal

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

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