A Pecuária e o Povoamento do Interior entre o Século XVI e XX

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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14/02/2025 às
11:24

O povoamento efetivo do interior se deu no século XVIII, pela concessão de sesmarias, para fazendas de gado, aos bahianos e pernambucanos que, resistindo a todas dificuldades e hostilidades da indiada, conseguiram se estabelecer com currais de criação. Muitos desses currais deram origem a sedes de cidades e municípios de hoje.

Manuel Filgueira de Carvalho, Capitão-mor de Infantaria das ordenanças do distrito de Açu, veio do rio São Francisco com muito gado para as terras açuenses, e seu exemplo foi seguido por outros, que vieram, até de Jaguaribe, no Ceará, para o sertão potiguar. A partir daí o povoamento tornou-se intenso pelo interesse econômico da pecuária. Mas também o restabelecimento da paz com os índios e as exuberantes pastagens atraíram imigrantes e criadores para a região.

Os jesuítas, também, deram sua contribuição valiosa para a formação econômica daquela região, pois em 10 de janeiro de 1700, último ano do século XVII, fundavam uma Missão no Apodi. Aqui, não só desenvolveram ações religiosas e educativas, como também agricultura e criação no aldeiamento.

Segundo Câmara Cascudo: “A Ribeira do Apodi, na última década do século XVIII… produzia 56.640 alqueires de farinha nas freguesias de Apodi, Portalegre e Pau dos Ferros. O rebanho bovino é que se desenvolvia normalmente, criando-se, desde longos anos, a indústria das carnes secas em Mossoró e Açu, tornando-se famosos os postos das oficinas de Carnes, ou simplesmente, oficina, à margem do mesmo rio”.

O povoamento da região do Seridó, também, efetivou-se em decorrência da necessidade económica de encontrar terras propícias à criação de gado. Vencida e eliminada a indiada, chegavam à região seridoense os seus primeiros sesmeiros, oriundos de Pernambuco e Paraíba.

Segundo Dr. José Augusto, de Medeiros, “as primeiras datas de terra concedidas na região e registradas nos livros da Capitania do Rio Grande do Norte são de 1676 e referem-se exatamente a Acauã, sendo seus beneficiários Teodósio Leite de Oliveira, Teodósia dos Prazeires e Manuel Gonçalves Diniz, e de 1679, ainda relativas a Acauã e Serra do Trapuá, deferidas a Luís de Souza Furna, Antônio de Albuquerque da Câmara, Lopo de Albuquerque da Câmara e Pedro de Albuquerque da Câmara”.

De modo geral, os autores que se preocuparam com a região do Seridó, afirmam que os primeiros sesmeiros seridoenses, com algumas excessões, não tomaram posse, pessoalmente, das terras obtidas. Eles, inclusive, mandavam seus prepostos para a administração das fazendas que, geralmente, eram vaqueiros ou homens de certa experiência. Muitos destes, mais tarde, tornaram-se fazendeiros bem-sucedidos.

Posteriormente, com o crescimento econômico da região, e a impossibilidade de ataque da indiada, esses sesmeiros passaram a dirigir, pessoalmente, suas fazendas de gado, fixando-se nelas suas residências.

E, assim, o povoamento do Seridó teve, como fator econômico básico e primeiro, a criação de gado, que durou, como atividade de primeira grandeza na sua economia, mais de um século.

Com informação Livro: Evolução Econômica do Rio Grande do Norte (Do Século XVI ao Século XX) – Paulo Pereira dos Santos.

Aladim Potiguar – Colaborador do Blog do Cobra.

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