Desde o princípio que o Rio Grande do Norte contou, para os fundamentos de sua economia, com duas culturas da maior valía: a cana e o algodão. “E, nos tempos coloniais, mais ainda o algodão que a cana, tanto pela facilidade da respectiva cultura, como pela preferência que, entre as outras Capitanias, tinha o produto riograndense nos mercados”. Na verdade, o açúcar sempre contou com dificuldades, principalmente, no seu fabrico. Os engenhos existiam não mais de dois, durante o período colonial. Só mais tarde, após a Independência, o Açúcar se tornou um grande produto, fundamento de toda a economia interna da Província durante longo tempo, até que foi outra vez superado pelo algodão. Ainda mesmo depois da Independência, a agro-indústria açucareira no Rio Grande do Norte, esteve como imperrada durante muitos anos, e talvez, sobretudo por circunstâncias de natureza política que atordoaram toda a vida da Província até um pouco além de 1840, podendo-se assegurar que somente depois de normalizada a situação do Império é que veio assumir considerável crescimento.
Já em 1845, na seca, eram registrados “43 engenhos e 93 engenhocas. Entre os engenhos havia 32 de moendas de ferro. A exportação de açúcar, só pelo porto de Natal, foi, em 1847, de 11.304 arrobas. Não inclue aí, pois, o produto que saia, não só pelos outros portos da Província, como o que se derivava para as Províncias contíguas. Em 1851, a massa exportada elevou-se a 35.511 arrobas, de várias classes. E já, três anos depois, em 1859, funcionavam 156 engenhos em crescente prosperidade. A produção era de 350.000 arrobas, fora a aguardente que a maior parte, principalmente, os pequenos engenhos, fabricavam”.
Ainda acrescenta Rocha Pombo que, em 1861, eram 173 engenhos de ferro, e apenas 12 engenhocas em plena atividade. E estas iam sendo, paulatinamente, eliminadas por aqueles. A produção só na área de Natal e de São José, era de 375.000 arrobas, não sendo exagero se calcular em mais de 700.000 arrobas a produção total da Pronvíncia.
Percebe-se que de 1845 a 1861, houve um aumento, entre engenho e engenhocas, de 49 unidades a mais, o que representou um reflexo significativo na produção total da economia. Vale afirmar que esse crescimento deveu-se à desorganização do mercado mundial com a crise de produção inglesa e espanhola, que provocou um aumento da demanda por açúcar.
No período 1860/90, época da expansão da lavoura da cana de açúcar, houve incentivos do governo Provincial, sobretudo, após a seca de 1877/79, através da drenagem dos vales, principalmente, com a construção da Estrada Federal Natal a Nova Cruz (1881/83) e assinatura do contrato, visando a construção da E.F. Natal a Ceará-Mirim.
Já no final do século XIX, a cultura dessa gramínea se encontrava em crise, porque não tendo acompanhado o progresso tecnológico da indústria açucareira, não pôde mais concorrer no mercado mundial. Esse açúcar passava a ser de qualidade inferior e de custos mais altos.
A agro-indústria do açúcar sobrevivia, perdendo progressivamente posição no mercado internacional. A maior parte de sua produção era para o consumo interno. Na primeira década do século XX eram instaladas 4 usinas de açúcar em Canguaretama e Ceará-Mirim, mas a lavoura não conseguia se recuperar da crise. Nos decênios de 30 e 40, com a extinção da usina de Canguaretama, uma nova usina moderna era instalada em Arês e as de Ceará-Mirim eram modernizadas.
Ao longo do século XX os engenhos abandonaram progressivamente a produção de açúcar, passando a ser unidades produtoras de cana para as usinas, excetuando-se pequenas unidades produtoras de rapadura e aguardente.
Este texto é ilustrado com uma foto da casa grande do engenho Guaporé, em Ceará-Mirim, tombada como patrimônio desde 1988 pela Fundação José Augusto (FJA).
Com informações livro: Evolução Econômica do Rio Grande do Norte – (Do Século XVI ao Século XX) – Paulo Pereira dos Santos.
Aladim Potiguar – Colaborador do Blog do Cobra.
Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi
