A genealogia de Caetano Dantas Correia: a origem de um dos maiores troncos familiares do Seridó.

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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18/07/2026 às
14:15

No Seridó, o principal tronco da família Dantas tem origem em Caetano Dantas Correia, que se estabeleceu na fazenda Picos de Cima, em Acari, para onde chegou inicialmente como vaqueiro de um de seus irmãos. Segundo a tradição e documentos consultados por José Augusto, Caetano era filho de José Dantas Correia e Isabel da Rocha Meireles, casal que teria se casado em 1710. Isabel era paraibana, enquanto José seria um português ligado ao Engenho Fragoso, nas proximidades do Recife.

Caetano possuía diversos irmãos. Entre eles estavam Gregório José Dantas Correia, casado com Joana de Araújo Pereira; Antônio Dantas Correia, que permaneceu no Engenho Fragoso; Frutuoso José Dantas, estabelecido em Piranhas; e José Dantas Correia, do qual descenderam os Dantas da Serra do Teixeira, na Paraíba. O autor também registra referências a Sebastião Dantas Correia, beneficiado com uma sesmaria na Capitania do Rio Grande em 1745, além de Estevão José Dantas, apontado como ancestral dos Dantas de São José de Mipibu.

Documentos coloniais mencionam ainda outros integrantes da família, como Albino Custódio Dantas Correia, Antônio Jácome Dantas Correia, Alexandre Dantas Correia, José Dantas Correia e João Firmino Dantas Correia, todos envolvidos em concessões de terras, vendas de propriedades ou ocupação de sesmarias entre os séculos XVIII e XIX.

Embora José Augusto reconheça não ser possível estabelecer com absoluta certeza o grau de parentesco entre todos esses personagens, considera Caetano Dantas Correia o verdadeiro iniciador do grande ramo seridoense da família.

Entre os descendentes de seu irmão Antônio Dantas Correia, destacou-se o coronel Felismino do Rego Dantas de Noronha, influente líder político de Ceará-Mirim, conhecido pela firmeza de caráter e pela atuação na vida pública do Rio Grande do Norte. Já da linhagem de José Dantas Correia, estabelecida na Serra do Teixeira, descendia o político paraibano Manuel Dantas Correia de Góis, representante da Paraíba no Parlamento Nacional.

A importância histórica de Caetano Dantas Correia vai além da genealogia. Segundo o autor, ele foi responsável pelo povoamento da região que mais tarde se transformaria em Carnaúba dos Dantas, bem como pela fundação da povoação de Cuité, na Paraíba. Em 17 de julho de 1768, Caetano e sua esposa Josefa de Araújo Pereira lavraram escritura de doação de meia légua de terras destinada ao patrimônio da futura Capela de Nossa Senhora das Mercês, documento cujo teor é reproduzido integralmente na obra.

A partir dessa escritura, José Augusto demonstra que o casal participou diretamente da organização religiosa e do desenvolvimento inicial daquela comunidade, consolidando um dos mais importantes núcleos de povoamento do sertão paraibano.

O autor também reproduz um relato sobre a origem da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Piracuruca, no Piauí, tradicionalmente atribuída aos irmãos Manoel Dantas Correia e José Dantas Correia. Entretanto, após examinar documentação cartorial e eclesiástica, conclui que houve um equívoco em versões anteriores da história: o legado patrimonial da igreja teria sido feito exclusivamente por Manoel Dantas Correia, que nomeou Nossa Senhora do Monte do Carmo como herdeira universal de seus bens.

Quanto à ascendência de Manoel e José Dantas Correia, José Augusto levanta uma hipótese considerada mais provável: ambos não seriam portugueses, mas sim filhos do português José Dantas Correia com Isabel da Rocha Meireles, estabelecidos no Brasil desde 1710.

Caetano Dantas Correia e Josefa de Araújo Pereira formaram uma numerosa descendência. Entre seus filhos figuram Simplício Francisco Dantas, Gregório José Dantas, Antônio Dantas Correia, Caetano Dantas Correia (2º), Manoel Antônio Dantas, Felix Dantas, Alexandre Dantas, Silvestre Dantas Correia, Clemência, Josefa, Francisca Xavier, Micaela Dantas Pereira, Maria, Maximiana, Ana, Isabel e José Antônio Dantas.

Micaela Dantas Pereira casou-se com Antônio de Azevedo Maia Júnior, considerado o patriarca da família Azevedo em Jardim do Seridó, antiga Conceição do Azevedo, demonstrando a estreita ligação entre dois dos principais troncos familiares da região.

Caetano Dantas Correia faleceu em 19 de julho de 1797, na fazenda Picos de Cima, em Acari, aos 87 anos de idade. Sua esposa, Josefa de Araújo Pereira, morreu em 18 de junho de 1816, aos 77 anos. O registro paroquial informa que sua morte foi “apressada”. Segundo José Augusto, Caetano era vinte e nove anos mais velho que Josefa.

Ao longo das gerações, os descendentes do casal ocuparam posição de destaque na vida política, intelectual e administrativa do Rio Grande do Norte. Entre eles destacam-se Manuel Francisco Dantas, Bartolomeu Leopoldino Dantas, Antônio Justino Dantas, o jornalista, advogado e político Manuel Gomes de Medeiros Dantas, que chegou à Prefeitura de Natal, e João Valentino Dantas Pinagé.

Assim, José Augusto conclui que a descendência de Caetano Dantas Correia e Josefa de Araújo Pereira tornou-se uma das mais numerosas e influentes do Seridó, espalhando-se por diversas regiões do Rio Grande do Norte, Paraíba e outros estados do Nordeste, constituindo um dos principais troncos genealógicos da história sertaneja.

Com informações livro : Seridó e Famílias Seridoenses – Autor José Augusto.

Foto: Gerada com recurso digital.

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