A decadência da oligarquia Maranhão versus a ascensão do grupo político do Seridó

Equipe de Redação do Blog do Cobra
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26/05/2025 às
20:28

Em 1913, iniciou-se a procura de um sucessor para Alberto Maranhão que não pertencesse a sua estirpe, mas que possibilitasse mais tarde, sobretudo, a volta de um Maranhão ao governo. Assim, foram sugeridos alguns nomes para a aprovação do partido e em, meio a esse acontecimento, surgiram dificuldades que questionavam a liderança do governador.

Tal situação foi agravada em face das campanhas salvacionistas que, sob o apoio do Governo Federal, procuravam derrubar as velhas oligarquias estaduais, substituindo-as por novas oligarquias apoiadas nos grupos militares.

Nessas condições, articulava-se no partido governamental, planejada pela facção do Seridó, a volta do desembargador Joaquim Ferreira Chaves ao governo do Estado. Então, Alberto Maranhão procurou o chefe do Partido Republicano Conservador, filiado ao Partido Republicano do Estado e defendeu a candidatura de Ferreira Chaves. Alberto Maranhão viu-se sem saída e decidiu, portanto, aceitar a candidatura do desembargador.

José Augusto que atuava no momento como Deputado Federal tinha sido incubido de resolver tal questão e, ao voltar da tarefa, aliou-se ao Deputado Federal Juvenal Lamartine, outro político da região, para reorganizar o sistema político do Seridó, desarticulado desde a morte do Senador José Bernardo (avô de José Augusto).

Assim, mesmo com a campanha de Salvação, Ferreira Chaves foi eleito com um indice elevado de votos em relação ao seu opositor. Ao assumir o governo, pela segunda vez, tomou medidas, objetivando a derrota da velha oligarquia dominante. Desse modo, as primeiras providências tomadas foram a rescisão do contrato do sal, a reforma da Constituição Estadual, a regulamentação do serviço eleitoral, etc. Vale salientar que essa última medida selou o fim da oligarquia dominante.

Portanto, Ferreira Chaves tornou-se o novo líder da po- lítica potiguar.

“Os remanescentes da velha oligarquia começaram a perder progressivamente o controle da máquina estadual, com isto o centro da política estadual mu da-se da região litorânea açucareira para o sertão do Seridó, região algodoeiro-pecuária”. (LINDO- SO, 1982, p. 32).

Economicamente, a produção do açúcar iniciou o seu declínio e o algodão assumiu sua posição no quadro da economia potiguar, favorecendo, portanto, o desloca- mento dela da região litorânea para o Sertão do Seridó.

Em 1920, Ferreira Chaves apontou seu sucessor: Antônio José de Melo e Souza, ex-aliado da oligarquia Maranhão. Respondendo a ação do governo, os Maranhão criaram o Partido Republicano do Rio Grande do Norte, trazendo como candidato João Dionísio Filgueira.

Foram derrotados e Ferreira Chaves elegeu-se senador. Assim, ele se preparou para voltar ao governo no quadriénio seguinte. No entanto, seus planos desmoronaram quando a longa atuação de José Augusto e Juvenal Lamartine e a ação dos coronéis do Seridó interferiram em suas pretenções.

“A nova convenção do partido homologa o acordo e José Augusto é eleito governador do estado sem oposição, com cerca de doze mil votos. Logo após, Ferreira Chaves renunciou a chefia do partido, que passou a ser exercida pelo novo governador”. (LINDOSO, 1982, p. 37).

Assim, a ascensão de José Augusto e Juvenal Lamartine, representantes da oligarquia algodoeiro-pecuária, marca a derrota da oligarquia Maranhão, Chaves, etc.

Com as eleições de 24 de fevereiro de 1927 para o Senado e a Câmara Federal, estabeleceram-se regras que impediam a presença dos Maranhão na chapa oficial. A justificativa para tal atitude foi dada pelo governo uma se que agiram com deslealdade para com Juvenal La- martine. Consequentemente, isso trouxe uma reação dos Maranhão, através da publicação de um manifesto que protestava as normas impostas pelo atual governo.

“Respondendo ao manifesto o governador afirmou que a tradição politica do estado era reeleger ape nas os correligionários que se mantivessem leais e se conduzissem com dignidade no devido apoio ao Governo Federal e ao Estado” (LINDOSO 1982. p. 39).

Partindo disso, muitos conflitos aconteceram até que se negociasse uma chapa em que dela fizessem parte membros dos Maranhão e da facção seridoense.

Como nos anos vinte houve um intenso processo de mudanças, somado à revoluções operárias, à repressão política, resultados esses do Movimento Tenentista, no Rio Grande do Norte, tais atitudes refletiram sob o desgaste do governo Juvenal Lamartine e das oligarquias no poder.

Com informações e imagem livro: José Augusto e o ABC das Oligarquias – Walclei de Araújo Azevedo

Aladim Potiguar, colaborador do Blog do Cobra.

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