2ª
GUERRA MUNDIAL
Uma
grande esperança num jovem pianista, ORIANO DE ALMEIDA, uma patriótica missão
cultural, e uma visita que Natal não esperava.
Depois
de cinco anos de ausência de Natal, tempo que levou se aperfeiçoando no Rio de
Janeiro, chegou domingo último a esta capital o jovem pianista Oriano de
Almeida, que iniciou os estudos de seu instrumento com o maestro Valdemar de
Almeida, seu tio no curso particular que ainda hoje mantém. Diplomado pelo
Instituto de Música do Rio Grande do Norte e tendo sido um dos seus alunos mais
talentosos. Oriano de Almeida daqui saiu para o sul levando também como
elemento de êxito o seu extraordinário valor pessoal, bem depressa compreendido
e prestigiado pela grande pianista Magdalena Tagliaferro, uma das glórias
nacionais de arte musical. No Curso de Interpretação dessa insigne pianista
Oriano de Almeida se firmou na Capital Federal, merecendo uma crítica lisonjeira
e impessoal, abrindo-lhe o caminho dos primeiros triunfos do Rio e São Paulo,
tornando-se um nome que exprime confiança perante as mais respeitáveis
plateias. Chega-lhe agora a ocasião de vir a Natal acompanhando um dos mais
jovens violonistas da Polonia, já possuidor das glórias de concertista
internacional Henrik Szeryng. Em Natal termina o seu contrato de concertos pelo
Norte, desde a Baia ao Pará, destinados aos soldados brasileiros e
norte-americanos das bases da parte septertional do Brasil. Em Natal, tomou
parte dos últimos concertos de Henrik Szering em Paranamirim e no USO. Fomos
ouvir algumas palavras de Oriano de Almeida no seu quarto do Grande Hotel.
Encontramos quase a mesma figura esbelta de quando daqui partiu, com o mesmo
espirito lucido a mesma inteligência fulgurante, a mesma simpatia pessoal.
UM
GENEROSO PRESENTE DE NATAL. Disse-nos o jovem pianista que é pelo coração e
pelo ar puro da arte, um Norte-rio-grandense. Depois de cinco anos de ausência
tenho a satisfação de rever a terra que me iniciou na carreira tão difícil,
mais de tão largas esperanças que é a carreira artística.
Foi
com a sensação de expectativa e com o coração cheio de contentamento que pisei
esta terra abençoada de onde sou filho espiritual. Nunca esperei que tivesse
presente de Natal tão generoso e formidável, que foi a surpresa de vir agora
aqui. Acompanhado de o grande violonista Polonês Henrik Szering na sua missão
de cultura, estou alegre de poder colaborar com esse na jornada magnifica que
acaba de realizar, de agradecimento do povo Polonês as forças aliadas que neste
momento estão ajudando a sua pátria junto aos nossos irmãos brasileiros que
pagam com o seu sangue o tributo da liberdade e da dignidade humana.
O VALOR DE UM ENSINO NA PROVINCIA, nestes cinco anos pude demonstrar o
aproveitamento do ensino que aqui recebi no velho Instituto da rua Vigário
Bartolomeu e talvez tenha compensado um pouco de confiança do primeiro público que me aplaudiu e consagrou, cujos aplausos
ecoaram nos grandes centros do sul. Só tenho palavras de reconhecimento para o
meu primeiro mestre, Valdemar de Almeida, que tem sido o guia espiritual de
duas gerações de jovens potiguares, da primeira da qual fiz parte com Tulio
Tavares, Aldo Parisot, um talento raro a serviço de um instrumento cujas
dificuldades todos conhecem, e que integra no Rio a vida artística à altura de
um grande elemento em concertos da Sinfônica Brasileira e que tem constituído
verdadeiros triunfos, não somente para ele como para o Rio grande do Norte
Ligia Bezerra, Dulce Cizo, Ziva Blatman e Glorinha Sigaud e tenho notícias as
mais lisonjeiras de novos rebentos de um ensino baseado no desejo de ver a arte
atingir no Estado o nível dos grandes centros brasileiros, como sejam Moisés
Roiz, Nazaret Leitão de Almeida e esse jovem Menuhin, que é Cussi Neto.
ALUNO
VITORIOSO DE MAGDA TAGLIAFERRO, tive a rara sorte, que pouco artista tem tido,
de encontrar uma mestra como Magdalena Tagliaferro, a grande pianista que o
mundo aplaude, e que é também uma conselheira dos segredos vários da arte.
Com
informações: Jornal a República do dia 04/01/1945.
