Auta de Souza

Ana Tersuliano
|
06/12/2025 às
07:56

Nascida em Macaíba/RN no dia 12 de setembro de 1876, Auta Henriqueta de Souza
foi poetisa e mística.

Hoje, também dá nome a um grupo escolar em Macaíba, a grêmios
escolares e a centros espíritas.
Segundo Edgar Barbosa, a vida de Auta de Souza “esvaiu-se em versos”,
reportando-se à brevidade trágica dos seus dias, causada pela tuberculose que contraiu aos
14 anos de idade. Era irmã de Eloy de Souza e Henrique Castriciano. Seu outro irmão,
Irineu, faleceu em um incêndio. Ao irmão mais novo, João Câncio, dedicou os versos
“Caminho do Sertão”: “Tão longe a casa! nem sequer alcanço…”.

Em Macaíba começou a estudar francês. Depois estudou no Colégio da Estância, de
freiras francesas, em Recife. Seu irmão Henrique possuía muitos livros franceses,
provavelmente por isso ela escreveu alguns versos em francês. Era autodidata, aos sete
anos lia e escrevia. Católica fervorosa. segundo contou Henrique a Câmara Cascudo, Auta
surpreendeu ao assinar junto com os escritores natalenses um manifesto de solidariedade
em favor de Emile Zola, quando foi processado na questão Dreyfus, que era judeu, uma vez
que Zola era persona non grata para a Igreja Católica.

Cascudo levanta a hipóteses de um amor platônico, certamente tolhido pelos ciúmes
dos irmãos, o que aparece nos versos: “Meu casto sonho! Lá se foi cantando / talvez em
busca de uma pátria nova. / Deixou-me o coração como uma cova, / E, dentro dele, o amor
chorando”. Seu livro “Horto” é bem recebido por intelectuais católicos brasileiros, como
Tristão de Athayde, Andrade Muricy e Jackson Figueiredo, que escreveu longo ensaio em
1924.

Otto Maria Carpeaux a inclui entre os simbolistas; Manuel Bandeira escreveu um
artigo sobre a emoção de ler a vida de Auta biografada por Câmara Cascudo. Nestor Victor
escreveu sobre a poetisa longo ensaio reeditado em livro datado de 1919. Auta embalou
nos braço mornos o pequeno Cascudo, como ele sempre gostava de contar. Ainda
comemorou com um “assustado” (festa residencial com danças) o seu último aniversário.
Um mês antes de morrer, escreveu versos como quem despedia da vida. Na av. Rio
Branco 445, na véspera da sua morte, ouviu os “Sermões” do Padre Vieira lidos por Eloy.

Na madrugada de 07 de fevereiro pediu para chamarem o Padre João Maria, que lhe deu
extrema unção. E, na despedida, Pedro Velho beijou sua face, além de escrever uma carta
emocionada. Foi sepultada no Cemitério do Alecrim e em 1906 seus restos mortais foram
trasladados para a Matriz de Macaíba, no jazigo da família, onde não figurava o seu nomeNo local onde Auta plantou um jasmineiro em Macaíba, hoje funciona o grupo escola
que tem o seu nome. Alguns dos seus poemas foram musicados, fazendo sucesso durante décadas.

 Auta de Souza, faleceu em Natal/RN, no dia 07 de Fevereiro de 1876. Seu nome denomina rua Cidade Alta, Natal/RN.

Com informações e imagem livro: 400 Nomes de Natal – Coleção Natal 400 Anos.

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

Apoie a preservação da nossa história. Anuncie conosco: (84) 99658-8154.

Gostou deste conteúdo? Siga-nos no Instagran: @blogdocobra_

Comentários

Respostas de 2

  1. Excelente, manter a nossa História viva é um ato de amor !!! Parabéns grande historiador Cobra !!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *