Djalma Maranhão

Ana Tersuliano
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04/08/2024 às
13:02

 

Nascido em natal em 27 de novembro de 1915, Djalma Maranhão, o mais popular dos prefeitos da cidade do Natal, deste século, Djalma Maranhão herdou a vocação para a vida pública legada por antepassados ilustres da sua família, como Pedro Velho e Alberto Maranhão. Foi deputado federal, deputado estadual (1954) e prefeito da capital potiguar em dois períodos: o primeiro, de 1955 a 1959, por nomeação do governador Dinarte Mariz, em função da vitória eleitoral da aliança UDN-Cafeísmo, nas eleições de 1955; o segundo, de novembro de 1960 a 02 de abril de 1964, quando foi eleito por voto direto em aliança com Aluízio Alves, apoiando a chapa nacionalista Lott-Jango. Desportista, político, carismático, notabilizou-se na vida pública como criador do programa de alfabetização “De pé no chão também se aprende a ler”, inspirado na pedagogia do pernambucano Paulo Freire e que teve como executores o Secretário de Educação, Professor Moacyr de Góes, Omar Pimenta, diretor de ensino municipal; Mailde Pinto Ferreira de Almeida, diretora da Diretoria de Educação e Cultura; Margarida de Jesus Cortez, diretora do Centro de Formação de Professores; Geniberto Paiva Campos, diretor do Ginásio Municipal; Josemá de Azevedo, executor da interiorização da campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. Em sua administração a cidade ganhou, entre outras obras, o Palácio dos Esportes, que leva o seu nome, a Estação Rodoviária da Ribeira, o Mercado das Rocas e o Centro de Formação de Professores, no Baldo. Fundou os jornais “O Monitor Comercial”, A Folha da Tarde” e o “Diário de Natal”, e dirigiu o “Jornal de Natal”, de Café Filho. Foi também grande incentivador da cultura popular, realizando no seu primeiro período administrativo os três maiores Festivais de Folclore de que a cidade tem notícia. Nacionalista, ideologicamente de esquerda, simpatizante da Revolução Cubana, Djalma Maranhão foi alvo da repressão desencadeada pela Ditadura Militar de 1964, a Prefeitura Municipal de Natal foi invadida por tropas do Exército, dando prosseguimento ao golpe militar deflagrado no dia anterior. Djalma Maranhão foi deposto e preso e, numa demonstração de grande dignidade moral, repeliu a proposta do Coronel Mendonça Lima, Comandante da Guarnição de Natal, de trocar sua liberdade pessoal pela renúncia ao mandato de prefeito.

Em 15 de agosto foi transferido e confinado na ilha de Fernando de Noronha e, depois, levado para o 14º RI (Regimento de Infantaria), no Recife, onde fica internado no Hospital Militar. Em outubro, o deputado Carvalho Neto obtém ordem de “Habeas Corpus”, por unanimidade do Supremo Tribunal Federal em seu favor, mas o Coronel João Dutra de Castilho, Comandante do 14º RI, recusa-se a cumpri-la. Em novembro, a segunda ordem de HC do STF é cumprida e ele é libertado. Viaja para o Rio, onde passa a ser hóspede do Senador Dinarte Mariz, exilando-se, mais tarde, na Embaixada do Uruguai, onde redige o manifesto “Palavras ao Povo”, em que afirma: “Não creio na validade de “habeas corpus”, neste momento”, e anuncia a decisão de ir para o exilio, em busca de tratamento de saúde. Mas ressalva: “Confio que minha ausência será por pouco tempo”. Infelizmente, o grande homem público errou seu prognóstico. Em maio de 1965, é indiciado na VII Região Militar (Recife). Em julho, embarca para o exílio no Uruguai. Em março de 1969, é condenado a 16 anos e 6 meses, sob invocação da Lei de Segurança Nacional. Morre no exilio uruguaio. Seu sepultamento em Natal, dias depois, mobilizou milhares de pessoas, demonstrando o apreço e o reconhecimento dos natalenses ao grande homem público que foi Djalma Maranhão. Djalma foi político, jornalista, desportista, escritor, nome de rua em Nova Descoberta, e nome do Palácio dos Esportes. Faleceu em Montevidéu, Uruguai em 30 de julho de 1971.

Com informações: Livro 400 Nomes de Natal.

Leia a Bíblia!!!

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