A Importância Econômica do Porto dos Búzios. Desde a primeira metade do século XVI que a Praia de Búzios servia de ancoradouro para navios franceses que contrabandeavam pau-brasil búzio, encontrados nas costas do Rio Grande. Mercadorias, que eram uma fonte geradora de dinheiro. Daí a origem do topônimo “Praia dos Búzios”. Mas antes do topônimo Praia dos Búzios, segundo Câmara Cascudo, esse local foi citado em muitos documentos, como os nomes, Porto dos Búzios ou Ponta dos Búzios, “pela abundância de búzios que eram procurados, valendo dinheiro para permutas comerciais”. Segundo Cascudo, “na Índia, China, levados para a África pelos traficantes árabes, o búzio Cypreia moneta, Linneu (moneta, moeda) valia dinheiro corrente e comum, denominado Cauri”. Na verdade, ele foi difundido, facilmente, entre os comerciantes portugueses, radicados em África. Tarcísio Medeiros citando Gabriel Soares (Tratado descritível do Brasil, 1787) menciona”…entre está ponta e o Porto dos Búzios está a enseada de Tabatinga, onde também há surgidouro e abrigada para navios em que detrás da ponta ancoravam naus franceses para carregar pau -brasil… Do rio Camaratibe até Baía da Traição são duas línguas, a qual está em 6 graus e 1/3 onde ancoravam naus francesas e dois dos arrecifes para dentro.
Cascudo conta que, na viagem de Mascarenhas Homem, Capitão-mor de Pernambuco, para expulsar os franceses da Capitania do Rio Grande, ele já se encontrou, no Porto dos Búzios, sete naus franceses carregando pau-brasil. Como na praia era abundante a colheita de búzios, João de Barros, donatário da Capitania do Rio Grande, arrendou-a por quinhentos cruzados. E recebeu a mão do seu procurador Antônio Pinheiro, residente em Igaraçu, “os búzios como pagamento das anuidades do arrendamento” ou a licença para colhe-las.
Percebe-se que o Búzio criou tanto valor econômico que serve, também, como dinheiro, ou seja, objeto de troca. Na verdade, era um peso certo no comércio daquela época. Por isso, hoje não existe mais búzio na nossa praia dos búzios, a contratação de João de Barros e o tráfico acabaram com esses produtos. Foi o mesmo que aconteceu com o nosso pau-brasil: esgotaram as matas dessa espécie.
Com informações: Livro Evolução Econômica do RN – Paulo Pereira dos Santos.
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