Deolindo Lima

Ana Tersuliano
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13/11/2025 às
08:18

Deolindo Ferreira Souto dos Santos Lima nasceu em Açu/RN no dia 9 de março de 1885. Foi jornalista, teatrólogo, poeta, seresteiro, folião e animador cultural.

Segundo os amigos natalenses, a mais bonita voz da sua época, Deolindo Lima foi um trabalhador precoce, tendo ingressado no comércio em 1899, ano em que sua família mudou-se de Açu para Natal e ele tinha apenas 14 anos.Arrimo de família, seu trabalho possibilitou que seus irmãos Galdino e Nestor dos Santos Lima se bacharelassem em direito, enquanto Luís Antônio se formou em farmácia e medicina. Era ainda irmão da poetisa Anna Lima.

Sua ligação com o comércio levou-o à presidência da Liga Artístico-Operária Norte-rio-grandense por três vezes consecutivas. Vinculou-se à maçonaria, atingindo o grau de venerável da loja “Evolução II”, entre 1941 e 1942. Apesar de ter-se cingido sempre à atividade comercial, Deolindo não deixou de explorar seus talentos para o canto e a arte dramática, participando tanto de serenatas – coisa rotineira e socialmente aceita na Natal do começo do século – como de atividades teatrais, o que fez dele um personagem muito popular na cidade.

Prova disso é que no “Festival do Poeta Otoniel Meneses”, realizado no palco do então Teatro Carlos Gomes (hoje Teatro Alberto Maranhão) no dia 16 de dezembro de 1922, Deolindo interpretou, pela primeira vez para um grande público, a canção “Praieira”, que imortalizou o nome do poeta Otoniel Meneses e do músico Eduardo Medeiros. “Praieira” é considerada por lei municipal o hino da cidade do Natal.

No teatro, Deolindo não foi apenas um autor disputado pelas companhias de sua época, foi também fundador, em 1911, juntamente com Ivo Filho, Virgílio Trindade, Jorge Fernandes, Ezequiel Wanderley, Joaquim Scipião de Albuquerque Maranhão, Stela Wanderley, entre outros do Ginásio Dramático Natalense, entidade responsável pela produção de dezenas de peças de autores natalenses, como Segundo Wanderley, Ivo Filho, Stela Wanderley, Jorge Fernandes, entre outros. A agremiação durou até 1918.

Foi trovador e poeta, com poemas musicados por ele próprio, por Virgílio Carneiro, Barôncio Guerra e outros músicos da época. Admirador de José da Penha, colocou letra na antiga canção portuguesa “Vassourinha”, que virou hino da sua campanha em 1913: “Capitão J. da Penha/ Denodado potiguar/ Vem à Bela Salinésia/ Os ‘Marretas’ derrotar (…)”.

Deolindo Lima faleceu em Natal (RN), no dia 10 de abril de 1944. Seu nome denomina uma rua no bairro da Redinha, também em Natal.

Com informações e imagem livro: 400 Nomes de Natal – Coleção Natal 400 Anos.

Pesquisa e edição: Ricardo Tersuliano – Historiador Independente – e-mail: ricardotersuliano.iaphacc@gmail.com – Colaborador do Blog do Cobra.

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